Texto base: Atos dos Apóstolos 13.1-5

“Como em qualquer esfera da vida, damos mais valor àquilo que lutamos por conquistar”. (Richard Sennett)

Estando nos últimos momentos de vida, certo pai reuniu seus oito filhos para dar-lhes o último conselho. Toma nas mãos uma vara e a passa ao mais velho e lhe diz: – Quebre-a! Assim fez o rapaz, quebrando a vara sem nenhuma dificuldade. O pai, em seguida, toma a vara quebrada e a parte, fazendo oito gravetos. Ao formar um feixe, o entrega ao filho primogênito, e diz: – Tente quebrar o feixe. O jovem tentou, usou toda a sua força, e nada conseguiu. O pai então fala: – Se vocês estiverem desunidos, serão facilmente vencidos. No entanto, se estiverem unidos, vocês vencerão todas as lutas da vida. Somos filhos de DEUS, se nos mantivermos juntos seremos fortes e invencíveis. JUNTOS; esse é o tema da nossa campanha de Missões Estaduais 2020.

A unidade da igreja promove a obra missionária. Chamo a atenção para três ações da igreja de Antioquia da Pisídia: “adoravam” (v.2), “enviaram” (v.3) e “proclamaram” (v.5). Os três verbos estão no plural, indicando que foram ações coletivas. Isso nos ensina que somente JUNTOS podemos realizar a obra missionária.

Juntos avançaremos na obra missionária. Vejamos três ações para juntos avançarmos na obra missionária:

Juntos oremos pela obra missionária (v.2). Enquanto eles buscavam ao SENHOR receberam a resposta. As respostas que precisamos para o campo missionário são encontradas na oração. Três considerações acerca da oração missionária:

A oração abre portas para o avanço missionário (Cl 4.3). Encarcerado, Paulo pediu aos irmãos da igreja de Colossos que orassem para que DEUS abrisse portas. Para que ele juntamente com os seus companheiros conseguissem pregar o EVANGELHO. Devemos orar constantemente para que os corações sejam preparados para receber o testemunho missionário. Assim, como preparamos a terra antes de lançar a semente, devemos preparar os corações com oração para receber o Evangelho.

A oração desperta vocacionados para o campo missionário (Mt 9.38). Há muito campo para ser conquistado para CRISTO, por isso precisamos de vocacionados. De pessoas que digam sim para o chamado do SENHOR e vão para os campos plantar igrejas. Devemos orar por vocacionados.

A oração é fonte de poder (2 Co 10.4). Não precisamos temer nenhuma força inimiga, artimanhas humanas ou satânicas, projeto de lei contra a igreja ou perseguição, porque temos a arma mais poderosa à nossa disposição: a oração. O poder para o avanço da obra missionária está na oração da igreja. O missionário Batista, que atuou na Birmânia, Adoniram Judson Jr. disse: “Muitos crentes consagrados jamais atingirão os campos missionários com os seus próprios pés, mas poderão alcançá-los com os seus joelhos.” Era comum os seminaristas, dos dias de Spurgeon, visitarem o pregador para aprenderem algo com o grande ganhador de almas. O templo em que Spurgeon pregava possuía um sistema de aquecimento para esquentar o edifício durante o inverno, como é comum nos países da Europa. Ocorreu, porém, que numa manhã de inverno, alguns seminaristas chegaram bem cedo para ouvir o grande evangelista. Ao chegarem, um diácono saiu-lhes ao encontro. E depois de tomar ciência de que se tratavam de futuros pastores, convidou-os a conhecer o sistema de aquecimento da igreja. Passaram por algumas portas, quando de repente chegaram a uma sala onde cerca de 200 pessoas clamavam a DEUS pelo culto, pelas visitantes e pelo pregador. Juntos devemos aquecer o campo missionário com as nossas orações.

Juntos enviemos os missionários para os campos (v.3). Barnabé e Saulo foram enviados pela igreja, depois João Marcos se juntou a eles. Eles não foram para o campo missionário por iniciativa própria. Foram enviados pela igreja por ordem do ESPÍRITO SANTO. Somente a igreja tem a autoridade de enviar os missionários para o campo. Uma agência missionária ou uma associação pode ser parceira na gestão e no sustento missionário, mas somente a igreja tem a autoridade de enviar pessoas para o campo. A tarefa da igreja é despertar vocacionados, equipá-los e enviá-los para o campo missionário. Nenhum vocacionado vai sozinho para o campo, a igreja vai junto, através do sustento financeiro, das orações e do apoio logístico.

Juntos também enviemos o sustento (Fp 4.15). O apóstolo Paulo agradeceu a igreja que ele mesmo havia plantado, em sua segunda viagem missionária pelas ofertas que recebeu para o sustento missionário.
Em 22 de dezembro de 2017, participei do Culto de Consagração da Capela da Igreja Batista em Arroio dos Ratos, RS. Foi possível ver a força da cooperação, que é uma das características dos batistas. Graças à cooperação dos batistas a cidade de Arroio dos Ratos foi abençoada com uma igreja. A capela foi doação dos irmãos norte-americanos, que enviaram uma caravana para construí-la, o missionário que lidera a igreja foi enviado por uma igreja do estado do Rio de Janeiro através da Junta de Missões Nacionais. Os demais investimentos da obra missionária ficaram por conta IB Central de Porto Alegre, RS, igreja mãe, pertencente à Convenção Batista Gaúcha. JUNTOS foi a palavra que possibilitou o plantio da igreja: A igreja Batista do Rio de Janeiro enviou o casal missionário, Missões Nacionais captou os recursos, a IB Central de Porto Alegre, que é a igreja mãe, os irmãos norte-americanos que construíram a capela e a Convenção Batista Gaúcha. O missionário e mais cinco instituições cooperaram.

Juntos proclamemos o evangelho (v.5). O texto não diz “proclamou”, o que seria uma ação individual, o texto diz “proclamaram”, indicando uma ação coletiva. Paulo, Barnabé e João Marcos proclamaram o Evangelho de DEUS. A proclamação do Evangelho não é uma ação solitária, é uma ação coletiva. Fazemos isso como comunidade. Não é um indivíduo que prega o Evangelho, é a igreja. Devemos trabalhar juntos para que o Evangelho seja proclamado a todos. Quanto mais pessoas se envolverem na proclamação, mais pessoas ouvirão do Evangelho. Quantos mais pessoas se envolverem na proclamação do Evangelho, mais rápido o inferno será saqueado. O avivalista John Wesley varreu a Inglaterra com a proclamação do Evangelho. Deixou um legado para as futuras gerações, que é o movimento Metodista, que continua proclamando o Evangelho nos dias de hoje. Mas ele não fez isso sozinho, ele contou com a cooperação de outros homens de DEUS. Certa feita, ele disse: “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo”. Na tarde do dia 31 de janeiro de 1965, no Estádio do Maracanã, abarrotado de pessoas, foi realizada a Abertura oficial da Campanha Nacional de Evangelização, a maior campanha Batista de todos os tempos, com o tema: JESUS a Única Esperança, liderada pelo pastor Rubens Lopes. Duas mil igrejas, duzentos e cinquenta mil membros e presença em todo o território nacional, esses foram os alvos dos Batistas para o ano de 1965. Chegou o tempo de repetirmos tal façanha, porém, em solo gaúcho. Juntos, somente juntos, alcançaremos o Estado do Rio Grande do Sul para JESUS.

JUNTOS avançaremos na obra missionária. JUNTOS orando, JUNTOS enviando os missionários para os campos e JUNTOS proclamando o Evangelho. Encerro com as palavras que Calebe proferiu ao voltar da missão de reconhecimento: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!” (Nm 13.30b).

Pastor Olavo Vigil