Tudo neste mundo tem o seu tempo, cada coisa tem a sua ocasião”. (Ec 3.1)

A palavra namoro foi criada para distinguir um tipo de relação amorosa entre duas pessoas que se atraem e nutrem sentimentos uma pela outra. Diz-se da fase que antecede o período de noivado. A BÍBLIA não apresenta em suas páginas a palavra namoro e não fornece qualquer orientação sobre o tema. As narrativas do Antigo e do Novo Testamento tratam de contratos matrimoniais e pré-nupciais concebidos pelos pais dos noivos e pouquíssimas vezes realizados pelos nubentes. Um exemplo clássico é encontrado em Gênesis 24. Nessa passagem o velho Abraão manda buscar uma esposa para seu filho Isaque na distante Harã. Na BÍBLIA, as pessoas não namoravam durante algum tempo, não passeavam de mãos dadas, não usavam aliança de compromisso e muito menos se beijavam. Elas assumiam o compromisso de casamento diante de toda a comunidade, com data pré-estabelecida e com valor financeiro acordado pelas famílias. Os pais pagavam o dote e os noivos somente mantinham contato no dia do casamento (Gn. 29.15-30, Jz 14.1-2, Rt 3-4, Mt 2.18-25).

Nos meus quatorze anos de ministério pastoral presenciei casos paradoxais sobre relacionamentos. Conheci casais não crentes que namoraram, noivaram, casaram-se e desfrutavam de uma vida conjugal de qualidade superior à de muitos crentes que haviam procedido de maneira idêntica. Eles tinham uma vida financeira ordeira e filhos educados enquanto os cristãos viviam em desordem financeira, com filhos desajustados. Alguns namoraram e, em menos de três meses, casaram-se no cartório de registro civil, não tiveram celebração de culto para o enlace e viviam muito bem. Por outro lado, vi casais crentes que namoraram por anos, se abstiveram de relações sexuais num esforço para honrar os pais e dar bom testemunho cristão. Eles faziam orações fervorosas e serviam a JESUS na igreja local. Planejaram o casamento minuciosamente, cursaram o pré-nupcial com o pastor de sua igreja e, contudo, o matrimônio não durou mais de dois anos. Acompanhei jovens que, ainda na fase de namoro, vieram a engravidar e por causa da gravidez inesperada eles interromperam os estudos, casaram-se mesmo sem ter recursos financeiros, enfim, superaram todas as adversidades juntos. Como resultado, eles gozam hoje de uma vida alegre com o filho e servem com esmero na igreja. Acompanhei pessoas que namoraram e se casaram com não crentes e com o tempo o cônjuge tomou uma decisão por CRISTO e ambos servem a JESUS. É verdade que o contrário também aconteceu, pessoas abandonaram os valores de DEUS para viver com não crentes.

O fato de ter acompanhado casais crentes que fracassaram e casais não crentes que tiveram sucesso na vida conjugal, me deixa a possibilidade de abandonar qualquer diretriz sobre namorar alguém e casar? – De maneira nenhuma. Entendo que não são as experiências humanas que devem nortear a nossa vida. Como discípulos de JESUS temos a responsabilidade de sermos exemplo para a sociedade. Os princípios divinos encontrados na BÍBLIA, a nossa única regra de fé e prática, é que deve direcionar todos os nossos relacionamentos. A Bíblia não nos dá respaldo para proibir o namoro porque não há diretriz ou ordenamento nesse sentido. Contudo, devemos orientar os jovens sobre como proceder durante a fase que chamamos de namoro. Assim, compartilho alguns princípios para o namoro que honre ao SENHOR:

NAMORE COM O PROPÓSITO DE CASAR. O que deve motivar o namoro? Poucos jovens conseguem responder a essa pergunta. Certa vez, perguntei a uma menina por que ela estava namorando. Ela respondeu: – “Todas as meninas da minha escola e do meu condomínio estão namorando, eu não poderia ser a única a não ter um namorado”. Lamentavelmente, as meninas namoram para passar o tempo, curtir, ser aceita no grupo de amigas ou simplesmente porque o rapaz é bonito. Todas essas razões são equivocadas. O namoro deve ter um propósito elevado e nobre, o desejo de aprofundar laços de amizade e de conhecimento para se casar. Então, por que namorar com esse propósito?

Para não desperdiçar tempo. O namoro exige tempo de qualidade. Você deverá disponibilizar tempo na sua agenda para namorar. Observe que, com tantos afazeres de aulas, cursinho, estágio, trabalho e o ministério na igreja local, onde encontrará tempo para namorar? A fase que compreende a adolescência e o início da juventude é tempo para priorizar os estudos, buscar qualificação profissional com intuito de obter uma boa colocação no mercado de trabalho. Afinal, a BÍBLIA nos garante que há tempo para tudo (Ec 3.1-8). Quão frustrante saber que você abriu mão de suas prioridades por um namoro que desperdiçou seu tempo. Então, dedique-se primeiro aos seus estudos e depois virá o tempo certo para namorar.

Para manter um bom testemunho. Muitas jovens já tiveram alguns namorados antes de se casarem. Por favor, não julguem isso uma posição “machista”, penso o mesmo acerca dos rapazes. Pessoalmente, imagino que uma pessoa séria não gostaria de se casar com outra que já se comprometeu além da amizade com muitas outras pessoas. Entendo que a postura dos jovens crentes deve ser muito diferente dos jovens não crentes que trocam de parceiros constantemente e avançam para etapas íntimas que não deviam avançar durante o namoro. Esse comportamento certamente deixará marcas de decepção, frustração, ressentimento e amargura. Zele pelo seu testemunho, confie em JESUS e espere em oração pela pessoa certa para namorar, assim honrará o SENHOR, o seu futuro marido e a sua família.

Para evitar desgate desnecessário. A manutenção de um namoro vivo e saudável exigirá muito trabalho. Exigirá a sua atenção, o seu tempo e os seus recursos. E, como todo o relacionamento trará alegrias e tristezas. Acompanhei jovens muito tristes por causa das brigas com o namorado e com a própria família. Essas brigas ocasionaram baixo rendimento escolar, vida devocional inconstante e prejuízo no ministério. Algumas jovens ficaram abatidas e tristes a ponto de, com apenas dezesseis anos, precisarem procurar profissionais da área da psiquiatria, psicologia e terapia. Diante disso, fiz a seguinte pergunta: – Você tem a intenção de se casar com essa pessoa? A resposta, invariavelmente, era negativa ou vazia. Se você não tem a intenção de se casar com ele, por que continua um namoro que tanto a desgasta? Uma jovem de dezesseis anos está em meio aos seus estudos, depende dos pais para se sustentar e, muitas vezes, o casamento está longe devido à pouca idade e condições financeiras, então, por que manter um relacionamento sem objetivo? Namorar com o propósito de casar evitará desgaste do relacionamento.

NAMORE UMA PESSOA QUE COMPARTILHE DOS MESMOS INTERESSES. Quando me converti comecei a orar e esperar em JESUS por uma jovem crente e que também fosse Batista. Pode ser que eu tenha sido muito exigente. Mas, pense comigo, se eu namorasse e me casasse com uma jovem de outra denominação, certamente, teria dificuldades de adaptação e conflitos surgiriam por causa do estilo de culto, doutrina e administração de nossas igrejas. No domingo, cada um iria para sua igreja e quando nascessem os filhos haveria uma disputa sobre que denominação as crianças deveriam frequentar. Com certeza, se você conhece alguém que se casou com pessoa de outra denominação e eles agora frequentam harmoniosamente a igreja Batista, isso é exceção. Depois que o SENHOR me chamou para o ministério, a minha oração ficou mais exigente. Passei a orar por uma jovem que também fosse vocacionada. Se eu namorasse e casasse com uma pessoa de interesse diferente, ou eu abandonaria o chamado para o ministério ou teria muitos conflitos que, provavelmente, levariam ao divórcio. O SENHOR JESUS foi muito bom comigo, ELE me deu uma excelente esposa.

Sobre namorar alguém não crente, encontramos uma passagem no Novo Testamento que é muito usada para instruir os jovens a não contraírem matrimônio com um incrédulo (1 Co 6.14). O verbo grego heterozygeo encontra-se somente nesta passagem, encerra a ideia de alguém estar num jugo desnivelado. Na septuaginta o termo é empregado como proibição de lavrar a terra com animais diferentes sob o mesmo jugo, por exemplo, colocar um boi e um jumento na mesma canga (Lv 19.19, Dt 22.10). O texto não se refere ao casamento, mas serve de entendimento para que o crente não se submeta a valores e princípios dos não crentes, bem como não seja influenciado pelos incrédulos. Observe que a Escritura não está dizendo que não devemos nos relacionar com os incrédulos, mas nos orienta a não nos deixar influenciar por eles. Especialmente, Paulo exorta a igreja de Corinto a não se submeter aos ensinos dos judeus incrédulos que tinham como conteúdo o legalismo. Isso é o jugo desigual. Embora o texto não discorra sobre namoro, entendo que se alguém optar em namorar e casar com um não crente provavelmente terá dificuldades em frequentar a igreja, dizimar, ofertar, participar de retiros, de congressos e de encontros de casais. Uma vez que se casou, você estará debaixo da liderança do seu marido e se ele não aprovar a sua participação na igreja, não deverá contrariá-lo.

Namorando ou casando com um não crente, há sérios riscos de não frequentar mais a igreja, ou de se sentir constrangida por comparecer sempre sozinha aos eventos. Mais uma vez, certamente, você conhece alguém que namorou um não crente e o namorado se converteu por causa do testemunho da namorada e agora ambos servem a JESUS. Ou conhece alguém que se casou com um não crente e este nunca impediu a esposa de participar dos eventos eclesiásticos ou que ele se tornou muito frequente na igreja. Talvez, até um outro que tenha se convertido a CRISTO e se tornou pastor. Isso é exceção. Em geral, não é assim que acontece. Portanto, ore e espere em JESUS por uma pessoa que compartilhe genuinamente dos mesmos interesses. Não somente interesses espirituais, mas também em outras áreas da vida.

Então, namore com o propósito de casar. Ore e espere por uma pessoa que tenha interesses em comum com você. Agradar o seu SALVADOR e SENHOR é o objetivo principal do discípulo, por isso, o namoro e o casamento devem ter como meta honrar a JESUS.

Pastor Olavo Vigil