Texto base: Atos 16.6-15

Introdução:

Paulo está em sua segunda viagem missionária, levando consigo a Timóteo, Silas e Lucas, o autor do texto bíblico.

O início do texto bíblico fala da intenção de Paulo e sua equipe de irem para a Ásia e da ação do Espírito para impedi-los e redirecionar seus esforços para outra localização geográfica.

Por quaisquer meios que essa orientação lhes tenha sido dada, lhe pareceu perfeitamente clara, e Paulo submeteu-se à Sua vontade, confiando na providência divina quanto aos seus planos. Porque a Missão é de Deus e dele viriam as diretrizes para o processo pelo qual o Evangelho passaria.

Deus é o poder que transforma! Vejamos 3 ações de Deus nessa transformação:

1. Comissionamento (v.12)

Deus os levou para Filipos – Deus é quem chama e quem envia.

Filipos era uma colônia romana, principal cidade daquele distrito. A cidade de Filipos derivou seu nome de Felipe II da Macedônia, pai de Alexandre o Grande. Foi dali que em 334 a.C. Alexandre iniciou suas conquistas mundiais. Mais tarde, Otávio, o Imperador, fez dessa cidade uma colônia romana. As colônias romanas eram pequenas réplicas da própria cidade de Roma e, estrategicamente, um número regular de cidadãos romanos emigrava para uma cidade qualquer com o intuito de assegurar a sua romanização. Era considerado uma grande honra, para uma cidade, haver sido constituída colônia romana.1

Situada entre o Oriente e o Ocidente, Filipos era a ponte de conexão entre os dois continentes, uma espécie de encruzilhada do mundo. Em toda a Europa não existia lugar mais estratégico. Há ali uma cadeia montanhosa que divide o Oriente do Ocidente. Assim, Filipos domina a rota de Ásia a Europa. Alcançar Filipos era abrir caminhos para a evangelização de outras nações.2

A sociedade romana dividiu o mundo em duas grandes classes: os estrangeiros e os cidadãos. Uma colônia era habitada por cidadãos. A ideia geral diretiva em uma colônia era que, para seus habitantes, Roma transferia a sua cidadania e os seus direitos… Na qualidade de colônia, Filipos desfrutaria de três direitos a saber: governo próprio, isenção dos impostos imperiais e direitos iguais aos dos cidadãos italianos.3

O comissionamento de Deus nos leva à:

1.1 – Contextualização cultural (v.12)

Paul Hibert, em seu livro “O Evangelho e a diversidade das culturas” examinando a tensão dinâmica entre o Evangelho e as culturas humanas, afirma: “… o Evangelho deve ser separado de todas as culturas humanas. Ele é a revelação divina, não especulação humana. Uma vez que não pertence a nenhuma cultura, o Evangelho pode ser expresso adequadamente a todas elas.”4 O Evangelho precisa ser entendido pelas pessoas dentro das suas próprias culturas.5

Para que haja esse entendimento é necessário o estabelecimento de elos e isso leva tempo;

O texto diz que eles ficaram ali “Vários dias”, Paulo entendeu a necessidade de conhecer o lugar, interagir com a cultura, porque o que promove a transformação, de todas as culturas, é o Evangelho. Essa interação com a cultura promove conhecimento para saber não só o quê fazer mas como fazer:

O Comissionamento, além da contextualização cultural, leva à:

1.2 – Estratégias bem definidas (v. 13)

À partir do conhecimento a respeito do que regia a cultura local de grupos específicos… eles sabiam o que estavam fazendo. O sábado era o dia dedicado ao Senhor pelos judeus; As margens dos rios eram tradicionalmente usadas como lugares de oração e adoração porque os locais facilitavam seus ritos de purificação. E Paulo conhecia bem todos aqueles costumes. Porque Filipos era um posto militar, dificilmente haveria ali uma sinagoga. Caso houvesse era pra lá que ele iria. Paulo estava bem informado sobre as atividades das pessoas as quais foi compelido a falar;

O comissionamento leva à contextualização cultural, estratégias bem definidas e …

1.3 – Ações bem direcionadas:

A ausência de figuras masculinas nos mostra que não havia uma sinagoga formal naquele lugar. Ele encontrou ali: mulheres. Há indícios de que essas mulheres fossem gentias e que tenham aderido ao judaísmo. Portanto, conhecendo os costumes e a forma de se vestir dos judeus, reconheceriam figuras amistosas em Paulo, Timóteo, Lucas.

Paulo, como rabino judeu, jamais conversaria com uma mulher em público. E também não era permitido a uma mulher aprender aos pés de um mestre, era direito apenas dos homens.

O ato de assentarem-se para falar com aquelas mulheres, a despeito dos costumes e cultura, apresenta a superioridade do Evangelho que não faz distinção de importância, mas atribui às pessoas valor e dignidade, e eleva-as a um patamar de honra no seu reino, porque de estrangeiros tornam-se filhos da maior autoridade que há na terra e acima dela, cidadãos dos céus.

Paulo falava grego e hebraico, era um profundo conhecedor da Lei, foi aluno de Gamaliel – um estimado mestre e líder religioso, tendo-o citado mais tarde para em sua defesa na prisão em Jerusalém, para estabelecer credibilidade com seus interlocutores.

Deus é o poder que transforma as pessoas e as comissiona. E não, não é um versículo bíblico o jargão “Deus não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos.”!

A frase é de Albert Einstein, e esse trecho é a primeira parte da fala. E, normalmente é desculpa para preguiçosos e acomodados: Ouça fala completa: “Deus não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança.”

Todo o conhecimento, as habilidades, a excelência com a qual desenvolvia e empregava os seus dons na sua missão, tornou Paulo o grande instrumento pelo qual toda a Europa foi alcançada a partir de Filipos. O que você tem para oferecer a Deus? Quais os seus talentos, quais as suas habilidades, recursos, profissão, o que você pode assim como Paulo colocar à disposição da obra missionária? Quanto mais preparado você estiver maiores chances terá de fazer parte da grande obra que Deus está realizando no mundo.

2. Mensagem (v. 14)

Lídia, natural de Tiatira, uma mulher de negócios bem-sucedida. A púrpura era um corante famoso e importante de sua região. É possível que vendesse também tecidos e sedas tingidos com esse corante. Os indícios textuais apontam-na como uma mulher solteira ou viúva; que se esforçava para cumprir suas obrigações religiosas judaicas ainda que não tivessem uma sinagoga/igreja que a encorajasse em suas práticas; e que liderava sua família; era alguém empreendedora com uma vida organizada e devota. Provavelmente, o judaísmo oferecia-lhe princípios espirituais e éticos muito mais elevados que o paganismo. Ela estava em busca da verdade!

No entanto, o Evangelho é superior a qualquer religião. A palavra de Deus deu início a tudo, transformou o caus em uma obra maravilhosa; mediante a sua palavra nada resiste, porque traz consigo o poder de quem a proferiu: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração.” Hebreus 4.12

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” 2 Timóteo 3.16

Lídia estava ouvindo a Palavra de Deus, e o texto diz que o mesmo Senhor que proferiu a Palavra lhe abriu o coração para atender à mensagem de Paulo. Lídia buscava pela verdade e a encontrou na Palavra de Deus. De forma poética, A Palavra sendo inspirada pode-se dizer que sempre que lida é como se o próprio Deus respirasse um pouco de si para dentro de nós.

Foi o que aconteceu com uma menina indiana chamada Pandita Ramabai, mas antes disso… Aos 12 anos de idade, em 1867, tinha memorizado 18.000 versos em sânscrito. Seu pai, sacerdote brâmane e guru viajante, ao contrário do que acontecia no hinduísmo naquela época, acreditava que as mulheres deveriam estudar. Quando os pais de Pandita morreram de fome, ela e seu irmão continuaram a vagar, fazendo uma peregrinação religiosa de 6.400 km pela Índia à procura da verdade. Enquanto morava em Calcutá, conheceu o Cristianismo, e daí em diante começou a compará-lo continuamente com as escrituras hindus. Devido à sua reconhecida inteligência, era convidada a dar aulas à mulheres de castas elevadas a respeito de suas obrigações. As escrituras hindus definiam a classe das mulheres como seres piores que os demônios e sua única esperança de liberação de seu karma e seus resultados era o culto aos seus maridos. O marido é considerado o deus da mulher, para ela não há outro deus além dele. Pandita decidiu ajudar a elevar os padrões de vida das mulheres e crianças da Índia. Em 1880 havia 23 milhões de viúvas naquele país, 51 mil com menos de 10 anos de idade, 10 mil com menos de 4;

Em 1883, visitou a Inglaterra e percebeu através da igreja Anglicana a diferença entre o tratamento dispensado às mulheres pelo cristianismo e pelo hinduísmo. Em 1891 converteu-se completamente e fundou uma missão chamada Mukti que significa salvação. A missão incluía cuidado com bebês rejeitados, treinamentos para cegos e conforto para mutilados. Criou um lar para mães solteiras. Organizou bazares para que as mulheres pudessem vender seus trabalhos manuais. Hortas e jardim à volta da missão forneciam alimento para centenas de pessoas; Durante a fome que abateu a Índia em 1896, viajou por todo o país, recolhendo pelo menos 600 viúvas e crianças para a missão, onde aconteceu um grande avivamento, com a conversão de centenas de moças, batizadas num rio que passava ali perto.

Durante seus últimos 15 anos de vida, traduziu a bíblia inteira para a língua mahrati – a única tradução feita totalmente por uma mulher em todo o mundo. Em seu leito de morte, pediu a Deus que a poupasse, até que fizesse a revisão final de seu trabalho. Ele atendeu o pedido, e, em 1922, no 10° dia, depois de terminar a revisão da última página, encerrou sua busca e a encontrou de forma plena nos braços do seu Senhor.6

Não são ritos, mantras, correntes que trarão as respostas às necessidades das pessoas. Mas a mensagem prática do Evangelho.1 João 3.18 nos chama a atenção para que não amemos apenas com palavras, mas com ações verdadeiras. A mensagem transformou Lídia, Mandita e pode transformar você e a vida das pessoas à sua volta;

3. Resultados (v. 15)

Oswald Smith em seu livro “O homem que Deus usa” afirma que “o Homem que Deus usa é um homem de fé, que espera resultados.”

Lídia provavelmente conhecia muito bem a Shema, a declaração de fé dos judeus. O primeiro parágrafo desse conjunto de preceitos está em Deuteronômio 6.4-9 que diz:

Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas essas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas da sua casa e em seus portões.”

Se sem conhecer a verdade ela já era devota, imagina agora a chama ardendo em seu coração por compartilhar essa verdade com os seus. Lídia alcançou todos os seus, e ainda que vivesse rodeada de ideologias da sua época, ela teve coragem de se posicionar porque não há como permanecer no mesmo estado quando o Senhor passa a habitar na vida de alguém, Ele é o poder que transforma. O seu campo missionário começa na sua casa.

Estamos num contexto em que muitos equívocos serão contados às mulheres em prol do seu empoderamento fictício e afrontador. E um desses equívocos é que a mulher pode ser o que ela quiser.

Deus formou a mulher com propósitos bem definidos que juntamente com o homem o honrem e o glorifiquem. Às mulheres é concedido o privilégio de formar uma sociedade mais justa com a educação dos filhos, mas uma educação baseada na verdade que liberta de qualquer equívoco espiritual, cultural, ideológico. Deus participou da formação dos seus filhos Como bem mencionou Davi no Salmo 139. E com a chegada do bebê você dá continuidade ao relacionamento que já foi estabelecido nos céus, seus filhos vieram de Deus e você tem o privilégio de instruí-lo na verdade, porque como a Bíblia afirma: se você instruí-lo no caminho da verdade quando for velho não se desviará dele! Você tem que crer nos resultados!

Durante 15 anos eu trabalhei como educadora de crianças. E lembro-me de uma ocasião em que ensinava sobre a importância de contribuirmos financeiramente para Missões. Finalizando o período do projeto, uma menina de aproximadamente 8/9 anos me procurou dizendo que queria dar uma quantia em dinheiro para missões, e quando ele me mostrou a quantia e a questionei se ela sabia quanto ela estava ofertando e seus pais sabiam e ela disse que sim e que ela estava obedecendo o que tinha aprendido. Eram 20,00, toda a sua mesada, tudo o que ela tinha. Precisamos crer nos resultados. Em outra oportunidade, uma mulher, bancária, muito bem remunerada, converteu-se e passou a investir consideravelmente nos projetos da igreja. Um dia eu a chamei para conversar e dizer-lhe que ela não era obrigada a ofertar tanto, ela deveria fazer se sentisse vontade, se achasse adequado, não queria que parecesse que a estávamos explorando… ela me disse: você me ensinou biblicamente que tudo o que eu tenho vem de Deus, então eu quero dar-lhe muito mais do que simplesmente cumprir com a minha responsabilidade de membro desta igreja. Eu quero dar mais. Quando ensinamos precisamos crer nos resultados.

A impala, um antílope africano de tamanho médio, muito parecido com a gazela, tem capacidade de saltar acima de três metros e uma distância de quase dez metros. Apesar desta capacidade impressionante ela pode permanecer fechada em um ambiente com uma parede de apenas um metro de altura. Ela não saltará se não puder ver onde cairá. Até quando vamos nos autopreservar de dar saltos de fé, presos à duvidas, medo, porque não temos a mínima ideia de onde isso nos levará? Temos que crer nos resultados de uma fé em Deus que diz a verdade quando aponta o caminho sem que eu precise comprová-lo antes.

Analzira Nascimento, conhecida como a enfermeira que ficou. Como Missionária da Junta de Missões Mundiais, trabalhou por quase 20 anos em Angola, um país africano que viveu 30 anos em guerra. Sobre sua vida ouvi uma declaração de um pastor autóctone:

Os atos falam mais que as palavras. Nos momentos mais difíceis, ela esteve lá, quando todos saíram, quando a ONU se retirou, ela ficou. No meio do sofrimento, da fome, ajudando as crianças, mulheres, homens, essa foi a marca de identificação, de aceitação total. Ela não estava à margem da sociedade, ela é uma de nós.Hoje existem muitas Analziras em Huambo, cidade onde se estabeleceu, o que é extremamente importante, porque só se dá um nome de alguém quando esse pessoa realmente merece, porque quebra uma tradição familiar.”

Muitas pessoas, principalmente mulheres solteiras estão fazendo trabalho social, missionário, educadores, profissionais. O que era muito difícil anos atrás, mas porque teve alguém que serviu de exemplo. Durante os últimos 55 dias da guerra ela viveu nas matas juntamente com o povo que havia sido acuado e ainda encontrou forças para encorajá-los.

Deixou um seminário Teológico, centros médicos, uma lanchonete, uma cooperativa profissional para mutilados de guerra. Ela trabalhou não só dentro de Angola, mas em vários outros lugares, inclusive recebendo passagens gratuitas da ONU como sua representante.

Segundo Analzira, “O mais importante não é o lugar, o mais importante é estar com Cristo”!

Porque Deus é o poder que transforma! E por isso nós podemos crer nos resultados!

O final do versículo 15 diz:“Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa”. E nos convenceu. A casa de Lídia em Filipos foi a porta de entrada do evangelho na Europa.

Conclusão:

Viva o poder de transformar! Deus é o poder que transforma! Pela forma como comissiona, profere a mensagem e promove os resultados.

Pelotas, assim como Filipos, também é um local estratégico, de importância considerável na sociedade; é reconhecida nacionalmente como patrimônio histórico material e imaterial. É uma das maiores cidades do nosso estado, recebe pessoas de muitos lugares por causa das suas renomadas universidades;

A PIB de Pelotas, nos seus 97 anos, foi a porta de entrada para o Evangelho na região sul do nosso estado! Muitas pessoas tiveram suas vidas transformadas porque esta igreja entendeu e atendeu o chamado de Deus para alcançar e devolver a dignidade às pessoas! Desde seu início, investiu na obra missionária e plantou várias igrejas.

Continuemos avançando! Há muito mais a ser conquistado! Há muitas pessoas em busca da verdade! Há muitas refeições para serem distribuídas! Há muitas crianças para serem ensinadas! Há muitas famílias para serem resgatadas! Há uma história para continuar sendo escrita. E a respeito desta Igreja, a PIB de Pelotas, quero parafrasear o apóstolo Paulo, em sua carta para os Filipenses 1.3-6:

Agradeço a meu Deus toda vez que me lembro de vocês.
Em todas as minhas orações em favor de vocês, sempre oro com alegria
por causa da cooperação que vocês têm dado ao evangelho, desde o primeiro dia até agora. Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.

Juliana Vigil

Referências

1 CHAMPLIN. ONTIVV, vol. 3, pg. 334.

2 LOPES. Atos, pg. 299.

3 CHAMPLIN.

4 HIBERT. O Evangelho e a diversidade das Culturas. Pg. 53

5 IBID, pg. 55

6 LUTZ. Mulheres que se arriscam por amor a Deus. Pg. 39-41