Texto base: Tiago 2.8-11

Lei real; a lei verdadeira; a lei pura, a lei que une DEUS ao homem e o homem a DEUS. A lei que não é feita pelo homem”. (Desconhecido)

CRISTO é a lei de DEUS que todos os homens devem seguir”. (Desconhecido)

Começo respondendo a duas perguntas: Primeiro, qual lei? O amor é a lei de DEUS. O mandamento do amor é a lei, porque abarca todos os demais mandamentos que nos foram dados. Ela é o ponto principal para a qual convergem todos os mandamentos de DEUS1 (cf. Mt 22.35-40). O Antigo Testamento e o Novo Testamento fundamentam-se numa única lei, o amor. Segunda, qual Reino? Na tradução da Bíblia Almeida Revista e Atualizada está escrito: “observais a lei régia”. Régia é uma expressão romana encontrada apenas na carta de Tiago2. No período da monarquia romana significava uma Lei promulgada pela autoridade absoluta do rei3. Quanto a Reino, refere-se ao governo ou monarquia. JESUS é o REI absoluto e a lei do REINO é o amor.

Portanto, agimos corretamente quando aplicamos a lei do REINO. Então, como aplicar a lei do REINO?

Amando os perdidos (v.8). O enfoque são as pessoas que estavam sendo atraídas para a igreja por causa do EVANGELHO. Ao lermos o texto, pensamos que o próximo é aquele que está dentro da igreja ou nossos parentes. Devemos admitir que para amar as pessoas da igreja ou os nossos parentes não há necessidade de muito esforço, pelo menos, aparentemente. Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), JESUS respondeu a pergunta feita por um perito da Lei: “Quem é o meu próximo?” No enredo da parábola, um desconhecido é abandonado na estrada após ser assaltado e espancado. O levita e o sacerdote cruzaram pelo homem desconhecido e não prestaram socorro. Um samaritano, entretanto, ao se deparar com o homem caído imediatamente prestou socorro. JESUS encerrou a Parábola com a seguinte pergunta: “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”. O perito da lei respondeu: “- O samaritano”. A questão não é quem é o meu próximo, mas para quem eu posso ser para o meu próximo? Devemos ser o resgate daquele que está caído no pecado e distante de DEUS. Amar o próximo é uma ordem. É o imperativo da vida cristã. Não é uma sugestão. É a ordem de DEUS que permeia toda a Bíblia. Amar o próximo não é um sentimento, é ação intencional em favor do outro. Em João 3.16, diz que DEUS amou ao mundo de tal forma que deu o Seu único FILHO. O amor de DEUS é demonstrado pela ação de entregar o próprio FILHO para morrer no lugar dos pecadores. DEUS amou tanto que “deu”. Muito mais que um sentimento ou um arrazoado, o amor é ação. Demonstramos amor ao próximo, evangelizando os perdidos, contribuindo com ofertas missionárias e plantando igrejas.

Tratando as pessoas com igualdade (v.9). Dois motivos pelos quais devemos tratar as pessoas com igualdade:

Primeiro, somos pecadores. Diante de DEUS somos todos iguais. O que nos nivela diante de DEUS é a nossa condição de pecador porque o pecado é uma condição universal. Todos somos pecadores e por causa do pecado estamos afastados de DEUS (cf. Rm 3.23). Embora, sejamos lavados e santificados pelo sangue do SENHOR JESUS, isso não nos torna melhores ou superiores aos outros. Não somos salvos pelos nossos méritos, mas unicamente pela graça de DEUS.

Segundo, JESUS tratou as pessoas com igualdade. JESUS teve um público diverso e atendeu a todos da mesma maneira. Conversou pacientemente com um mestre da lei chamado Nicodemos, um homem culto e respeitado entre os judeus (cf. Jo 3.1-21). Conversou atenciosamente com uma mulher adúltera e discriminada pelos judeus por ser samaritana e por ter sido casada cinco vezes (cf. Jo 4.1-26). Convidou um jovem rico para segui-LO (cf. Lc 18.18-30). Atendeu um pedinte cego, ouviu a petição e restaurou a visão dele. (cf. Lc 18.35-43). JESUS recebeu com dignidade prostitutas, publicanos, fariseus, romanos e crianças. Durante o Seu ministério terreno, o SENHOR JESUS atendeu a todos sem discriminá-los, independente de sua posição social, idade ou nacionalidade. Imagine o jogo de Xadrez. As peças brancas realizam o primeiro movimento. Ao término do jogo, não importa quem seja o vencedor ou o perdedor, todas as peças vão para dentro da mesma caixa. Independentemente da posição social, todos voltaremos para o pó da terra (cf. Ec 12.7). Iremos comparecer diante do JUSTO JUIZ, nem dinheiro e nem pobreza poderão nos livrar da condenação eterna, somente a fé em JESUS.

Esforçando-se para fazer toda a vontade de DEUS (v.11). Devemos cumprir toda a vontade de DEUS. O contexto do versículo é que os leitores da carta, possivelmente, se esmeravam em cumprir os mandamentos de DEUS, mas tratavam as pessoas com desigualdade. Os ricos recebiam um tratamento honroso enquanto o pobre era desprezado. Tal comportamento é semelhante a quebra de qualquer outra lei de DEUS. No Evangelho de Mateus, JESUS condena tal comportamento (Mt 23.23). Os fariseus se orgulhavam do ato de consagrarem a DEUS os seus dízimos, mas negavam a misericórdia e a justiça para o necessitado. Durante o meu pouco tempo de ministério, conheci pessoas que se orgulhavam de serem dizimistas fiéis, mas não se prontificavam em ajudar nos trabalhos da igreja, apenas davam o dízimo. Orgulhavam-se de serem dizimistas fiéis, mas viviam em desavenças com familiares e com irmãos em CRISTO. Com JESUS é tudo ou nada. Humanamente, é impossível viver as exigências da vida cristã. A vida cristã somente pode ser vivida no poder do ESPÍRITO SANTO.

O verdadeiro amor nos leva a agir corretamente. Aplicamos a Lei do Reino por meio das nossas atitudes.

Pastor Olavo Vigil

Referências

1 GRUNZWEIG, Fritz; HOLMER, Uwe & BOOR, Werner de. Cartas de Tiago, Pedro, João e Judas. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 2008, p58.

2 CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Volume 6: Tiago, 1 Pedro, 2 Pedro, 1 João, 2 João, 3 João, Judas, Apocalipse. São Paulo: Hagnos, 2002, p38.

3 Ibidem p39.