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Retorno parcial dos cultos


Neste domingo, 03 de maio, vamos reiniciar parcialmente os serviços no prédio da igreja.

Realizaremos 4 cultos:

  • 9h às 10h
  • 11h às 12h
  • 17h às 18h
  • 19h às 20h

Para a segurança de todos, vamos seguir à risca o Decreto da Prefeitura de Pelotas e o Protocolo de Prevenção do Ministério da Saúde:

Reuniremos o máximo de 15 pessoas por culto;
Será permitido o ingresso e permanência nas dependências da igreja somente com o uso de máscaras;
Todas as pessoas deverão fazer uso do antisséptico que será fornecido no rol de entrada do prédio da igreja;
Manter a distância de 2 metros entre os participantes do culto, evitar aperto de mão e abraços;
Pessoas que pertencem ao grupo de risco: idosos, portadores de doenças crônicas, gestantes e crianças de 0 a 6 anos não deverão participar dos cultos no prédio da igreja.

Sobre o culto:

1 –  Terá a duração de 1h;
2 –  Não teremos culto infantil;
3 –  Não teremos Escola Bíblica (ainda continuará on-line);
4 –  Os interessados deverão informar previamente o horário do culto que participarão para que façamos a distribuição rigorosa do número de pessoas permitido;
5 –  É obrigatório que todos os interessados confirmem a presença e o horário do culto que desejam participar através do Whats App 53-999409893.

Gostaríamos de receber a todas as pessoas, de todas as faixas-etárias, para cultuarmos a DEUS em unidade como o fazemos há 96 anos. No entanto, provisoriamente, tomaremos todas as medidas necessárias para que em breve possamos voltar às grandes celebrações juntos.

Sejam bem-vindos! Que DEUS nos abençoe!

Editorial especial do mês da EBD

A Escola Bíblica Dominical na vida dos batistas: A Primeira Igreja Batista de Pelotas na tessitura dessa drama

Estamos no mês de abril, o mês da EBD, sigla de Escola Bíblica Dominical. Neste ano, a EBD completa 240 anos de surgimento no mundo cristão. A escola dominical teve início com Robert Raikes, jornalista cristão que, sensível às necessidades das crianças pobres de Gloucester, cidade no interior da Inglaterra, percebeu que era necessário fazer alguma coisa para a formação educacional secular e bíblica. Como muitas daquelas crianças trabalhavam durante toda a semana e não tinham oportunidade de frequentar a escola, ele criou uma classe de alfabetização e de ensino bíblico, que passou a funcionar aos domingos. Isso aconteceu em 1780 e assim estava criada o projeto do que seria denominado, posteriormente, Escola Bíblica Dominical.

No Brasil, a EBD foi organizada há 165 anos, na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, graças à coragem e persistência de um casal de missionários escoceses – também chamado Robert, o Robert Kalley – com sua esposa Sara Kalley. Foram dois Roberts, homens de Deus apaixonados pela EBD. Em 1855, o casal Robert e Sara Kalley iniciou em um domingo uma classe de estudo bíblico para crianças e, no ano seguinte, uma classe para adultos. Estava iniciada a primeira EBD no Brasil.

Desde o início, Deus se preocupou com o conhecimento da parte do seu povo.

Deus falou a Moisés para que orientasse o povo com as seguintes palavras: “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças que o Senhor, o seu Deus, ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse. Desse modo, vocês, seus filhos e seus netos temerão o Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa” (Deuteronômio 6:1-2 – NVI).
Nas páginas do Novo Testamento, vemos como Jesus dá atenção especial ao ensino, o que entusiasmava a quem o ouvia: “Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (Mateus 7:28-29 – NVI).

Paulo aos Efésios escreve sobre a importância do ensino: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:11-13 – NVI).
Portanto, é correto dizer que a EBD já era projeto de Deus para o seu povo através dos tempos. E, é nesse sentido, que a Primeira Igreja Batista de Pelotas foi pensada e projetada no coração de Deus para que, desde o seu princípio, trabalhasse com afinco na instrução bíblica por meio da EBD.

O inaugurador desta igreja foi o missionário Rev. Albert L. Dunstan que veio da Primeira Igreja Batista da Floresta, em Porto Alegre-RS, para evangelizar o povo Pelotense em meados de abril de 1922. O templo desta igreja foi inaugurado no dia 14 de novembro de 1922, com a presença de, aproximadamente, 400 pessoas, sendo que o Jornal Baptista de novembro de 1923, relatou que “a casa pouco mais pode conter a metade deste número” (JORNAL BAPTISTA, nº47, 1923, p. 05).

Desde a sua abertura, o Rev. Albert L. Dunstan utilizou como estratégia de evangelização o ensino e a instrução das Escrituras Sagradas, sendo que a EBD sempre era descrita como uma prática animada entre os seus frequentadores. Pode-se afirmar que no Estado do Rio Grande do Sul, as Escolas Dominicais nasceram, em regra geral, antes das próprias igrejas.

FONTE: O Jornal Baptista, 29 de dezembro de 1927, nº 52, ano XXVII, p. 16.
Em junho de 1926, a Escola Dominical da Primeira Batista de Pelotas já contava com a presença de 122 pessoas (JORNAL BAPTISTA, nº23, 1926, p. 15) e seu ensino era pautado nas verdades bíblicas e na esperança da vinda do Salvador Jesus Cristo para todos aqueles que cressem e praticassem o evangelho. As aulas eram realizadas “nos domingos, às 10 horas da manhã, e com acrescida frequência” (JORNAL BAPTISTA, nº43, 1926, p. 14).
No ano de 1929, a Escola Dominical já contava com 183 alunos e seus ensinamentos caracterizavam não apenas o aprendizado para uma vida cristã, mas a prática de uma igreja.

FONTE: O Jornal Baptista, 31 de outubro de 1929, nº 44, ano XXIX, p. 9.
A influência da Escola Bíblica Dominical é figurada na vida do irmão Eurico Wohlgemuth, reconhecido em 1926, como um aluno fiel da Escola Dominical da Primeira Igreja Batista de Pelotas. Ele, no dia 6 de março de 1926, faleceu com 13 anos de idade, porém, deixou o exemplo de fé a sua mãe, já que em suas últimas palavras disse: “Jesus está me chamando, quero ir” (JORNAL BAPTISTA, nº16, 1926, p. 15). Isso demonstrava a sua certeza na salvação e convicção das promessas deixadas por Jesus Cristo.

Atualmente, as aulas da Escola Bíblica Dominical acontecem todos os domingos, às 10 horas, e tem por objetivo promover o estudo sistemático da Palavra de Deus. Para isso, foi adotado a revista “Atitude” da editora Convicção, sendo promovidos estudos baseados nos tópicos oferecidos pela revista.

As classes são divididas em 6 etapas de acordo com as faixas etárias, sendo elas: Crianças (de 3 a 11 anos), Adolescentes (de 12 a 17 anos), Jovens (de 18 a 35 anos), Adultos (de 35 a 60 anos), MITI (Terceira Idade – 60 anos em diante) e Classe de doutrinas (com todas as faixa etárias, exceto as crianças, para os novos convertidos e não membros da Igreja).

Desse modo, podemos concluir que a Escola Bíblica Dominical é uma parte fundamental presente no trabalho dos Batistas do mundo todo e, principalmente, da Primeira Igreja Batista de Pelotas que desde a sua inauguração (1922) até os dias de hoje (2020), vem priorizando o estudo das escrituras e o acompanhamento de seus membros por meio da instrução bíblica, tendo trabalhado incansavelmente 98 anos com o objetivo de propagar o evangelho entre os pelotenses por meio da Escola Bíblica Dominical.

Que Deus fortaleça a Escola Bíblica Dominical nesta igreja e na nossa denominação Batista por todo o Brasil.

Prof.ª Dr.ª Luiza Fagundes Dias
Doutora em Educação (História e Sociologia da Educação) pela UFPel

Fotos de nossa EBD (antes da quarentena):

Evidências da Ressurreição de Jesus

Embora existam diversos argumentos para a existência de Deus, como por exemplo, a perfeição de nosso universo e a complexidade do DNA, assim como diversos acontecimentos bíblicos já foram confirmados por estudos arqueológicos, nossa crença na ressurreição de Cristo está primariamente baseada em nossa própria experiência com o Cristo ressurreto.

Jesus disse “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem” (Joao 10.27). Quando Deus falou ao nosso coração através do Espírito Santo, Ele nos regenerou e nos deu a fé necessária para crermos e sermos transformados por Ele. Que acontecimento maravilhoso poder ter um encontro com o próprio criador do universo!

Entretanto, por mais que nossa fé esteja firmada em Cristo pela própria ação Dele de transformar nossas vidas, é oportuno falar, principalmente na época da Páscoa, que a historicidade da ressurreição de Cristo possui sólidas evidências. Poderíamos abordar a historicidade da ressurreição de Cristo por diversas perspectivas, neste artigo utilizaremos os 4 argumentos propostos pelo Dr. William Lane Craig [1].

Existem 4 fatos históricos envolvendo a morte/ressurreição de Cristo que são aceitos por praticamente todos os historiadores, inclusive ateus, são eles:

1) Depois da crucificação Jesus foi enterrado em uma tumba por um membro do Sinédrio chamado José de Arimatéia:
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:
a) O enterro de Jesus é atestado em múltiplas fontes independentes: De acordo com o alemão Rudolf Pesch, especialista no evangelho de Marcos, a narrativa da morte de Cristo foi escrita no máximo após 7 anos do ocorrido. Além disto, Paulo cita uma fonte extremamente antiga do enterro de Cristo que a maior parte dos estudiosos data dentro de 5 anos após a crucificação.

Fontes independentes do enterro de Jesus também são encontradas por trás dos evangelhos de Mateus e Lucas, sem mencionar as fonte extra-bíblicas que falam da morte de Cristo, como por exemplo: o Evangelho de Pedro, documento do judeu Flávio Josefo, Talmud e os anais de Tácito.
Além do mais, não existe nenhum documento que conte uma história rival sobre o enterro, ou seja, uma história que diga algo diferente sobre como foi enterro de Jesus.

b) José de Arimatéria era membro do sinédrio Judeu: Não faz sentido José de Arimatéria ser uma invenção cristã pois ele era membro do sinédrio Judeu.
Havia uma hostilidade na igreja primitiva contra os líderes judeus, pois aos olhos dos cristãos foram os judeus que haviam planejado a crucificação de Cristo.

Raymond Brown diz que o enterro de Jesus por José de Arimatéia é muito provável pois é praticamente inexplicável porque os cristãos inventariam uma história de um judeu fazendo o que é certo por Jesus [2]. De acordo com John A. T. Robinson (Universidade de Cambridge) o enterro de Jesus na tumba “é um dos mais antigos e bem atestados fatos sobre Jesus” [3].

2) Na manhã do domingo seguinte a crucificação a tumba de Jesus foi encontrada vazia por um grupo de mulheres:

Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) O testemunho de mulheres: O fato do testemunho de mulheres no primeiro século ser menos confiável aponta para a veracidade do relato. Na sociedade judaica do primeiro século o testemunho de mulheres não era considerado como confiável.

O historiador judeu Flávio Josefo diz que as mulheres nem sequer eram autorizadas a servir como testemunhas em um tribunal de justiça judaico. Se a história da tumba vazia fosse uma invenção veríamos homens encontrando ela, como por exemplo Pedro e João, e não mulheres. O fato de ter sido registrado que mulheres encontraram a tumba vazia é melhor explicado ao dizer que os escritores registraram com fidelidade aquilo que aconteceu.

Jacob Kremer, um especialista austríaco na ressurreição de Cristo, diz que “de longe a maioria dos exegetas mantém firmemente a confiabilidade das declarações bíblicas sobre o túmulo vazio” [4].

b) O nome das mulheres era conhecido pela igreja primitiva: Pelo fato do nome das mulheres que descobriram o túmulo vazio ter sido citado e serem pessoas conhecidas pela igreja, seria muito fácil desmenti-las caso a história não fosse verdadeira.

c) A tumba ficava em um local conhecido: Como a tumba era em um lugar conhecido, não poderiam dizer que Jesus ressuscitou se o corpo dele ainda estive-se lá. O local em que Cristo foi colocado após sua morte não era desconhecido, todos sabiam onde era. Seria impossível dizer que Jesus havia ressuscitado se o corpo dele ainda estivesse na tumba.

d) independentes fontes antigas: Nós temos um múltiplo atestado independente de fontes antigas dizendo que a tumba estava vazia. A fonte que Marcos utilizou em seu evangelho não terminou com o enterro, mas com a tumba vazia. Além disso, Mateus e João tem fontes diferentes das de Marcos sobre o túmulo vazio. O túmulo vazio também é mencionado em Atos 2.29 e em Atos 13.36 e está implícito por Paulo em 1 Coríntios 15.4.

e) Relato simples: A história de Marcos sobre a tumba vazia é simples e não possui sinais de embelezamento comum a lendas. Podemos entender melhor este ponto ao comparar o relato de Marcos com lendas encontradas em evangelhos apócrifos posteriores. Em um dos relatos apócrifos é relatado que Jesus saiu da tumba com a cabeça erguida na altura das nuvens e seguida por uma cruz que falava.

f) A alegação dos judeus: A primeira alegação dos judeus foi de que o corpo de Jesus havia sido roubado (Mateus 28.15). O argumento contrário a proclamação de que Jesus havia ressuscitado não foi de dizer: “olhem, o corpo dele ainda está na tumba!”, mas foi alegar que haviam roubado o corpo dele, o que mostra que de fato a tumba estava vazia.

Inclusive documentos extra-bíblicos relatam esta alegação dos judeus. Estudiosos já mostraram o quão é incoerente a versão alegada pelos judeus de que o corpo de Jesus havia sido roubado, não só pelo fato de haverem guardas na tumba, mas devido a diversos outros fatores também. Isto só mostra o desespero dos judeus em negar o fato da ressurreição de Cristo.

g) Não há nenhum vestígio de veneração no túmulo: Não existe nenhum sinal de que o túmulo de Jesus (ao menos onde se acredita ser o túmulo dele) tenha recebido qualquer tipo de veneração nos primeiros séculos, sendo que seria de se esperar caso o corpo de Jesus tive-se permanecido lá.

Os judeus tinham o costume de venerar os túmulos dos profetas e homens santos e se Jesus tivesse permanecido no túmulo seria de se esperar que os seus seguidores que vieram do judaísmo tivessem feito o mesmo.

3) Em muitas ocasiões e em situações diferentes, grupos de pessoas e indivíduos distintos experimentaram aparições de Jesus ressuscitado:
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) Lista de testemunhas do Cristo ressurreto: Paulo disse em 1 Coríntios que Jesus apareceu a Pedro, depois a um círculo interno de discípulos conhecidos como os Doze, depois ele apareceu a um grupo de 500 pessoas de uma só vez e depois ao irmão mais novo de Cristo, chamado Tiago. Por fim, Paulo diz que Jesus aparece também para ele.

As pessoas citadas por Paulo ainda estavam vivas quando o apóstolo escreveu a lista. Seria fácil desmentir o apóstolo Paulo apenas conversando com as pessoas caso ele estivesse falando mentiras. Além do mais, não havia tempo suficiente para que uma lenda surgi-se e fosse aceita, de acordo com o famoso historiador A.N. Sherwin-White levava mais de duas gerações no mundo antigo para uma lenda se desenvolver e ser aceita como verdadeira. Além dos escritos bíblicos serem muito próximos dos fatos ocorridos, a própria igreja surgiu numa velocidade e tamanho surpreendentes.

b) Fontes independentes das aparições de Jesus: Encontramos nos evangelhos fontes independentes destas aparições, por exemplo, a aparição a Pedro é citada por Lucas e por Paulo; a aparição aos Doze é atestada por Lucas, João e Paulo e a aparição para as mulheres é atestada por Mateus e João. As narrativas das aparições abrangem uma variedade de fontes independentes, até mesmo o cético Gerd Lüdemann conclui: “Pode-se considerar historicamente certo que Pedro e os discípulos tiveram experiências após a morte de Jesus, na qual Jesus lhes apareceu como o Cristo ressuscitado” [5].

c) Nem Tiago ou algum dos irmãos de Jesus acreditavam nele durante a sua vida: O fato de que os irmão de Jesus não criam nele durante a sua vida nos faz pensar o que teria feito eles mudarem de ideia após a sua morte se não que de fato Cristo tivesse ressuscitado dentre os mortos.

4) Os discípulos originais criam que Jesus ressuscitou dos mortos embora tivessem toda a pré-disposição para o contrário
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) Eles foram mortos por esta crença: Os discípulos de Jesus estavam dispostos a morrer por dizerem que Cristo ressuscitou dos mortos. O que nos faz pensar: o que no mundo faria eles estarem dispostos a isso, a não ser que de fato acreditassem que Jesus ressuscitou? Luke Johnson afirma que é necessário algum tipo de experiência poderosa e transformadora para gerar o tipo de movimento que o Cristianismo gerou [6]. Os discípulos de Cristo foram torturados e mortos, alguns degolados, outros queimados e possivelmente alguns até crucificados.

b) Seu líder estava morto e os judeus não tinham nenhuma expectativa de um Messias derrotado e morto: O pano de fundo judaico dos primeiros cristãos não seria crer que Jesus era o messias e ressuscitaria dos mortos, pois as expectativas messiânicas judaicas não incluíam a ideia de um messias crucificado e morto como criminoso, mas sim como um messias que iria triunfar sobre os inimigos de Israel.

c) Lei judaica: De acordo com a interpretação da lei judaica a execução de Jesus como um criminoso mostrou que ele era um herege (Dt 21.23), ou seja, os seguidores de Cristo que eram judeus facilmente perderiam a fé Nele como o messias e não esperariam a sua ressurreição.

d) Vida após a morte: As crenças judaicas sobre a vida após a morte limitavam-se a ressurreição direta para a glória no fim dos tempos, não em uma ressureição que ocorreria no tempo presente, portanto os discípulos não teriam em sua base judaica a expectativa que Jesus iria ressuscitar ao terceiro dia.

Estes motivos que vimos no ponto 4: o perigo de morte e a falta de apoio judaico na ressurreição de Cristo, mostram que os discípulos creram em Cristo mesmo tendo fortes argumentos para não crerem. O que nos leva a pensar que de fato eles creram porque viram o Cristo ressurreto.

Conclusão
Em um dos debates que o Dr. William Craig fez com ateus, no desespero de encontrar uma solução para o “problema da aparição de Cristo após sua morte”, o opositor Irvine, que era professor em uma universidade da Califórnia e fez sua tese de doutorado sobre a ressurreição de Jesus, diante das evidências a favor da ressurreição chegou a dizer que o que ocorreu foi que Jesus tinha um irmão gêmeo idêntico que era desconhecido por todos e só apareceu após a morte de Cristo se passando pelo próprio Jesus. Esta afirmação apenas mostra as bases sólidas que os relatos da ressurreição de Cristo se encontram e o desespero que muitos se encontram ao tentar desacreditar os relatos sobre Jesus.

Além do mais, não há motivo razoável para desacreditar o testemunho dos discípulos. Eles eram pessoas simples e humildes, alguns eram pescadores, outros eram fazedores de tendas, entre outras ocupações. Não existe nada no caráter dos discípulos que nos levem a acreditar que eles estariam inventando uma história sobre a ressurreição de Jesus. O teólogo John Piper afirmou que foi convencido pelos escritos do apóstolo Paulo de que aquilo que o apóstolo estava escrevendo era verdade. Ao lermos os escritos dos discípulos creio que chegamos a esta mesma conclusão.

Muitas outras coisas poderiam ser ditas, mas creio que as evidências apontadas aqui são suficientes para entendermos que os relatos a respeito da morte e ressurreição de Cristo estão firmados na verdade.

Leandro Weige Dias

[1] CRAIG, William Lane. Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011. 317 pp.
[2] Raymond E. Brown, The Death of the Messiah, 2 vols. (Garden City, N.Y.: Doubleday, 1994), 2: 1240-1.
[3] John A. T. Robinson, The Human Face of God (Philadelphia: Westminster, 1973), p. 131.
[4] Jacob Kremer, Die Osterevangelien–Geschichten um Geschichte (Stuttgart: Katholisches Bibelwerk, 1977), pp. 49-50.
[5] Gerd Lüdemann, What Really Happened to Jesus?, trans. John Bowden (Louisville, Kent.: Westminster John Knox Press, 1995), p. 8.
[6] Luke Timothy Johnson, The Real Jesus (San Francisco: Harper San Francisco, 1996), p. 136.

Liderando em tempo de crise

Texto base: Atos dos Apóstolos 27.13-28.10

“A crise não é para ser administrada, a crise é para ser liderada”. (John C. Maxwell)

Estamos atravessando uma crise sem precedentes na história da nossa nação. As pessoas estão acuadas e enclausuradas por causa do Coronavírus. O medo das possíveis consequências da quarentena se alojou na mente das autoridades e do povo.  Chegou o momento oportuno de líderes eclesiásticos e paraeclesiásticos assumirem a linha de frente da crise. É para um período como este que DEUS levanta o líder da igreja. Bill Hybels, no livro Liderança Corajosa, escreveu: “A igreja local é a esperança do mundo, e seu futuro está nas mãos de seus líderes”.

O apóstolo Paulo foi um líder exponencial. Segundo John Maxwell, “Paulo foi um líder que não podia ser contido”. Sua capacidade de influência era ultracircunstancial. Quanto maior a crise, maior foi a sua liderança.  Aprendemos com o apóstolo Paulo três medidas a serem tomadas no momento de crise:

Priorize as pessoas (v.17-20, 36-38). Paulo e os tripulantes do navio não sabiam exatamente onde estavam e com medo de que a embarcação fosse arrastada para as pedras ou destroçada pelas ondas, cingiram com cordas o casco do navio para fortalecê-lo e lançaram ao mar a carga. Na esperança de salvar as pessoas, fizeram algo que parece ser estúpido: se desfizeram da carga. Lançar o carregamento ao mar foi o mesmo que jogar uma pasta com dinheiro no fundo do oceano, em outras palavras, eles jogaram dinheiro fora. Mas, avaliando as prioridades, o que fizeram foi correto. As pessoas são e sempre serão prioridade. Mais importante que atravessar a tempestade com dinheiro é chegar ao final dela com vida.

Neste período de quarentena, com prazo indeterminado, devido ao Coronavírus, o líder deve se preocupar muito mais com as pessoas do que com a estrutura da igreja. Os líderes estão investindo energia na tentativa de manter as suas igrejas, seu calendário e os seus programas. Nunca se usou tanto os recursos tecnológicos como áudios, vídeos, lives no Facebook, Meet, Zoom e no Instagram. Até mesmo os líderes, que nunca fizeram uso desses recursos antes, estão fazendo um enorme esforço para aprender a usá-los para se comunicar. A preocupação com a saúde financeira de suas greis e projetos têm fadigado a liderança eclesiástica porque não podemos desconsiderar a contribuição financeira. As despesas das organizações eclesiásticas não estão em quarentena, é preciso honrá-las. Pense que mau testemunho seria o endividamento? Infelizmente, os líderes estão mais preocupados em manter as estruturas físicas e as pessoas que estão dentro delas ao invés de alcançar outras pessoas com a mensagem de esperança. Todo o empenho tem sido feito para alcançar os crentes que estão dentro das próprias casas, suprindo-os com mensagens e orações. Enquanto isso, as pessoas que não fazem parte da igreja não estão sendo alcançadas.

Voltemos ao texto bíblico. Em meio à forte tempestade que provocou o naufrágio, os moradores da ilha de Malta creram em JESUS. Quando os habitantes da ilha se converteram, Paulo e os tripulantes não tinham mais embarcação, ela havia sido arrebentada pela tempestade. Será preciso perder os nossos prédios para priorizarmos os não-crentes? Em meio à crise estamos mais preocupados com a manutenção da estrutura ou com a missão de levar o Evangelho a toda a criatura?

Responda à crise (v.22). Paulo não ficou inerte em meio à tempestade. Muito menos permaneceu em silêncio esperando as coisas normalizarem. Ele se levantou diante de todos e deu a eles uma palavra de esperança. Durante toda a viagem, em meio à tempestade, Paulo esteve ativo, exortando, encorajando e mostrando o caminho a ser seguido. A liderança de Paulo foi uma resposta em meio à crise. O verdadeiro líder não administra a crise, ele lidera na crise. A autêntica liderança se mostra ativa e eficaz nos momentos mais escuros e severos da história. O ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, afirmou: “A pessoa certa na liderança se mostra ainda melhor nos momentos mais difíceis”.

Neste período de quarentena, em que a sociedade está sendo assolada pelo Coronavírus, a liderança eclesiástica está passiva, apenas administrando a crise. Estão em silêncio esperando as coisas acontecerem. Muito mais do que esperar as coisas normalizarem, é o momento de o líder dar uma direção. É preciso fazer mais que administrar, é necessário liderar. A liderança eclesiástica vive um momento singular da história, mais do que realizar a manutenção dos cultos é preciso fazer da crise uma oportunidade para mudar paradigmas e alcançar pessoas. Com certeza, os tripulantes daquela embarcação nunca mais foram os mesmos, não por causa da tempestade, mas por causa da liderança de Paulo. A liderança eclesiástica tem a oportunidade de mudar os rumos da igreja, de romper com o status quo e sair da manutenção para a missão.

Planeje as ações (v.24-26). O apóstolo Paulo tinha suas ações devidamente planejadas. Ele sabia para onde estava indo, seu destino era Roma; sabia qual era o seu propósito, testemunhar de JESUS para o imperador. A tempestade não impediu o apóstolo de executar o plano. O planejamento do apóstolo não era uma resposta para a tempestade. Seu planejamento contemplava algo maior que a efêmera crise que o afligia, a expansão do evangelho por todo o Império Romano. O período de quarentena por causa do Coronavírus, para algumas organizações eclesiásticas não está interferindo em nada, a não ser na realização dos cultos. Não estamos dizendo que o culto não é fundamental, mas a igreja deve ir além de suas celebrações. Igrejas relevantes na sua cidade e no mundo estão se articulando para continuar com o sustento para plantação de igrejas, com as parcerias missionárias do outro lado do globo terrestre e com os seus projetos sociais. Se neste período de quarentena, a única ação que a sua igreja suspendeu foram os cultos públicos, urgentemente o líder precisa avaliar a relevância de sua igreja na cidade. Para o líder que sabe para onde vai, tem metas claras, exequíveis e mensuráveis, o período de quarentena não interferirá em nada na agenda da sua igreja.

Parafraseando o famoso escritor inglês, C. S. Lewis:  “A crise é um megafone ensurdecedor para urgentemente avaliarmos e planejarmos mudanças necessárias em nossas igrejas”.

Pastor Olavo Vigil