Texto base: Daniel 1
“Seja protagonista da sua vida e não plateia da vida dos outros”. (Desconhecido)
O mundo é cheio de pessoas de todo o tipo. Muitas pessoas são protagonistas da própria vida, enquanto outras, infelizmente, sempre se comportam como vítimas. Aquelas que se sentem vítimas nunca se responsabilizam por seus fracassos. Ora responsabilizam os outros ora as circunstâncias pelo insucesso delas. Preferem o caminho da autocomiseração e sustentam uma postura sofredora como se carregassem o peso do mundo nas costas. Para elas, os outros ou as circunstâncias sempre serão os culpados pelo fracasso que bate à porta no casamento, na família, nos negócios ou no ministério. É certo que cada um é o responsável pela própria vida. Então, pare de ser vítima e seja protagonista da sua vida como Daniel bem nos ensina.
Daniel, apesar das tragédias sofridas, não se comportou como vítima, mas foi protagonista de sua história, ensinando por meio do exemplo, a sermos, nós, também, protagonistas da nossa vida. Daniel foi deportado em 605 a.C., no quarto ano do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, no primeiro grupo levado para o cativeiro na Babilônia. O rei Jeoaquim confiou que o rei do Egito faria guerra contra a Babilônia, então, parou de pagar os tributos. Entretanto, o rei do Egito não foi para o combate contra os persas e Nabucodonosor invadiu Judá, matou o rei Jeoaquim e entronizou Joaquim, antes chamado de Jeconias, filho do rei assassinado, como rei vassalo. Segundo o historiador Flávio Josefo, foram levados cativos dez mil e oitocentos e trinta e dois judeus, entre eles, jovens e profissionais do mais alto gabarito. Dentre eles, estava Daniel que chegou a servir a seis governadores babilônios e três persas. Durante os governos de Nabucodonosor, Belsazar e Dario I ele foi o primeiro ministro, contudo, a história dele foi de perdas significativas:
Perdeu a família (v.3). Arrancaram Daniel à força do seio de sua família, e é bem possível que ela tenha sido assassinada. Descendente da família real ou da alta nobreza, tendo nascido em Jerusalém, em 623 a.C.,aproximadamente durante o reinado de Josias e no início do ministério profético de Jeremias, sua condição de nobreza não evitou que ele perdesse a família.
Perdeu a nacionalidade (v.4). Durante três anos ele foi instruído no aramaico. O hebraico deixou de ser a sua língua, apagaram sua pátria e cultura ou, pelo menos, tentaram apagar. Ele foi transformado num escravo do rei da Babilônia, deixando de ser judeu.
Perdeu a identidade (v.7). Seu nome foi trocado de Daniel, que significa “DEUS é meu Juiz”, para “Beltessazar” que significa “Príncipe de Bel”.
Perdeu a religião. Os tesouros da Casa de DEUS foram roubados. Os vasos e os jarros sagrados do templo passaram a ser usados em orgias na Babilônia. O templo foi incendiado.Ele ficou semo altar, sem a Torá, semos sacerdotes e sem os rituais do culto judaico.
Apesar de tudo que sofreu, Daniel não se posicionou como vítima, mas se tornou protagonista da sua história. Daniel nos ensina sobre quatro atitudes de um protagonista:
Supere o seu passado (v.2, 6). Daniel não ficou na Babilônia por vontade própria. Daniel foi levado para a Babilônia à força. Ele nada fez de errado para estar preso na Babilônia. Contudo, não encontramos nenhuma queixa de Daniel sobre isso. Ele não reclama dizendo que a culpa não foi dele, mas do rei Jeoaquim que se rebelou contra Nabucodonosor. Ele não se levanta contra DEUS, dizendo que nunca adorou falsos deuses e nem corrompeu o direito do pobre. Não sabemos nada acerca do passado de Daniel. Não sabemos quem eram os seus pais e qual foi a profissão deles. Não sabemos como foi a sua infância. Daniel rompeu com o passado para viver o futuro. Há pessoas que não conseguem viver nem o presente e nem o futuro porque estão presas no passado. Estão presas nos traumas, nas injustiças sofridas e nos ferimentos do passado. Enquanto estiverem presas aos traumas do passado, se comportando como vítimas, elas nunca conseguirão ser protagonistas da própria vida porque elas não aprenderam que “JESUS cura o nosso passado para fazer parte do nosso presente”.
Exerça a sua fé (v.8-9). Muitos interpretam o versículo 8, afirmando que Daniel não comeu do mesmo alimento de Nabucodonosor porque as iguarias oferecidas no banquete eram consagradas aos deuses pagãos. Com certeza, a pecuária e a agricultura da Babilônia eram consagradas aos deuses pagãos. Os cultos em busca de fertilidade paras os animais e para as plantações eram realizados com pessoas embriagadas e em orgias sexuais. Nesse contexto, Daniel pediu permissão para se alimentar somente de vegetais, e que fosse experimentado nessa dieta por dez dias. Caso os jovens que se alimentassem de vegetais não estivessem em condições mais saudáveis do que aqueles que se alimentavam da mesa do rei, poderiam fazer com Daniel e os seus companheiros o que achassem melhor. Surpreendentemente, dez dias depois, Daniel e seus amigos estavam mais saudáveis e mais fortes que todos os demais. Dois possíveis motivos fizeram Daniel tomar a decisão de não comer da mesma comida do rei: 1- As carnes eram impróprias para o consumo de judeus pela proibição legal, como é o caso do porco, e 2- Comer à mesa do rei significava ter intimidade e concordância com ele. Daniel exerceu a sua fé quando desafiou Aspenaz, chefe dos oficiais, a deixá-lo se alimentar somente de vegetais por dez dias. Os demais não tiveram a mesma fé de Daniel, não ousaram desafiar o chefe dos oficiais. Por isso, DEUS abençoou Daniel de tal maneira que dez dias depois ele e os amigos estavam mais saudáveis e mais fortes do que os outros. De que adianta afirmarmos que temos fé se no dia da luta nos acovardamos e recuamos? É nos desafios experimentados que exercitamos a nossa fé. Não seja vítima das circunstâncias, exerça a sua fé e seja protagonista da sua história, é o que nos ensina Daniel.
Influencie ao invés de ser influenciado (v.19). Daniel foi deportado para a Babilônia para ser mais um escravo. Daniel foi batizado com outro nome, passou a falar outro idioma e foi treinado durante três anos para servir na corte real. Eles mergulharam Daniel numa cultura pagã, mas não conseguiram influenciá-lo. Na corte de Nabucodonosor havia astrólogos, encantadores, magos e feiticeiros, mas a influência de Daniel não só suprimiu os conselhos desses supostos sábios como também serviu para poupá-los da morte iminente. Apesar de a Babilônia mudar o nome dele e o seu idioma, ela não conseguiu influenciá-lo, mas ele influenciou grandemente a Babilônia, a ponto de serem publicados decretos em honra ao SENHOR. A palavra de Daniel exerceu mais influência sobre os reis da Babilônia do que os próprios pagãos. Daniel ao invés de se comportar como vítima, se posicionou como um agente influenciador num mundo pagão. Há pessoas que se queixam da família, do ambiente de trabalho e da cidade em que vivem, mas não fazem nada para promover mudanças de valor. Lamentavelmente, elas estão se moldando ao mundo ao invés de transformá-lo. O recado de Daniel é claro: Não se comportem como vítimas, mas influenciem as pessoas ao seu redor (Rm 12.2)
Prevaleça em tempos difíceis (v.21). Daniel ficou no palácio real até o ano em que o rei Ciro começou a governar a Babilônia. Ele sempre foi respeitado, por diferentes governantes, por sua sabedoria. Não existem registros da data e circunstância de sua morte. Possivelmente, tenha morrido em Susã, com oitenta e cinco anos, onde existe uma provável tumba onde estaria seu corpo, num lugar conhecido como ‘Shush-Daniel’. Daniel atravessou dias difíceis durante o reinado de quatro poderosos reis e conquistadores, de três nacionalidades e dinastias diferentes. Eles subiram ao trono e o deixaram. Reis foram levantados e caíram. Mas Daniel permaneceu. A Babilônia caiu, mas Daniel permaneceu em pé. Daniel foi maior que a Babilônia. Ele sobreviveu a vários atentados contra a sua vida: Ameaça de morte, caso não interpretasse um sonho (2), e foi jogado na cova de leões famintos para que fosse devorado (6). Da mesma forma, os amigos de Daniel foram salvos de dentro da fornalha ardente (3). Tudo e todos caíram, menos Daniel. A sociedade clama por homens e mulheres de DEUS, que assim como Daniel, prevaleçam em tempos difíceis. Daniel não foi vítima e muito menos figurante durante os impérios que se sucediam, ele foi protagonista da própria história. Em DEUS, somente em DEUS é possível permanecer em pé diante das mais severas adversidades. Daniel se manteve prostrado diante de DEUS e de pé diante dos homens. Certa vez, alguém disse: “Quem fica de joelhos diante de Deus, permanece de pé diante de qualquer circunstância”.
Seja protagonista da sua história. A questão não é o que aconteceu, mas o que fará com o que aconteceu na sua vida. Tome uma decisão: ser vítima ou ser protagonista? Daniel foi protagonista da própria história porque fez de DEUS o centro da vida dele. Somente com JESUS você será protagonista da tua vida.
Pastor Olavo Vigil
