“A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas.” ( Horácio )

Texto base: Gênesis 39.20-40.23

As adversidades ao invés de aniquilarem José, corroboraram para o desenvolvimento de virtudes indispensáveis para a liderança. Dr. Martyn Lloyd-Jones disse: “É trágico quando se alcança o sucesso antes de estar preparado para ele”. O propósito das adversidades é forjar o caráter e preparar-nos para desafios ainda maiores. Antes de José se tornar o primeiro ministro do Egito, DEUS usou a prisão na vida dele para desenvolver atributos fundamentais que o capacitasse a dirigir a mais potente nação do mundo.

José foi preso e contado entre os transgressores, isto faz dele um tipo de JESUS (Is 53.12). JESUS foi condenado injustamente e lançado junto aos criminosos. A prisão foi o último estágio de crescimento de José antes de se tornar o primeiro ministro do Egito. Essa foi a última prova de fogo. Na prisão José desenvolveu competências indispensáveis para a gestão.

Na adversidade desenvolvemos virtudes indispensáveis.

Vejamos 3 virtudes desenvolvidas na adversidade:
Confiabilidade (39.23). José usufruía de uma confiança inabalável por parte do carcereiro. Este sabia que aquilo que estava sob o encargo de José estava bem cuidado. O versículo enaltece a integridade de José de modo surpreendente porque cadeia não é lugar de integridade. Ninguém espera que um preso seja confiável e íntegro, mas José foi íntegro onde não se esperava integridade. Se não formos capazes de ser íntegros onde estamos, não seremos íntegros em lugar nenhum. José se mostrou confiável numa situação extremamente adversa. É no fogo da adversidade que devemos mostrar que somos confiáveis. Há um ditado popular que diz: “a ocasião faz o ladrão”. Isso não é verdade. José tinha desculpas para não ser confiável e íntegro, tinha motivos para se rebelar e usar de sua posição em benefício próprio, estava preso sem ter cometido nenhum crime. (Gn 40.15). Devemos nos mostrar confiáveis e íntegros no dia da adversidade. Se José não fosse íntegro na prisão nunca seria como primeiro ministro do Egito.

Certa vez um jovem foi a um homem sábio, pedir conselhos. O homem sábio disse que só queria saber uma coisa. Ele propôs uma situação imaginária. Ele disse – “Imagine que você nunca seria pego e ninguém seria machucado. Ninguém perderia nada. Se estas circunstâncias fossem garantidas, você mentiria por R$ 100,00?” O jovem pensou um pouco e respondeu. “Sim, por R$100,00, se ninguém saberia e ninguém seria machucado! Eu mentiria!” O sábio balançou a cabeça e disse. “Tenho outra pergunta. Você mentiria por R$ 0,10?” Furioso, o jovem indagou “Que tipo de pessoa você acha que eu sou?!” O sábio respondeu. “Eu já sei que tipo de pessoa você é. Estou apenas tentando estabelecer seu preço.”

Solidariedade (40.6-7). Solidariedade é a qualidade inerente ao homem e à mulher de DEUS. Quanto maior for o nível de liderança, mais solidário deverá ser o líder. O que é ser solidário? É o exercício da empatia e de se importar com as necessidades do próximo. José foi solidário mesmo quando foi vendido pelos próprios irmãos, submetido à condição de escravo, prisioneiro na masmorra sem ter cometido crime algum. Ele foi capaz de se preocupar com as necessidades dos outros. Apesar de todas as suas mazelas, José não olhou para si, mas viu a tristeza dos outros. Ele teve os seus problemas, as suas dores, os seus traumas, mesmo assim ele olha para o lado. Vivemos num mundo egoísta onde somente os nossos anseios e a nossa dor importa, assim, perdemos a capacidade de socorrer os outros em suas necessidades. José foi solidário em um lugar onde não se espera solidariedade. Ninguém espera solidariedade na cadeia. Num dos seus sermões do dr. Martin Luther King Jr. pronunciou: “A pergunta mais importante é: o que você está fazendo pelos outros?” Em 1992, nas paraolimpíadas de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou, caiu rolando e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com síndrome de Down, ajoelhou-se, deu um beijo no garoto e disse: — “Pronto, agora vai sarar”. E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa história até hoje. Talvez os atletas fossem deficientes mentais… Mas, com certeza, não eram deficientes da sensibilidade… Por que? Porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. O que importa nesta vida é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.

Paciência (40.23). Depois de José ter sido solidário com um dos detentos, ele foi esquecido por dois anos. Aquele que foi ajudado por José não se lembrou mais dele. Mesmo assim José foi paciente e continuou sendo confiável e solidário. Esperar, temos muita dificuldade com esse verbo. Não gostamos de esperar. José precisou esperar o tempo de DEUS agir em seu favor. O tempo de espera foi necessário para DEUS tirar as muletas de apoio de José. Ele havia se apoiado no copeiro, mas através do tempo de espera DEUS lhe disse: “EU que vou tirá-lo da prisão, não será o copeiro”. Paciência é fruto do ESPÍRITO SANTO (cf. Gl 5.22), que é desenvolvido no discípulo nas mais severas adversidades. José teve paciência para esperar o agir de DEUS. No esquecimento da prisão foi o período que José mais cresceu. DEUS usou o tempo do esquecimento na escuridão da prisão para acelerar o amadurecimento de José. O abacate é uma fruta que, para acelerar o processo de amadurecimento, é retirada do pé, enrolada em um jornal e guardada em local escuro. Depois de uma semana a fruta está pronta para consumo. DEUS usa o mesmo processo para amadurecermos, nos arranca da zona de conforto, nos envolve nas adversidades e deixa-nos no escuro por algum tempo. Pense na adversidade como um processo de amadurecimento na tua vida.

Que a adversidade que você esteja atravessando não seja um desperdício, mas que DEUS use-a para desenvolver virtudes na tua vida.

Pastor Olavo Vigil