Texto base: 1 Reis 19.1-18

“Querer vencer significa já ter percorrido metade do caminho”.
(Ignacy Jan Paderewski)

O que é depressão? É uma doença psiquiátrica crônica que tem como sintomas tristeza profunda, perda de interesse, ausência de ânimo e oscilações de humor. Muitas vezes é confundida com ansiedade e pode levar a pensamentos suicidas. Portanto, a depressão é uma patologia, não é um problema espiritual ou problema de pessoa mal resolvida. O Brasil é um dos países mais deprimido das Américas e está no topo do ranking de casos de depressão na América Latina, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Estima-se que 12 milhões de brasileiros, cerca de 5,8% da população do país, sofram com o problema —taxa acima da média global, que está em 4,4%1. Não sou um profissional da área da saúde, por isso não estou habilitado para discorrer sobre essa patologia. Meu objetivo é ministrar uma palavra pastoral sobre o tema.

Os sintomas da depressão na vida Elias:

Pânico (v.3). O transtorno do pânico é uma doença caracterizada pela crise de medo e ansiedade, que acontece de forma inesperada e inexplicável. Ele teve medo (fobia) de uma situação com um nível de adversidade bem menor do que a que tinha enfrentado antes. Elias havia desafiado os 850 profetas que serviam a Jezabel (cf. 1Rs 18.19), após orar, fazer fogo descer do céu e consumir o holocausto, ele tirou a vida dos profetas de Baal (cf. 1Rs 18.40), enfrentando um desafio bem maior. Agora, passa a sentir medo de enfrentar um problema menor. Do que você tem medo? Já não enfrentou problemas maiores do que este que enfrenta hoje?
Fuga da realidade (v.3). Elias fugiu, tomou “doril”, sumiu. Elias fugiu para não ter de enfrentar Jezabel. A fuga da realidade é um mecanismo de defesa a que muitas pessoas recorrem como uma forma de evitar o sofrimento. Há muitas formas de fugir da realidade, o uso de drogas, de álcool, de remédios sem prescrição médica e outros vícios. Do que você está fugindo?

Pensamento de morte (v.4). Elias era um homem consagrado a DEUS. Um profeta poderosamente usado por DEUS. Mas, que, devido a sua depressão, pediu para si a morte. A depressão é uma doença severa que pode resultar no suicídio. Semelhantemente a Elias, homens e mulheres de DEUS, também, são acometidos dessa doença, são vulneráveis às suas consequências. Infelizmente, é possível que um servo de DEUS, diante de uma crise depressiva ceifar a própria vida. As perguntas que muitos fazem é: Um crente pode cometer suicídio? O crente que comete suicídio perde sua salvação? Lamentavelmente, é possível sim, um crente acometido de depressão tirar a própria vida. Um crente que morre vitimado da depressão não perderá a salvação, porque ninguém é salvo por próprio mérito, a salvação é obra de DEUS (cf. Ef 2.8-9). Nada e ninguém separará o crente do amor de DEUS, nem a morte (cf. Rm 8.38-39).

Desânimo (v.4). A narrativa bíblica apresenta o profeta tomado por um forte e pesado desânimo. O desânimo é a ausência de entusiasmo, de coragem e falta de vontade. Uma pessoa desanimada geralmente não tem motivação para executar as tarefas diárias como trabalhar, estudar e cuidar de si mesma. Assim estava Elias, desanimado. Você se sente desanimado?

Cansaço (v.5). Um dos principais sintomas da depressão é o cansaço excessivo, falta de energia e fadiga. Cansaço para executar as mais simples tarefas. Alguns sofrem com insônia, no caso de Elias foi excesso de sono. Ele sentiu sono intenso. Certa vez, encontrei uma senhora que fazia mais de 30 dias que estava em cima de uma cama, acometida de depressão, quando a levamos para o hospital, ela apresentava problemas pulmonares gravíssimos, por permanecer muito tempo deitada.

Isolamento (v.9). Elias se enclausurou numa caverna, ele se isolou. Esse é um dos comportamentos nocivos e pode variar de acordo com o nível da depressão. Na depressão severa, o depressivo pode sofrer até mesmo de amnésia e ilusões, chegando ao isolamento total. A depressão faz o indivíduo se isolar, não querer ver e muito menos falar com outras pessoas.

Síndrome de perseguição (v.14). Elias afirmou estar sozinho, mas DEUS diz que há 7 mil pessoas que permaneceram firmes no caminho do SENHOR. Um dos fortes sintomas da depressão é pensar que todas as pessoas estão contra ela. Julgar que todas as pessoas estão erradas e somente ela está certa. Essa foi a postura de Elias: “Sou o único que sobrou”.

Com a ajuda de DEUS é possível vencer a depressão. Como vencer a depressão?

Abrir-se para ser tratado (v.11). A ordem de DEUS foi clara: Sai e fique no monte. Em outras palavras, sai da caverna. Precisamos nos abrir para sermos tratados por DEUS. DEUS poderia ter arrancado o profeta da caverna, mas o SENHOR apenas ordenou que ele saísse. Saia da sua caverna e deixe DEUS tratar a tua vida.

Propósito para viver (.15-17). Devido à depressão, Elias perdeu o propósito da sua vida. A consequência disso foi a estagnação e o isolamento. DEUS deu ao profeta um propósito para viver. Nosso propósito está atrelado à nossa missão de vida.

DEUS deu à Elias a missão de ungir três líderes:

1- Ungir Hazael como rei da Síria.
2- Ungir Ninsi, como rei de Israel.
3- Ungir Eliseu como profeta.

Em outras palavras DEUS disse para o profeta: Levante-se, não terminou, ainda há muito para ser feito. O mesmo DEUS diz para você: Levante-se! Ainda há muito para ser feito!

Pedir ajuda de pessoas (v.18). Elias não estava e nunca esteve sozinho, a depressão o cegou, não permitindo que ele percebesse as pessoas ao seu redor. O depressivo não consegue ver as pessoas interessadas nele, os amigos e familiares prontos para ajudá-lo. Há pessoas interessadas em você, peça ajuda. Você não conseguirá sair sozinho desse poço!

O grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia.
– Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela? Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro.
– Sou a Sra. Adams, disse-lhe, nestes últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana…
– Para as flores, lembrou o vigia. Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho. – Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então, quis vir até aqui para uma última visita e para lhe agradecer. O empregado teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza:
– Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores…
– Como assim? Perguntou a dama.
– É que… a senhora sabe… as flores duram tão pouco tempo…
– E afinal, aqui, ninguém as vê… – O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora Adams.
– Sei, sim, senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos.
– Lá, sim, é que as flores fazem muita falta… Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume. A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez um sinal ao chofer para que partissem. Meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro.
– Agora, eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável.
– O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e fazem com que eu me sinta feliz.
– Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei.
– É que reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças.

A senhora Adams descobrira o que quase todos não ignoramos, mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, ela conseguira auxiliar a si própria. Ela se abriu para ser tratada, aceitou a ajuda de outra pessoa e encontrou um propósito para viver.

Pastor Olavo Vigil