Jesus nos convida à profundidade

Texto base: Lucas 5.1-11

“Na realidade, vemos nada, porque a verdade está na profundidade”. (Demócrito)

O imperativo de JESUS para a nossa vida é ir para onde as águas são profundas. Enquanto os discípulos estavam na beira da praia, lamentavam a escassez. Quando guiados por JESUS foram para onde águas eram mais profundas, e, foram abundantemente abençoados. Infelizmente, há pessoas que preferem viver uma vida cristã rasa, lavando redes vazias, enquanto JESUS nos convida para um banquete nas águas profundas da vida cristã. Até quando continuaremos lavando redes vazias por consequência de uma vida cristã rasa? Deixemos JESUS entrar no barco da nossa vida para experimentarmos as riquezas contida na profundidade da vida cristã.

A profundidade é o imperativo da vida cristã.

Vejamos quatro razões para sairmos da superfície:

Na profundidade, somos abençoados pela graça, não por nossos méritos (v.6). Os pescadores não eram principiantes, eram homens conhecedores da profissão. Do lago de Genesaré eles extraíam diariamente o sustento para as suas famílias. O texto conta que eles se esforçaram a noite inteira e não pegaram nada (v.3). Lançaram as redes inúmeras vezes nas águas e das águas nada tiraram. Mas sob a palavra de JESUS lançaram as redes uma única vez, e as redes se romperam tamanha era a quantidade de peixes. A pesca abundante não foi resultado da habilidade deles, do conhecimento profissional ou do esforço deles. A pesca abundante foi obra de JESUS (GRAÇA). Não é pela nossa performance. Não é pela nossa qualidade. Não é pela nosso esforço. É pela graça, somente pela graça!

Na profundidade, as pessoas são abençoadas através da nossa vida (v.7). Simão Pedro está na beira da praia lavando as redes. As redes estão vazias, não há nada para compartilhar com os demais, não há nada para levar para casa. As redes vazias são como vidas vazias que nada têm de DEUS para compartilhar com os demais. Quando Simão Pedro vai para onde as águas são profundas, sua rede se rompe de tantos peixes que, inevitavelmente, precisou compartilhar com os demais. Se você não mergulhar na profundidade do relacionamento com JESUS, nunca terá o que compartilhar. O que aprendemos com Simão Pedro: aquele que vai para onde as águas são profundas, não vai somente para ser abençoado, mas, principalmente, para abençoar os outros. O conceito que temos é que as bênçãos terminam em nós. Não, as bênçãos começam em nós.

Na profundidade, sentimos a necessidade de conserto (v.8). Simão Pedro está fortemente, profundamente, impactado pelo que aconteceu. Simão Pedro nunca pescou tantos peixes em sua vida. Notemos que na beira da praia Simão Pedro não se sente um pecador. Mas onde as águas são profundas, Simão Pedro se sente um pecador. Quando vivemos uma vida cristã superficial, não há pecados a serem confessados e abandonados. Quando vivemos no escuro não há conserto para ser feito. Enquanto vivermos na superfície da vida cristã, mudanças e transformações não ocorrerão em nossa vida. Na profundidade do relacionamento com JESUS, sentiremos necessidade de conserto. Quanto mais profundo for o nosso relacionamento com JESUS, mais sentiremos necessidade de conserto.

Na profundidade, o senhor das bênçãos é mais importante que as bênçãos (v.11). Há instantes atrás eles lamentavam a falta de peixe. Lavavam as suas redes vazias tomados pelo desânimo. Sob a palavra de JESUS, eles lançam as redes nas águas profundas e são abundantemente abençoados. Tudo o que eles queriam, tudo o que eles julgavam necessário, JESUS deu para eles: peixes, muitos peixes, em outras palavras dinheiro. O que eles fazem ao retornarem para a beira da praia? Deixam tudo. Abandonam os peixes, as redes e os barcos. Por que fizerem isso? Porque ter o abençoador é melhor do que as bênçãos. Muitos querem as bênçãos de DEUS, mas não o DEUS da bênção. Muitos perseguem as bênçãos de DEUS, mas não seguem o DEUS da bênção.

JESUS nos convida à profundidade. Até quando continuaremos vivendo uma vida cristã rasa?

Pastor Olavo Vigil

Deus usa as circustâncias para cumprir os seus propósitos

Texto base: 1 Samuel 9.1-14

“O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido”. (C.S. Lewis)

Quem iria imaginar que o primeiro rei de Israel seria chamado para o trono enquanto procurava jumentas? A perda de um bem precioso colocou Saul no centro da vontade de DEUS. O SENHOR usa as circunstâncias adversas para conduzir homens e mulheres ao centro da Sua soberana vontade. DEUS usou a tempestade e o grande peixe para conduzir Jonas ao centro da Sua vontade; usou a queda e a cegueira para envolver Paulo de Tarso nos Seus planos. Uma circunstância que de um ponto de vista seria uma perda, se transformou em ganho para Saul. DEUS transforma as perdas em ganhos. Alexander Solzhenitsyn, escritor e ganhador do Prêmio Pulitzer, o maior prêmio literário do mundo, passou oito anos na prisão durante a era Soviética, por ter criticado Joseph Stalin. Ele entrou ateu na prisão e saiu como uma pessoa de fé. A experiência do cárcere não o deixou amargo. Ela o deixou grato porque lá a fé dele foi desenvolvida e o caráter fortalecido. Ao recordar de sua experiência, ele diz: “Eu te abençoo, prisão – te abençôo por ter entrado em minha vida – pois lá, deitado em palha podre, foi que aprendi que o propósito da vida não é prosperar, como cresci acreditando, mas amadureci a alma”.

Vejamos algumas situações que nos conduzem para o centro da vontade de Deus:

As nossas necessidades são a porta de entrada para DEUS (v.3). A história de Saul com DEUS inicia com as jumentas perdidas. Saul acompanhado do seu servo percorreu um longo caminho a procura das jumentas. Esgotado da jornada, desanimado pela falta êxito e angustiado pela possibilidade de que o seu pai estivesse preocupado com ele, decide voltar para casa. O texto diz que as jumentas do pai de Saul se perderam. O que se perdeu na sua vida? Foi o casamento? A esperança de um filho ser restaurado? A cura de uma enfermidade? O ânimo? De modo semelhante a Saul, você tem pensado em desistir?

Muitos de nós agimos assim. Exaustos e desanimados desistimos. Não desista! Não desanime! As tuas necessidades são a porta de entrada para o centro da vontade de DEUS. Assim como DEUS usou as jumentas perdidas para entrar na vida Saul e conduzi-lo para o centro da vontade dEle, ELE usará as tuas decepções, os teus traumas e os teus fracassos para alcançar o teu coração.

DEUS é a resposta para aquilo que procuramos (v.20). Ao se encontrar com Samuel, Saul foi curado do anseio de achar as jumentas. Por intermédio do profeta, DEUS livrou o coração de Saul da preocupação. DEUS não tem a resposta, DEUS é a resposta. Antes de Saul perguntar ao profeta acerca do paradeiro das jumentas, DEUS já lhe deu a resposta. DEUS conhece os anseios mais íntimos do coração do homem. DEUS é a resposta para todos os nossos anseios. Tudo o que precisamos e procuramos, encontramos em DEUS. Somente DEUS é capaz de preencher o nosso vazio.

Quando cuidamos das coisas de DEUS, ELE cuida das nossas coisas (v.20). Saul está preocupado com os bens da sua família. Todos os seus esforços estão concentrados em encontrar as jumentas perdidas. Ao procurar o profeta, Saul não tem o intuito de buscar a vontade de DEUS, mas de suprir uma necessidade efêmera. Saul está preocupado com as jumentas, enquanto DEUS está interessado no futuro de uma nação. Os interesses de DEUS são maiores e mais nobres. Quando Saul se dispõe a fazer a vontade de DEUS, permanecendo com Samuel, as suas jumentas são encontradas. Devemos ter somente uma única preocupação em toda a nossa vida: conhecer e fazer a vontade de DEUS.

Um dos maiores missionários da história da igreja, o apóstolo Paulo, tinha somente uma preocupação: “Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas”. (2 Co 11.28). A obra de DEUS deve ser a nossa maior preocupação. Quando priorizamos a vontade de DEUS, ELE supre todas as nossas necessidades. Quando priorizamos a vontade de DEUS, ELE dá mais do que pedimos. Saul queria apenas encontrar as suas jumentas, DEUS deu a ele um grande rebanho, a nação de Israel para governar.

Faça da tua necessidade a porta de entrada para DEUS.
DEUS é a resposta para aquilo que procura.
Cuide das coisas de DEUS e O deixe cuidar das tuas coisas.

Pastor Olavo Vigil

Deus usa as pessoas para cumprir os seus propósitos

Texto base: 1 Samuel 9.6-10

“Quem não vive para servir, não serve para viver”.
(Mahatma Gandhi)

DEUS usou um homem persistente para que Saul fosse conduzido até o profeta Samuel. O texto não informa o seu nome, a sua tribo e nem a sua genealogia. No entanto, informa que ele foi usado por SENHOR para insistir que Saul fosse ao encontro do homem de DEUS. O servo de Saul é mais um de vários personagens anônimos da Bíblia que é usado para cumprir os propósitos divinos. O que aprendemos com o servo de Saul?

Devemos cumprir os propósitos de DEUS sem almejar reconhecimento. Esta personagem anônima, não é mais mencionada no decorrer do livro. O livro de 1 Samuel não faz nenhuma menção honrosa ao servo de Saul. Após Saul assumir o reinado de Israel, ele não convida aquele que o levou até o profeta Samuel para ser seu assessor, e, nem lhe oferece um lugar de destaque. Não há palavras de agradecimento. O servo apenas desaparece do cenário. Infelizmente, muitos homens e mulheres atuam na obra de DEUS em busca de reconhecimento. Quando não são reconhecidos, abandonam o que estão fazendo. O anseio por reconhecimento é uma ferrugem que corrói as engrenagens do coração. Há uma frase de Benjamin Constant, que diz: “Verifiquei que, aos homens, se devia agradecer o menos possível, porque o reconhecimento que lhes testemunhamos os convence, facilmente, de que estão a fazer demais!” Os grandes feitos de pessoas como Martin Luther King e Madre Tereza de Calcutá são reverenciados por toda a humanidade. Mas eles não realizaram esses feitos sozinhos. Servos anônimos trabalharam muito, para que os ideais deles se realizassem.

Devemos insistir com as pessoas para que busquem a DEUS. Saul apresentou motivos para não ir ao encontro do profeta. Primeiro, ele alegou que já estavam distantes e que seu pai começaria a se preocupar com eles e deixaria de se preocupar com as jumentas. Segundo, ele disse que não tinha mais recursos em seu saco de viagem para presentear o homem de DEUS. Mas o servo insistiu para que Saul entrasse na cidade em busca do profeta. Lamentavelmente, desistimos fácil das pessoas. Precisamos insistir incansavelmente para que as pessoas se voltem para DEUS. Por mais que as pessoas apresentem motivos para não se envolverem com DEUS ou com a Sua obra, devemos insistir. Assim, como um vendedor não se dá por vencido enquanto não persuadir o cliente a comprar o seu produto, devemos ter disposição maior para apresentar o evangelho. Apesar de sua condição social, o servo insistiu com Saul. Na condição de servo, ele deveria acatar a vontade de seu patrão e imediatamente voltar com ele para casa. Ele foi ousado e persuadiu o seu patrão a buscar a direção de DEUS. O mesmo fez a menina na casa de Naamã, que apesar de sua condição social, persuadiu o senhor dela a se voltar para DEUS. Certa vez alguém disse: “Grande não é o homem que se deixa persuadir pelos pensamentos da maioria, mas aquele que faz a maioria ser persuadida pelos seus”.

Devemos investir nossos recursos para levar as pessoas a DEUS. Os mantimentos do alforje se esgotaram, Saul não tinha valor algum consigo para ofertar ao profeta. O servo prontamente ofereceu o seus próprios recursos para levar Saul até o profeta. Levar as pessoas para DEUS requer investimento. Nenhum investimento é demasiado quando o objetivo é levar pessoas à DEUS. O valor de uma vida é imensurável. Ao investirmos nossos recursos demonstramos que confiamos na ação de DEUS. O servo acreditava que DEUS tinha a resposta para o anseio de Saul. O servo acreditava que DEUS resolveria a situação. Não investimos porque subestimamos o poder de DEUS. Se realmente crêssemos no poder DEUS para transformar pessoas investiríamos os nossos recursos. Ao investirmos o nosso tempo, demonstramos que confiamos na ação de DEUS. Além dos recursos financeiros, o servo investiu o seu tempo levando Saul até a cidade de Ramá para encontrar o profeta. Ele fez porque tinha convicção que a jornada não seria em vão. Para levar uma pessoa à DEUS, é necessário investir tempo. Tempo para orar por ela, para estreitar o relacionamento com ela, para compartilhar de JESUS e para discipular. Oskar Schindler, foi um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregar mulheres, crianças e idosos em sua fábrica. No final da guerra, Schindler tinha gasto toda a sua fortuna em subornos e na aquisição de produtos no mercado paralelo para ajudar os seus trabalhadores a fugir da câmara de gás nazista.

Devemos servir porque não fazemos mais que nossa obrigação. Embora o servo de Saul tenha feito muitas coisas, não fez nada além daquilo que se esperava dele. Foi para isso que ele foi enviado juntamente com Saul, por ordem de Quis, o proprietário das jumentas. Em outras palavras, ele não fez mais que sua obrigação. Tudo o que realizamos em prol do avanço da obra de DEUS, não fazemos mais do que a nossa obrigação. Não temos mérito algum em quaisquer esforços investidos no trabalho do SENHOR. Infelizmente, existem pessoas que entendem que fizeram algo extraordinário porque se esforçaram na obra do SENHOR. Mesmo que venhamos a pagar com a própria vida para a expansão do REINO de DEUS, não faremos mais do que a nossa obrigação.

Ser usado por DEUS para cumprir os Seus propósitos eternos é um privilégio imensurável. Jamais um peso ou um desgosto.

Pastor Olavo Vigil

Resultados do plantio de igrejas

Texto-base: Atos 16.12

“É a única sociedade cooperativa no mundo que existe em benefício dos que não são membros”. (William Temple)

O presente texto apresenta os resultados do plantio da igreja na cidade de Filipos, durante a segunda viagem missionária de Paulo. O pastor irlandês John Motyer “A igreja nasceu a partir da oração, pregação e compromisso sacrificial com a obra de Deus”.

Oração (v.13). A oração foi a primeira ação deles na cidade de Filipos. Tudo começou com a oração. Antes de mover a terra é preciso mover os céus.

Pregação (v.21). O texto diz: “propagando costumes”, na Bíblia ARA diz “nos expõem costumes”. A palavra grega usada para o “propagando” – (NVI) ou “expõem” – (ARA) é “kataggellusin”, que significa proclamar. O que era propagado pelos apóstolos? O evangelho de JESUS CRISTO. Para que as pessoas se convertam é necessário pregar.

Compromisso sacrificial (v.23-24). O plantio da igreja, em Filipos, exigiu dos apóstolos entrega sacrificial. Por causa da pregação do evangelho eles foram açoitados e presos.

O plantio de igrejas produz resultados que glorificam a DEUS e abençoa pessoas. Quatro resultados acompanham o plantio de igrejas:

Pessoas são libertas (v.18). Na cidade havia uma jovem escrava possuída por um espirito de adivinhação. Essa jovem era uma fonte de lucro para os seus proprietários. O texto não diz há quanto tempo ela vivia sob a opressão do espírito maligno, mas, provavelmente, há muito sofria com a possessão. Diariamente, a jovem possessa ao cruzar pelos apóstolos denunciava a quem eles serviam e qual era o propósito deles na cidade. Certo dia, Paulo se irritou com a ação do espírito maligno e libertou a jovem. Graças a chegada da igreja na cidade, a jovem foi liberta da opressão demoníaca. Quantos jovens estão acorrentados aos vícios, a drogadição e ao crime? Sem projeção de futuro têm suas vidas ceifadas na mocidade. A igreja é a esperança para a vida desses jovens.

A cidade é impactada (v.20-21). A ação da igreja não passou despercebida na cidade. A igreja impactou a cidade. A ação da igreja agradou muitas pessoas, mas também desagradou a muitos. A cidade não foi a mesma após a ação missionária. O dever da igreja é impactar a cidade. O impacto da igreja na cidade foi tão grande que causou um terremoto (v.26). O impacto causado pela igreja foi tão grande que abalou todas as esferas da sociedade, chegando a:

Impactar os empresários (v.14-19). Lídia vendedora de tecidos se converteu (v.14-15). Os donos de escravos ficaram irritados com a igreja (v.16-19).

Impactar os magistrados (v.35-39). Açoitaram e prenderam Paulo e Silas sem julgamento e nem direito a defesa. Eles eram cidadãos romanos e deveriam ser tratados pelos magistrados com tal. (v.35-39).

Impactar a prisão (v.25-34). Após o terremoto, os missionários pregaram o evangelho para o carcereiro que se converteu e foi batizado juntamente com a família dele. As ações da igreja devem agradar os pecadores arrependidos e desagradar os que permanecem incrédulos. Infelizmente, algumas igrejas se tornaram irrelevantes para a própria cidade em que estão localizadas. Se elas fossem fechadas permanentemente a ausência delas não seria notada na cidade.

Spurgeon, o príncipe dos pregadores, impactou Londres em maior grau por meio da plantação de igrejas durante as décadas de 1860 e de 1870. Novas igrejas batistas foram fundadas, em média de mais de oito por ano entre 1856 e 1860. Quarenta e oito igrejas foram plantadas sob a orientação de Spurgeon até 1878. Ele enviava pessoas ao campo e organizava os locais em que plantariam novas igrejas. Em seguida, estabelecia no local um de seus estudantes como pastor da nova igreja.

Famílias são salvas (v.31). Durante o terremoto, o carcereiro responsável pela guarda de Paulo e Silas acordou e se deparou com os portões da cadeia abertos, desembainhou a espada para se matar. Por que o carcereiro desembainhou a espada? De acordo com a lei romana, o carcereiro deveria pagar com a própria vida pela fuga do prisioneiro, caso o número de prisioneiros fosse maior, os membros da família dele seriam mortos, conforme a quantidade de presos foragidos. O carcereiro, consumido pelo pavor da iminência da morte da sua esposa, pediu uma luz (v.29). A luz que o carcereiro pediu era a luz de uma tocha ou de uma lamparina, para averiguar se os presos haviam fugido. Mas os missionários ofereceram para eles mais que uma tocha ou uma lamparina. Eles deram uma luz para a alma e para o coração do carcereiro. Paulo e Silas apresentaram para o carcereiro JESUS, a Luz do mundo. Os missionários confortaram o carcereiro, dizendo que não seria necessário cometer suicídio porque os presos não tinham fugido. Naquela mesma noite, eles pregaram para o carcereiro, para a família dele e todos foram batizados. DEUS transformou o carcereiro e sua família. Aquele que era agressor, agora fazia curativos nas costas dos apóstolos. Por causa da ação da igreja, a família foi salva da morte física e da morte espiritual.

Pessoas são acolhidas. As pessoas que se converteram a JESUS e passaram a fazer parte da igreja de Filipos eram pessoas de classe social e etnias diferentes. Lídia era uma asiática, empresária do setor têxtil. A jovem era uma escrava grega. O carcereiro era um soldado romano veterano. Os três foram transformados pelo mesmo Evangelho e recebidos na mesma igreja. A igreja acolheu pessoas de culturas diferentes. Qual organização ou instituição consegue fazer isso? As instituições e organizações que prevalecem ao longo do tempo na cidade assistem a um público específico. Algumas instituições se esforçam para acolher todo o tipo de pessoa, mas não conseguem. A igreja é a única instituição que acolhe todas as pessoas de diferentes classes sociais e etnias que creem em JESUS. Philip Yancey escreveu: “Como é fácil nos esquecermos de que a igreja cristã foi a primeira instituição na história do mundo a nivelar judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e livres” [1].

As necessidades são supridas. Cada uma das três pessoas tinha necessidades diferentes. Lídia, uma mulher temente a DEUS, tinha uma necessidade intelectual – ser instruída na palavra do SENHOR. A jovem escrava – ser liberta do espírito de adivinhação. O carcereiro – ser salvo da morte, juntamente com a família. A igreja supriu a necessidade de todos. Somente o evangelho tem o poder de suprir todas as necessidades humanas. O evangelho cura a alma e restaura a dignidade humana. A igreja deve ser mais que uma reunião de domingo, deve ser ativa durante os demais dias da semana, suprindo as necessidades dos habitantes da cidade.

William Carey foi um pastor batista inglês, conhecido como o “pai das missões modernas”. Carey foi um dos fundadores da Sociedade Batista Missionária de Londres, na Inglaterra. Por meio da vida de Willian Carey, podemos os resultados do plantio de igrejas. Em 1793, deixou a Inglaterra e partiu para a Índia com a família, onde, em condições dificílimas e de oposição ferrenha, trabalhou durante 41 anos. Com a ajuda de dois missionários eles fundaram 26 igrejas, 126 escolas com 10 mil alunos; traduziram as Escrituras em 44 línguas; produziram gramáticas e dicionários; organizaram a primeira missão médica na Índia, seminários, escola para meninas e o jornal na língua Bengali. Além disso, Guilherme Carey foi um dos responsáveis pela erradicação do costume “sati”, o qual queimava a viúva juntamente com o corpo do defunto numa fogueira.

A Índia foi impactada pela plantação de igrejas. Semelhantemente, podemos e devemos impactar a nossa cidade com o plantio de igrejas.

Pastor Olavo Vigil
Referências
[1] YANCEY, Philip. Igreja por que me Importar? Redescobrindo o prazer da vida em comunidade. São Paulo: Vida Nova, 2006, p26.

A oportunidade de plantar igrejas

Texto base: Atos 14.21-28

“O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade”. (Winston Churchill)

Conta-se que uma fábrica de calçados, com a intenção de expandir suas vendas, decidiu que deveria exportar para a África. Assim, mandou para um país daquele continente dois vendedores para que eles verificassem o potencial daquele mercado e iniciassem as vendas. Aos dois foram dadas as mesmas condições: hospedagem, locomoção, diárias, tabelas de preços e informações sobre os produtos. Ao final da primeira semana eles deveriam emitir um relatório à matriz no Brasil. Um dos vendedores, antes de mandá-lo, ligou para o escritório da matriz, completamente abatido, fazendo o seguinte comentário: “Vocês devem suspender os planos de expansão e rever nossos investimentos neste país. Já comprei minha passagem de volta, pois vir para cá foi a maior roubada. Por aqui não vamos vender nada porque ninguém usa sapatos, todo mundo anda descalço!” O outro vendedor também ligou, mas ao contrário do primeiro, estava eufórico, quase não se continha e totalmente entusiasmado, foi assim falando: “Vocês devem ampliar os planos para nossos investimentos neste país. Podem contratar mais funcionários e aumentar a produção. Foi brilhante a ideia de vender nossos produtos por aqui. Vamos vender como nunca porque aqui ninguém usa sapatos, todo mundo anda descalço, por enquanto. Basta começar a oferecer!”. Oportunidade ou obstáculo? Como você se vê no desafio de plantar igrejas? A maneira como encararmos o desafio de plantar igrejas determinará o avanço ou não da obra missionária no Rio Grande do Sul.

Plantar igrejas é uma oportunidade e não um obstáculo. Devemos avaliar o Rio Grande do Sul como uma excelente oportunidade para a expansão do REINO de DEUS. Há muito espaço para o plantio de igrejas. Há muita terra para arar e lançar a semente do Evangelho. Assim cantou o compositor gaúcho: “Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor” [1].

Vejamos três verdades sobre o plantio de igrejas:

O plantio de igrejas é a estratégia para cumprimento da Grande Comissão (v.26). Eles completaram a missão. Como completaram a missão? Plantando igrejas. A palavra grega (ergon), traduzida para “missão” na NVI ou “obra” na ARA. O texto diz que os apóstolos cumpriram o abra, a missão, o trabalho dado pelo SENHOR. Plantar igrejas não é uma das estratégias para o cumprimento da Grande Comissão, plantar igreja é a estratégia para a realização da ordem dada pelo SENHOR JESUS. O plantio de igrejas foi a estratégia usada pelos apóstolos para resgatar as pessoas do inferno. Consideremos as ações para o plantio de igrejas:

Proclamação (v.21). A pregação das boas novas foi a primeira ação dos apóstolos. Não há como as pessoas se decidirem por JESUS se não ouvirem a proclamação do EVANGELHO.

Discipulado (v.22). O discipulado tem início, mas não tem fim. Antes de saírem da cidade, os missionários instruíram os convertidos acerca da nova vida em JESUS.

Consolidação dos resultados (v.22). Os missionários cuidaram para que os novos discípulos não fossem influenciados pelo judaísmo e nem pelo paganismo, por isso, encorajaram os fiéis a permanecerem na fé. A falta de investimento para consolidação de resultados, no discipulado, contribui para o retrocesso do trabalho missionário.

Treinamento de líderes (v.23). Os missionários instituíram presbíteros para liderarem a igreja. A identificação e treinamento de líderes é fundamental para o estabelecimento da nova igreja. Não havendo líderes, bem treinados, em pouco tempo a igreja sofrerá declínio.

Organização da igreja (v.23). A última ação é a organização física da igreja. Ela se torna autônoma e não precisa mais da parceria de outras igrejas ou da denominação para ajudá-la porque ela se torna capaz de se sustentar financeiramente e de cumprir a Grande Comissão.

O plantio de igrejas glorifica a DEUS (v.27). Os missionários relataram o que DEUS fez, e não o que eles fizeram. Quando eles se reuniram em Antioquia, da Síria, a igreja mãe, para contar acerca das igrejas que foram plantadas entre o povo gentio, o povo louvou e glorificou a DEUS pelos resultados alcançados. A obra missionária deve promover a glória de DEUS. A glória de DEUS deve ser a motivação para o plantio de igrejas. Infelizmente, líderes estão plantando igrejas pelas motivações erradas. Muitos iniciam uma plantação de igreja desejosos de construir uma comunidade segundo os seus próprios padrões. Insatisfeitos com a sua igreja de origem, iniciam a plantação de uma nova igreja, que apresente para a sociedade algo nunca visto antes, uma administração enxuta, músicas e pregações denominadas contemporâneas e principalmente, uma eclesiologia onde a liderança pastoral não possa ser questionada. Alguns líderes desejam começar uma nova igreja fundamentadas nos princípios antigos, que segundo eles, foram abandonados pela igreja atual. Na verdade, isso tudo não passa de motivação errada. O plantio de novas igreja tem como propósito glorificar a DEUS.

O plantio de igreja deve acontecer em lugares estratégicos (v.21). Paulo e Barnabé plantaram as igrejas em lugares estratégicos. Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia, Atalaia e Panfília eram todas cidades fronteiriças [2]. Todas essas cidades eram colônias romanas [3]. Derbe era a cidade mais importante da fronteira, Antioquia da Pisídia, a cidade mais importante da Gálacia, Atalia possuía um porto marítimo e a Panfília possuía uma população multiétnica [4]. Todas essas cidades eram rotas de comércio, por estarem localizadas na fronteira, tinham um fluxo de viajantes, pessoas entravam e saíam das cidades [5]. Por serem cidades de fronteira, provavelmente o EVANGELHO tenha chegado a lugares longínquos que os apóstolos não foram. A estratégia não foi definida pelo Espírito Santo (Atos 13.4). Os missionários foram enviados pelo Espírito Santo para as cidades onde plantaram as igrejas. Pelotas é uma cidade estratégica para o plantio de novas igrejas. É a maior cidade da região sul, com 341 mil habitantes [6]. Jovens de todas regiões do Brasil vêm estudar na Universidade Federal de Pelotas. Pessoas de cidades menores dos arredores, vêm morar e trabalhar na cidade. Pelotas é uma excelente oportunidade para o plantio de igrejas. Devemos aproveitar essa oportunidade oferecida por DEUS.

Certa vez, o gerente de uma loja resolveu tirar férias e acampar com a família à beira de um belo rio nas proximidades da sua cidade. Ao procurar um lugar especial para lançar o seu anzol, acabou encontrando um velho pescador que já estava pescando por lá havia algum tempo. Ao observá-lo por alguns minutos, notou que ele media todo peixe que pegava com a palma de sua mão, de modo que, os peixes maiores que sua mão aberta eram soltos novamente no rio, enquanto os menores eram guardados. Curioso com este novo método de pescaria, o gerente aproximou-se do velho e foi logo perguntando: – Bom dia, desculpe incomodá-lo, mas estive observando o senhor por algumas horas e estou muito intrigado em saber porque guarda somente os peixes menores que sua mão e solta no rio os peixes maiores. O velho com muita tranquilidade respondeu: – É simples meu jovem, é que este é o tamanho de minha frigideira.

As oportunidades são do tamanho da nossa frigideira. A frigideira representa a nossa fé e a nossa visão, quanto maior elas forem, maior será as nossas conquistas. Diante da oportunidade de plantar uma nova igreja na cidade de Pelotas, qual é o tamanho da nossa frigideira?

Pastor Olavo Vigil
Referências
[1] Jader Moreci Teixeira, mais conhecido como Leonardo (Bagé, 30 de novembro de 1938 – Viamão, 7 de março de 2010), foi um músico, cantor e compositor brasileiro de música regional gaúcha. Ficou muito famoso com o grande sucesso da música “Céu, Sol, Sul, Terra e Cor”, composição sua considerada hoje a música símbolo do Rio Grande do Sul.
[2] CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo: Volume 3: Atos, Romanos. São Paulo: Editora Hagnos, p297.
[3] Ibidem
[4] Ibidem
[5] Ibidem
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Pelotas

Juntos


Texto base: Atos dos Apóstolos 13.1-5

“Como em qualquer esfera da vida, damos mais valor àquilo que lutamos por conquistar”. (Richard Sennett)

Estando nos últimos momentos de vida, certo pai reuniu seus oito filhos para dar-lhes o último conselho. Toma nas mãos uma vara e a passa ao mais velho e lhe diz: – Quebre-a! Assim fez o rapaz, quebrando a vara sem nenhuma dificuldade. O pai, em seguida, toma a vara quebrada e a parte, fazendo oito gravetos. Ao formar um feixe, o entrega ao filho primogênito, e diz: – Tente quebrar o feixe. O jovem tentou, usou toda a sua força, e nada conseguiu. O pai então fala: – Se vocês estiverem desunidos, serão facilmente vencidos. No entanto, se estiverem unidos, vocês vencerão todas as lutas da vida. Somos filhos de DEUS, se nos mantivermos juntos seremos fortes e invencíveis. JUNTOS; esse é o tema da nossa campanha de Missões Estaduais 2020.

A unidade da igreja promove a obra missionária. Chamo a atenção para três ações da igreja de Antioquia da Pisídia: “adoravam” (v.2), “enviaram” (v.3) e “proclamaram” (v.5). Os três verbos estão no plural, indicando que foram ações coletivas. Isso nos ensina que somente JUNTOS podemos realizar a obra missionária.

Juntos avançaremos na obra missionária. Vejamos três ações para juntos avançarmos na obra missionária:

Juntos oremos pela obra missionária (v.2). Enquanto eles buscavam ao SENHOR receberam a resposta. As respostas que precisamos para o campo missionário são encontradas na oração. Três considerações acerca da oração missionária:

A oração abre portas para o avanço missionário (Cl 4.3). Encarcerado, Paulo pediu aos irmãos da igreja de Colossos que orassem para que DEUS abrisse portas. Para que ele juntamente com os seus companheiros conseguissem pregar o EVANGELHO. Devemos orar constantemente para que os corações sejam preparados para receber o testemunho missionário. Assim, como preparamos a terra antes de lançar a semente, devemos preparar os corações com oração para receber o Evangelho.

A oração desperta vocacionados para o campo missionário (Mt 9.38). Há muito campo para ser conquistado para CRISTO, por isso precisamos de vocacionados. De pessoas que digam sim para o chamado do SENHOR e vão para os campos plantar igrejas. Devemos orar por vocacionados.

A oração é fonte de poder (2 Co 10.4). Não precisamos temer nenhuma força inimiga, artimanhas humanas ou satânicas, projeto de lei contra a igreja ou perseguição, porque temos a arma mais poderosa à nossa disposição: a oração. O poder para o avanço da obra missionária está na oração da igreja. O missionário Batista, que atuou na Birmânia, Adoniram Judson Jr. disse: “Muitos crentes consagrados jamais atingirão os campos missionários com os seus próprios pés, mas poderão alcançá-los com os seus joelhos.” Era comum os seminaristas, dos dias de Spurgeon, visitarem o pregador para aprenderem algo com o grande ganhador de almas. O templo em que Spurgeon pregava possuía um sistema de aquecimento para esquentar o edifício durante o inverno, como é comum nos países da Europa. Ocorreu, porém, que numa manhã de inverno, alguns seminaristas chegaram bem cedo para ouvir o grande evangelista. Ao chegarem, um diácono saiu-lhes ao encontro. E depois de tomar ciência de que se tratavam de futuros pastores, convidou-os a conhecer o sistema de aquecimento da igreja. Passaram por algumas portas, quando de repente chegaram a uma sala onde cerca de 200 pessoas clamavam a DEUS pelo culto, pelas visitantes e pelo pregador. Juntos devemos aquecer o campo missionário com as nossas orações.

Juntos enviemos os missionários para os campos (v.3). Barnabé e Saulo foram enviados pela igreja, depois João Marcos se juntou a eles. Eles não foram para o campo missionário por iniciativa própria. Foram enviados pela igreja por ordem do ESPÍRITO SANTO. Somente a igreja tem a autoridade de enviar os missionários para o campo. Uma agência missionária ou uma associação pode ser parceira na gestão e no sustento missionário, mas somente a igreja tem a autoridade de enviar pessoas para o campo. A tarefa da igreja é despertar vocacionados, equipá-los e enviá-los para o campo missionário. Nenhum vocacionado vai sozinho para o campo, a igreja vai junto, através do sustento financeiro, das orações e do apoio logístico.

Juntos também enviemos o sustento (Fp 4.15). O apóstolo Paulo agradeceu a igreja que ele mesmo havia plantado, em sua segunda viagem missionária pelas ofertas que recebeu para o sustento missionário.
Em 22 de dezembro de 2017, participei do Culto de Consagração da Capela da Igreja Batista em Arroio dos Ratos, RS. Foi possível ver a força da cooperação, que é uma das características dos batistas. Graças à cooperação dos batistas a cidade de Arroio dos Ratos foi abençoada com uma igreja. A capela foi doação dos irmãos norte-americanos, que enviaram uma caravana para construí-la, o missionário que lidera a igreja foi enviado por uma igreja do estado do Rio de Janeiro através da Junta de Missões Nacionais. Os demais investimentos da obra missionária ficaram por conta IB Central de Porto Alegre, RS, igreja mãe, pertencente à Convenção Batista Gaúcha. JUNTOS foi a palavra que possibilitou o plantio da igreja: A igreja Batista do Rio de Janeiro enviou o casal missionário, Missões Nacionais captou os recursos, a IB Central de Porto Alegre, que é a igreja mãe, os irmãos norte-americanos que construíram a capela e a Convenção Batista Gaúcha. O missionário e mais cinco instituições cooperaram.

Juntos proclamemos o evangelho (v.5). O texto não diz “proclamou”, o que seria uma ação individual, o texto diz “proclamaram”, indicando uma ação coletiva. Paulo, Barnabé e João Marcos proclamaram o Evangelho de DEUS. A proclamação do Evangelho não é uma ação solitária, é uma ação coletiva. Fazemos isso como comunidade. Não é um indivíduo que prega o Evangelho, é a igreja. Devemos trabalhar juntos para que o Evangelho seja proclamado a todos. Quanto mais pessoas se envolverem na proclamação, mais pessoas ouvirão do Evangelho. Quantos mais pessoas se envolverem na proclamação do Evangelho, mais rápido o inferno será saqueado. O avivalista John Wesley varreu a Inglaterra com a proclamação do Evangelho. Deixou um legado para as futuras gerações, que é o movimento Metodista, que continua proclamando o Evangelho nos dias de hoje. Mas ele não fez isso sozinho, ele contou com a cooperação de outros homens de DEUS. Certa feita, ele disse: “Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo”. Na tarde do dia 31 de janeiro de 1965, no Estádio do Maracanã, abarrotado de pessoas, foi realizada a Abertura oficial da Campanha Nacional de Evangelização, a maior campanha Batista de todos os tempos, com o tema: JESUS a Única Esperança, liderada pelo pastor Rubens Lopes. Duas mil igrejas, duzentos e cinquenta mil membros e presença em todo o território nacional, esses foram os alvos dos Batistas para o ano de 1965. Chegou o tempo de repetirmos tal façanha, porém, em solo gaúcho. Juntos, somente juntos, alcançaremos o Estado do Rio Grande do Sul para JESUS.

JUNTOS avançaremos na obra missionária. JUNTOS orando, JUNTOS enviando os missionários para os campos e JUNTOS proclamando o Evangelho. Encerro com as palavras que Calebe proferiu ao voltar da missão de reconhecimento: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!” (Nm 13.30b).

Pastor Olavo Vigil

O propósito das provações

Texto base: Tiago 1.1-4

“A pedra preciosa não pode ser polida sem fricção, nem o homem aperfeiçoado sem provação”. (Confúcio)

A nossa fé se demonstra verdadeiramente sólida quando somos provados. As provações podem vir de diferentes circunstâncias, nas quais nossas convicções são testadas e nosso posicionamento é exigido. A maneira como nos posicionamos diante das provações certificam a veracidade de nossa fé. Assim sendo, podemos considerar três afirmações sobre as provações:

As provações são inerentes à vida cristã. Todos passamos por provações, mas, infelizmente, não sabemos como lidar com elas.

As provações são passageiras (Tg 1.2). O versículo diz “passardes”, verbo que está no futuro do subjuntivo, o versículo não diz “permanecerdes nas provações”. Significa que as provações são passageiras, portanto, tenha certeza de que as provações são momentâneas e têm o propósito de aperfeiçoar o caráter cristão.

As provações são andragógicas. Da mesma forma que a pedagogia é voltada para o ensino de crianças, a Andragogia é voltada para o ensino de adultos. Como na escola ou na universidade, o aluno somente avança para o próximo estágio quando é aprovado no estágio em que está. Para avançar é preciso ter aprendido. O filosofo William Ernest escreveu: “As únicas desgraças completas são as desgraças com as quais nada aprendemos”.

As provações desenvolvem uma fé constante e inabalável. Três propósitos são alcançados como resultado das provações:

As provações resultam em perseverança (v.3). Perseverança é uma palavra que ocorre 6 vezes na carta de Tiago (1.3, 1.4, 1.12, 1.25, 5.11). Nela, os seus leitores são encorajados a perseverarem diante das dificuldades e das provações. A vida cristã é uma jornada de perseverança. Somos desafiados a perseverar nas adversidades extremas. A perseverança é resultado da fé em JESUS.
Não persevero para ser salvo, persevero porque sou salvo. O versículo 3 diz que a fé produz perseverança. O discípulo persevera nas adversidades por causa de sua fé, que o mantém firme e constante. A única exigência para uma pessoa ser salva da condenação eterna é crer em JESUS.
As provações testam a fé verdadeira. Se uma pessoa tem fé verdadeira, ela irá permanecer em JESUS nas circunstâncias mais difíceis. Se na provação a pessoa esmorece e abandona a jornada é porque ela nunca teve uma fé genuína. Esse é um dos propósitos da provação: testar a fé verdadeira.

As provações resultam em maturidade (v.4). O que significa maturidade? Segundo o dicionário de língua portuguesa, maturidade significa condição de plenitude ou último estágio do desenvolvimento. Costumamos dizer que uma pessoa é madura quando ela demonstra experiência em lidar com as adversidades. No texto bíblico maturidade, do grego (teleioi), significa uma pessoa completa. Em Mateus 5.48, também encontramos o termo grego (teleioi), porém, traduzido como perfeito. Nunca seremos perfeitos como DEUS. Bem como, nem toda a pessoa com mais tempo de vida é madura (cf. Ec 4.13). Há pessoas que não crescem. Passam por inúmeras dificuldades ao longo da sua vida, mas não aprendem. Ao contrário de muitos jovens que rapidamente colocam em prática o conhecimento adquirido mostrando-se maduros. O que DEUS espera de nós é que sejamos maduros (completos). Mas essa maturidade é alcançada somente pelas provações.

As provações resultam em integridade (v.4). Observe bem o texto: a fim de que vocês sejam maduros e íntegros. O propósito da provação é testar a integridade. A palavra grega usada neste versículo, (holokleroi), significa “irrepreensível”. A mesma palavra usada em 1 Tessalonicenses 5.23: Irrepreensível significa que não tenhamos falta de nada. As provações que atravessamos objetivam preencher as lacunas em nossa vida. Não gostamos de passar por provações porque elas revelam as nossas fragilidades. Empresas investem altas quantias em consultorias para descobrirem os pontos fracos da gestão e de áreas que precisam melhorar para que atinjam os seus resultados. Semelhantemente, as provações contribuem para realizarmos uma autoavaliação. Davi orou desta maneira: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno”. (Salmos 139.23-24). Se queremos ter uma vida cristã que alcance os propósitos eternos, precisamos ser provados e aprovados.

Certa vez, uma grande árvore não resistiu à tempestade e tombou. Apesar de ser uma grande e bonita árvore, que oferecia abrigo para os pássaros e sombra para os homens, o seu tronco estava oco. Os cupins arruinaram o seu tronco, deixando somente a casca em boas condições. A tempestade mostrou aquilo que os dias de sol e primavera não foram capazes de revelar. As provações são como as tempestades, revelam as lacunas e buracos escondidos do caráter.

Pastor Olavo Vigil

Tenha atitude – II


“O homem que a dor não educou, sempre será uma criança”. (Niccolò Tommasèo)

Em meio à discussão a respeito dos dons que os discípulos receberam de DEUS, o apóstolo Paulo compôs um hino ao amor, o amor que vem de DEUS e se encarnou em JESUS. O apóstolo não coloca o amor entre os dons que DEUS dá, mas o apresenta como um caminho muito mais excelente, pois os dons variam de acordo com a vontade de DEUS, mas o amor é para todos. Os dons durarão pouco tempo, o amor é para sempre (v.8). Sem o amor, os dons têm pouco valor. O que o apóstolo Paulo está dizendo é que os dons não terão importância alguma quando vier o que é PERFEITO. Ele está fazendo referência a JESUS, CRISTO é PERFEITO. Diante da perfeição, majestade e grandeza de JESUS, quem se importa com os dons? Por isso, Paulo está dizendo que os coríntios não deviam pensar e agir como crianças, preocupados com as coisas efêmeras, mas com o que haveria de vir. Quando JESUS vier, tudo mais não passará de refugo.O Warren W. Wiersbe, ao comentar este texto escreveu: “As crianças vivem em função de coisas efêmeras, os adultos vivem em função de coisas permanentes”.

O apóstolo Paulo diz que quando era menino pensava como menino. A palavra grega usada para pensar é phonesis, que significa ter pensamentos e atitudes. “Phonesis” é muito mais que pensar, é ter consciência, vontade e atitude. O apóstolo está dizendo que os coríntios estavam pensando e agindo como crianças.

Há pessoas que sofrem da Síndrome de Peter Pan. Isso nos faz lembrar do desenho de Walt Disney, no qual Peter Pan é um menino que se recusa a crescer e passa a vida, tendo aventuras mágicas. De acordo com o psicólogo Dan Kiley, no seu livro publicado, em 1983, intitulado a Síndrome de Peter Pan, essa síndrome é caracterizada pela dificuldade de o indivíduo amadurecer e assumir responsabilidades de um adulto. A síndrome o faz agir constantemente de forma infantil, imatura, rebelde e inconsequente. E mesmo assim, querer ser compreendido e aceito nessa forma de ser e agir. De acordo com o estudioso, essa resistência em crescer é mais comum entre os homens e pode afetar a vida acadêmica, profissional e sentimental daqueles que perpetuam comportamentos infantis.

Na vida cristã também há pessoas que sofrem da Síndrome de Peter Pan, elas apresentam as seguintes características:

Egoísmo. Uma das características da criança é ser egoísta. De acordo com o biólogo Piaget, de 0 aos 7 anos o egoísmo é muito latente nas ações da criança. Nessa fase ela tem muita dificuldade de compartilhar seus brinquedos e alimentos. O mundo gira em torno dela. Ela não tem deveres, somente direitos. Altruísmo, empatia e compaixão são inerentes ao caráter do discípulo. Mas, lamentavelmente, há discípulos que não cresceram, são egoístas e clientes dos serviços da igreja. Esperam ser servidos sempre, tendo somente direitos e nunca deveres.

Descomprometimento. Uma coisa que a criança não tem é compromisso. Por exemplo, horário e sustento da casa são coisas que ela nem sabe que existe. Muitos juniores e adolescentes não têm compromisso consigo mesmos, vão para a escola obrigados pelos pais, salvo algumas exceções. Assim, são muitos crentes, não têm compromisso algum com JESUS e sua obra, mas afirmam serem discípulos DELE. A vida cristã exige do discípulo um alto nível de comprometimento. Em Lucas 14.25-33, JESUS conta duas pequenas parábolas para instruir a multidão que o seguia acerca do nível de compromisso esperado do discípulo. Ele fala a respeito da construção de uma torre, lembrando que antes de construí-la é necessário saber se há dinheiro suficiente para concluí-la. Caso contrário, a torre ficará inacabada e todos zombarão do construtor que não teve recursos para finalizá-la. Também fala de um rei que, antes de sair para o combate, deveria avaliar sua capacidade bélica, caso sua força seja inferior à do adversário, faria um acordo de paz. O que JESUS ensinou nesses textos é que aquele que deseja se tornar um seguidor Seu, deve pensar muito antes porque uma vez iniciada a caminhada com o MESTRE, não poderá voltar atrás. Com JESUS é tudo ou nada.

Imediatista. A criança quer tudo para “ontem”. Não tem paciência para esperar.
Por mais que o adulto explique a ela que ainda não é possível, que está fora de tempo ou somente quando receber o salário, não adianta, a criança quer imediatamente. O imediatismo é uma das marcas desta geração. Os crentes se comportam como crianças, não têm paciência para passar pelos processos de amadurecimento.

Na jornada cristã passamos por vários estágios e processos que formam o caráter de JESUS em nós. Certa vez, conversava com um médico anestesista que contou que há muitos anos atrás saiu de Porto Alegre e foi para a Universidade Federal do Rio de Janeiro para estudar medicina. Segundo ele, os primeiros meses foram uma decepção. Havia pensado que, no primeiro mês com um bisturi na mão, iniciaria a praticar as cirurgias, desconsiderando os processos necessários para a sua formação profissional. Semelhantemente, o crente imaturo desconsidera os processos e deseja que tudo aconteça imediatamente.

Na carta aos Filipenses 2.5, Paulo diz que temos que ter a mesma “Phonesis” de JESUS. O mesmo modo de pensar e agir de JESUS. Pensar e agir como JESUS é uma ordem, não é uma sugestão. É um imperativo: “Seja a atitude de vocês a mesma”, na tradução ARA diz: Tende em vós o mesmo sentimento”.

Pastor Olavo Vigil

Tenha as mesmas atitudes de Jesus

Texto base: Filipenses 2.3-5

Na carta aos Filipenses 2.5, Paulo diz que temos que ter a mesma “Phonesis” de JESUS. O mesmo modo de pensar e agir de JESUS. Pensar e agir como JESUS é uma ordem, não é uma sugestão. É um imperativo: “Seja a atitude de vocês a mesma”, na tradução ARA diz: Tende em vós o mesmo sentimento”.

Seja altruísta (Fp 2.3-4). O que é ser altruísta? É colocar as necessidades dos outros em primeiro lugar. É se preocupar mais com outros do que consigo mesmo. Esse foi o modo de pensar e de agir de JESUS. A vida cristã é o oposto de egoísmo. Devemos nos preocupar muito mais com os outros e com a obra de JESUS do que em nós mesmos. Martin Luther King Jr, disse: “Cada homem deve decidir se deseja caminhar na luz do altruísmo criativo ou na escuridão do egoísmo destrutivo. A questão é: O que você está fazendo pelo seu próximo?” É imperativo que a igreja seja altruísta. Que ela pense e responda às necessidades de um mundo perdido em suas próprias carências. Certa vez, um homem que foi visitar um farol disse ao faroleiro: – O senhor não se apavora de viver aqui sozinho? Que terrível este lugar para se permanecer nele! – Não, respondeu o faroleiro. Não tenho medo. Aqui nunca pensamos em nós mesmos. – Como é isto!? Nunca pensam em si mesmos!? Questionou o homem. – Para nós não há dias festivos. Não me lembro qual foi a última vez que passei o Natal ou a Páscoa com a minha querida família. – Nos preocupamos unicamente em ter as nossas lâmpadas brilhando e nossos refletores bem limpos, de modo que aqueles que se acham em perigo, possam ser salvos. Finalizou o faroleiro. Assim devemos pensar e agir! Nos preocuparmos mais com os perdidos do que conosco.

Seja obediente (Fp 2.8). O texto diz que JESUS foi obediente até a morte. No poço de Jacó, JESUS disse para os discípulos que a sua comida era fazer a vontade daquele que o enviou (cf. Jo 4.34). O que DEUS espera de seus filhos é que eles sejam obedientes. A obediência é a maior prova de amor. JESUS foi obediente até a morte, por amor a DEUS e aos pecadores. Se afirmamos que amamos a DEUS e não obedecemos Sua vontade, então não o amamos (cf. 1 Jo 5.3). Obediência à vontade de DEUS é uma demonstração de maturidade. Diante dos desafios, e, principalmente, pela falta de resultados nos tornamos desobedientes. Oramos, lemos a Bíblia e frequentamos a igreja, mesmo assim, não vemos os resultados práticos disso: o filho ainda permanece rebelde, o cônjuge continua incrédulo e a pessoa que amamos prossegue internada na UTI. A obediência à JESUS é ultracircunstancial.

Conta-se uma história que DEUS chamou um homem e lhe deu a seguinte tarefa: – “Quero que você empurre essa pedra sem parar, que nada o interrompa de empurrá-la, empurre-a com toda sua força e toda a sua vontade.” Surpreso, o homem resolveu obedecer. Dia a dia ele pelejava com seus ombros escorados na fria e maciça superfície da pedra, empurrando-a com toda a sua força, mas ela não se mexia. E cada noite, aborrecido, retornava à sua casa, sentindo que o seu esforço era em vão. Percebendo o desânimo do homem, Satanás entrou em cena, sussurrando pensamentos na mente desgastada do homem: “Você tem empurrado essa pedra por tanto tempo, e ela ainda não se moveu. Não acha melhor desistir? Deixe essa tarefa para outro.” Esses pensamentos minavam o espírito dele e davam-lhe a impressão de que era um fracassado. Pensando em desistir, elevou seus pensamentos em oração e disse: – “SENHOR, tenho trabalhado duro e por muito tempo em Seu serviço, colocando toda a minha força para fazer aquilo que o SENHOR me mandou realizar, entretanto, após todo esse tempo não consegui mover a pedra nem um milímetro. O que está errado? Em que tenho falhado?” O SENHOR, em sua infinita misericórdia e conhecendo a aflição que tomava conta daquele coração, respondeu-lhe: – “Meu filho, quando eu lhe disse para me servir e você aceitou, expliquei-lhe que o seu trabalho seria empurrar a pedra todos os dias, e é o que você tem feito. Eu nunca lhe ordenei que a movesse. Olhe para os seus braços, suas mãos e pernas e veja como estão fortes e firmes. Eu o chamei para empurrar a pedra, exercitando sua força e confiança na minha Palavra. Você fez exatamente o que lhe pedi, agora, Eu mesmo moverei a pedra.

Devemos somente obedecer, os resultados não são por nossa conta.

Qual será a sua atitude? A de uma criança ou a de JESUS?

Você tem sido altruísta e obediente, mas pela falta de resultados está desanimado? Prossiga com a mesma atitude de JESUS, que DEUS lhe dê ânimo dobrado.

Pastor Olavo Vigil

As consequências da falta de disciplina

Texto base: 1 Samuel 3.11-17

“Se a criança não aprende a obedecer em casa, terá dificuldade em obedecer à lei, às autoridades constituídas e até mesmo a DEUS”. (Howard G. Hendricks)

As consequências da falta de disciplina são destruidoras. Vejamos as consequências da falta de disciplina:

A falta de disciplina destrói o relacionamento com DEUS (2.29). Eli sabendo da gravidade do pecado dos seus filhos não os disciplinou. Mesmo ciente de sua reponsabilidade de sacerdote e pai não corrigiu o caminho dos filhos. O coração de Eli estava inclinado em não aborrecer os filhos, ainda que sua atitude desagradasse ao SENHOR. Eli estava tão obstinado em agradar aos seus filhos, o mesmo quanto os seus filhos estavam em permanecer no pecado. A falta de disciplina é pecado (cf. Jr 17.23), e o pecado nos afasta de DEUS (cf. Rm 3.23). Quantas famílias estão se afastando de DEUS e dos Seus planos por causa da falta de disciplina?

A falta de disciplina destrói os filhos (v.13). DEUS já havia revelado o que faria com a família de Eli (1Sm 2.11-18). O julgamento de DEUS estava decretado sobre Eli e seus filhos. A falta de disciplina ocasionou na morte de Hofni e Finéias. Possivelmente, Eli não disciplinou os seus filhos porque os amava. Muitos pais usam o amor como desculpa para negligenciar a aplicação da disciplina na vida de seus filhos. Mas a verdade bíblica é que a falta de amor destrói os filhos (cf. Pv 13.24). Onde falta a disciplina, falta o amor. A falta de disciplina ceifou Hofni e Finéias. Infelizmente a muitos filhos estão morrendo por falta de disciplina. A Bíblia ensina que disciplina livra os filhos da morte, a falta dela cava a sepultura dos filhos (cf. Pv 23.13-14). Quantos filhos estão cavando a sua própria sepultura pela negligência de seus pais em discipliná-los?

A falta de disciplina destrói a sociedade (2.23). O povo estava sofrendo com os escândalos e práticas pecaminosas dos filhos de Eli. A falta de disciplina na casa de Eli teve consequências terríveis para o povo de Israel. Da mesma forma, a sociedade sofre pela falta de disciplina. Quando pais negligenciam a aplicação da disciplina na vida dos filhos, a sociedade sofre com alunos violentos, com usuários de drogas, com pichadores, com vândalos e outros. Quando um aluno agride verbalmente um professor, provavelmente ele já fizera isso em casa. A sociedade sofre as consequências da negligência dos pais em disciplinar os seus filhos.

Pastor Olavo Vigil