Texto base: Ester 4.14-17

“Acreditar é essencial, mas ter atitude é o que faz a diferença”. (Desconhecido)

Cerca de 15 milhões de judeus espalhados pelo Império Persa estavam condenados à morte devido ao decreto do rei Xerxes. O descendente de Agague e primeiro ministro do Império Persa, chamado Hamã, motivado por inveja e vingança, articulou a destruição do povo judeu (cf. Et 3).

Ester tem o desafio de salvar o seu povo da morte, mas diante do risco de morrer por se apresentar ao rei sem ser chamada, é tentada a recuar. Advertida por Mordecai, ela decide enfrentar o desafio. Contudo, Ester possuía muitos obstáculos para serem superados:

Era mulher. Ser uma mulher nos dias de Ester não era fácil. Ester não estava no palácio por sua própria vontade. Ela foi levada para o palácio por seu tio, em obediência ao decreto do rei Xerxes que ordenava que todas as moças virgens e bonitas fossem levadas para o seu harém, para que uma delas fosse escolhida para ser sua rainha (cf. Et 1.2-18). Para as normas da sociedade persa, ela era apenas propriedade do rei.

Era judia. Os judeus eram odiados pelos povos dominados pelo Império Persa. Entre os conselheiros, autoridades e assessores do rei Assuero estavam os inimigos dos judeus. Quem eram esses inimigos? – Os povos que foram subjugados por Israel quando eles tomaram posse da terra que DEUS lhes havia dado. Esses povos odiavam os judeus por causa da forte influência que eles exerciam no Império Persa. Entre eles estavam os amalequitas, inimigos ferrenhos de Israel.

Quando Mordecai deixou Ester no palácio, ordenou que ela não revelasse a ninguém que pertencia ao povo judeu (cf. Et 1.10). Mordecai sabia o quanto o ambiente era hostil para um judeu.

As leis do império. Ester devia falar pessoalmente com o rei, para interceder em favor do povo judeu, mas, por causa da lei persa, estava impedida de fazer isso. Ela poderia se apresentar diante do rei, se ele a chamasse. Se ela se apresentasse ao rei sem ser chamada por ele, a pena seria a morte. Se ela se apresentasse ao rei sem ser chamada, sua vida seria poupada somente se o monarca estendesse o seu cetro de ouro na direção dela. (cf. Et 4.10-11).

Para avançarmos na obra missionária, precisamos superar obstáculos:

O isolamento. Devido à quarentena pelo COVID-19, estamos isolados. Não podemos realizar as celebrações nos prédios das nossas igrejas com todo o seu potencial. Algumas igrejas ainda não conseguiram voltar à realização dos cultos nos seus prédios devido o decreto municipal.

A economia. Em virtude de a dificuldade em realizar os cultos nos seus prédios, a arrecadação de muitas igrejas caiu de 30% a 50%. Algumas igrejas foram obrigadas e encerrar o contrato de aluguel e devolver os seus prédios por falta de arrecadação.

A mobilização. Líderes encontraram muita dificuldade para mobilizar as suas igrejas. Uma cultura de medo se instalou no coração dos discípulos que não querem se envolver nas demandas da igreja. Não somente uma cultura de medo, também um “espírito de acomodação”; em outras palavras, “deixa assim como está”, vamos continuar com a rotina de encontros on-line.

Por causa do isolamento, da crise econômica e da dificuldade de mobilizar a igreja, líderes estão recuando ao invés de avançar na obra missionária. Precisamos entender que foi para um tempo como esse que DEUS levantou os líderes e suas igrejas. Não podemos deixar o COVID19 e a quarentena neutralizar o avanço da obra missionária. Bill Hybels disse, “A igreja é a esperança do mundo, e seu futuro está principalmente nas mãos de seus líderes” [1]. Se Ester não tomasse uma atitude, cerca de 15 milhões de judeus morreriam. Se não nos posicionarmos e tomarmos uma atitude de fé, cerca de 14 milhões de gaúchos permanecerão destinados ao tormento eterno.

Diante dos desafios, DEUS nos exige uma atitude de fé. Três atitudes de fé:

Orar (v.14-15). Ester pediu a Mordecai que mobilizasse o povo judeu para orar em favor dela durante três dias. A vida do povo judeu dependia da audiência de Ester com o rei, se ela conseguisse a audiência. O povo judeu não poderia ficar indiferente diante do apelo de Ester, porque a vida deles dependia do sucesso nessa audiência. Semelhantemente, o sucesso do povo batista depende do êxito daqueles que estão na linha de frente da obra missionária. Se aqueles que estão na linha de frente do trabalho missionário fracassarem, nós, também, fracassaremos. Devemos orar constantemente por aqueles que estão na linha de frente: os missionários, os pastores e os líderes convencionais. Nós podemos e devemos transformar a realidade espiritual do Rio grande do Sul por meio da oração.

Posicionar (v.16). Ester se posicionou diante de DEUS e dos homens. Ela não se calou. O líder e a sua igreja não podem ficar em cima do muro diante da crise mundial que estamos vivendo. É para momentos como esse que DEUS instituiu os líderes e as igrejas. Não podemos ficar inertes diante dos desafios que estão à nossa frente. É em meio as crises que os líderes e as suas igrejas se mostram relevantes. John C. Maxwell, disse: “A crise não é para ser administrada, a crise é para ser liderada”. Os dias de calmaria não nos exigem respostas. O professor Philip Kotler, disse: “Existem três tipos de pessoas: as que fazem acontecer, as que ficam vendo acontecer e as que perguntam: o que aconteceu?”. Que tipo de pessoa você é?

Em meio à crise não nos posicionamos por dois motivos:

Não queremos correr o risco. Quando nos posicionamos diante do desafio, corremos o risco de fracassarmos. Ester poderia fracassar diante da sua missão. O seu fracasso seria a sua morte, entretanto, mesmo assim correu o risco.

Não queremos nos comprometer. Quando nos posicionamos nos comprometemos com as pessoas e com a missão. Uma vez que nos comprometemos, não podemos voltar atrás, por isso, evitamos assumir o compromisso. Winston Churchill, foi um dos maiores estadistas da história da Inglaterra, assumiu a posição de 1º ministro em plena Segunda Guerra Mundial. Qualquer outro congressista em sã consciência teria declinado à indicação do cargo em tempo de guerra. Mas, entendendo que foi para um tempo como esse que DEUS o colocou na liderança do Reino Unido, não se acovardou. Enquanto os seus conselheiros costuravam uma aliança com os nazistas, por meio da mediação da Itália, ele se levantou e mobilizou os ingleses para lutarem contra a tirania de Hitler. Winston Churchill não ficou em cima do muro e muito menos se acomodou diante da iminente invasão alemã, ele se posicionou e lutou contra as hordas do mal. Diante da gigantesca crise em que estamos imersos, precisamos nos posicionar, devemos avançar na obra missionária.

Ofertar (v.16). Ester estava disposta a ofertar a sua própria vida para salvar o seu povo da artimanha de Hamã. O avanço da obra de DEUS exige sacrifício. Não estou falando de sacrifício para obter a vida eterna. O sacrifício de JESUS no madeiro maldito foi suficiente, não há necessidade que se faça sacrifícios para ser salvo da condenação eterna. Estou falando de sacrifício para a expansão da obra missionária. Desde o nascimento da igreja, homens e mulheres têm sacrificado a própria vida para a propagação do Evangelho. O diácono Estevão morreu apedrejado por causa da pregação do Evangelho, os apóstolos Paulo e Pedro foram punidos com a morte, em Roma, por causa da pregação do Evangelho. O William Tyndale traduziu o Novo Testamento para o inglês, permitindo que muitos camponeses e pessoas simples pudessem lê-lo. Foi considerado um herege, por traduzir o Novo Testamento para o inglês, e, por causa disso, foi queimado vivo. Graças a DEUS, não corremos risco de vida ao pregar o Evangelho no Rio Grande Sul. O único sacrifício que nos é exigido, é que nos esforcemos ao máximo para levantarmos a oferta missionária. Se realmente desejamos mudar o cenário do Rio Grande Sul, devemos fazer todo o esforço necessário, mesmo em meio à pandemia, para levantarmos a oferta missionária.

DEUS exige de nós uma atitude de fé. Devemos orar; nos posicionar e ofertar. Se o nosso General, JESUS CRISTO, voltar hoje nos encontrará sentados e acomodados, esperando a pandemia passar?

Pastor Olavo Vigil
[1] HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida, 2002, p26.