O filho mais novo


Texto base: Lucas 15.11-32

“Sem um arrependimento profundo e duradouro, a vida cristã não passa de desperdício”. (Russel Shedd)

Essa é a Parábola mais conhecida da Bíblia. Somente Lucas 15 registra essa Parábola. A Parábola apresenta três personagens: O pai (vv.11-32), O filho mais novo (vv.11-24) e o filho mais velho (vv.25-32), vamos focar no filho mais novo. O filho mais novo é hedonista, procura o seu prazer a qualquer preço, ainda que custe o sofrimento dos outros. Há pessoas que agem desta maneira, ainda que custe a tristeza e sofrimento de outro, vai fazer de tudo para saciar o seu desejo. Vejamos três verdades acerca do filho mais novo:

Quer as bênçãos do Pai, mas não quer o Pai. De acordo com a Lei de Moisés o filho mais novo tinha direito a um terço da herança e o primogênito a dois terços (cf. Dt 21.17). Ainda com o pai em vida o filho mais novo pede a sua parte na herança. É muito comum os filhos repartirem a herança após a morte do pai, mas não enquanto ele vive. O filho quer a herança do pai e não quer o pai. Agimos da mesma maneira, queremos as bênçãos de DEUS, ao invés do abençoador. As pessoas procuram as igrejas em busca de conforto e consolo. Elas querem saúde, prosperidade financeira, casamento e família abençoada. Vem a procura de DEUS para se sentir melhor. Como se DEUS fosse um frasco de analgésico na prateleira. Querem somente o que DEUS tem a oferecer, não querem compromisso com ELE. Dietrich Bonhoeffer disse: “Os homens em sua angústia chegam a DEUS, imploram ajuda, felicidade, pão; que salve da dor, da culpa e da morte os seus. Assim fazem todos: cristãos e pagãos”. Queremos as bênçãos de DEUS e viver longe DELE ao mesmo tempo. O filho mais novo foi viver distante, longe da casa do pai. Muitas pessoas agem assim, não querem viver perto de DEUS, somente usufruir de Sua bênção. O que você quer: DEUS ou somente as bênçãos de DEUS? Mais importante que as bênçãos é ter o abençoador contigo.

Desperdiça a vida naquilo que não recompensa. Sua recompensa foi miséria, fome, vergonha e abandono. Este é o resultado de uma vida sem DEUS. A vida sem DEUS não compensa. A maior riqueza que recebemos de DEUS é a vida e devemos vivê-la com propósito. A primeira frase do Catecismo Curto de Westminster: “Finalidade do homem é glorificar a DEUS e regozijar nele para sempre”. O filho mais novo desperdiçou seu tempo. O texto não fala quanto tempo ele ficou fora, mas ele passou um certo tempo longe da casa do pai. Ele volta arrependido e ciente que o tempo que passou fora da casa de seu pai foi um desperdício. A vida é curta para desperdiçarmos um dia se quer longe de DEUS. Desperdiçou os seus recursos. Todos os recursos que ele recebeu do pai, ele usou sem propósito. Da mesma forma, desperdiçamos o que recebemos de DEUS. Nossa saúde, nosso dinheiro e bens investidos naquilo que não glorifica a DEUS é desperdício. Ele também desperdiçou a sua alma. O porco é considerado um animal imundo para os judeus. Na parábola, o porco simboliza o pecado. Ele chegou no fundo do poço – “estava a atolado no pecado”, “ele perdeu a alma”. Charles Swindoll: “A vida é como uma moeda. Você pode gastá-lo de qualquer maneira que você quiser, mas você só gasta uma vez”.

A vida não é a respeito de ti, mas de DEUS. A parábola não é sobre o filho pródigo é sobre o Pai que tinha dois filhos. A parábola deveria se chamar “A Parábola do Pai”. O que a parábola ensina é que a vida diz respeito ao que DEUS quer fazer na minha vida e através dela. Não é o que eu penso e quero da minha vida, mas o que DEUS deseja da minha vida. A parábola dá maior ênfase no Pai amoroso que nos filhos pecadores. DEUS é o centro de tudo. O texto fala de dois filhos hedonistas e egoístas, que acham que o pai tem que satisfazer todos os desejos deles. Nenhum dos filhos se satisfazem no pai, mas nas coisas do pai. Os dois filhos são auto suficientes, acham que poderão viver sem o pai. Agimos da mesma maneira, achamos que podemos viver sem DEUS. Achamos que devemos ser o centro de tudo e que DEUS deve satisfazer os nossos desejos. A vida não é a respeito de você, mas a respeito de DEUS. Por isso, pare de lutar contra vontade de DEUS e renda-se a ELE.

Reconheça que depende do PAI. Ele reconheceu que na casa do pai ele seria suprido de todas as suas necessidades. Volte para a comunhão com o Pai. Ele não quer mais passar um dia longe da presença de seu pai. Reconheça que não é merecedor do amor do pai. Não há nada que nos torne dignos do amor de DEUS. Não somos merecedores do amor de DEUS, mas ELE nos ama incondicionalmente.

Pastor Olavo Vigil

Próximos da igreja, porém distantes de Deus

Texto base: 1 Samuel 2.12-26

“O homem longe de DEUS é como uma arvore cortada no tronco. Embora a árvore mantenha sua beleza por um tempo, ela está destinada a murchar e morrer.” (V. B. dos Santos)

Hofni e Finéias nasceram e cresceram no Tabernáculo. Eles eram filhos de sacerdote, desde a infância aprenderam as sagradas letras com o pai. Eles nunca faltaram os cultos e nem as atividades do Tabernáculo. Ao crescerem se tornaram sacerdotes. Passaram a liderar todos os rituais no Tabernáculo. Eli estava idoso e já não enxergava mais, então os deixou a frente do Tabernáculo como representantes de DEUS. Somente seus corpos cresceram no Tabernáculo, o coração e a mente cresceram em outro lugar. Assim também acontece com muitos. Nascem e crescem na igreja, frequentam e participam de todas as atividades da igreja, ao mesmo tempo estão distantes de DEUS. Os filhos de Eli eram assim: próximos da igreja, mas distantes de DEUS. Vejamos características dos filhos de Eli:

Retêm o que pertence a DEUS (v.16.). Infelizmente fazemos o mesmo. Imitamos o comportamento de Hofni e Finéias quando retemos os nossos dízimos e ofertas. Quando retemos parte dos recursos e usamos eles como bem entendemos estamos pecando.
Relações sexuais fora do casamento (v.22). Era permitido ao sacerdote constituir família (Lv 21.31). Deveria ter um matrimônio consagrado a DEUS e que servisse de exemplo para o povo. O sexo antes e fora do casamento nunca fez parte do padrão que DEUS estabelecera para o homem e para a mulher. Somos uma geração de sacerdotes e devemos viver os padrões que DEUS estabelecera (cf. 1 Pe 2.5,9).

Mal testemunho (v.23). Observe o texto: “De todo o povo ouço a respeito do mal que vocês fazem”. Eli afirma que todo o povo está falando mal de Hofni e Finéias. As orgias sexuais e a ganância dos filhos de Eli eram conhecidas de todo o povo. O povo de Israel que subia anualmente à Siló para oferecem os sacrifícios a DEUS, não suportava mais o comportamento de Hofni e Finéais. O povo era explorado, as suas ofertas eram saqueadas e suas vidas eram ameaçadas. Era um momento escuro para o povo de Israel, as visões e a Palavra de DEUS se tornaram raras pela falta de temor e mau testemunho dos filhos de Eli. Vejamos as consequências do mau testemunho:

Tira o crédito da pregação. A pregação não acontece sozinha. A pregação precisa de alguém que a comunique. Se o mensageiro não tiver uma vida coerente com a sua mensagem, as pessoas nunca receberão a mensagem.
Afasta as pessoas de DEUS. Quantas pessoas conhecemos que se afastaram da igreja por causa de mau testemunho?

Auto destruição. O SENHOR JESUS disse que o mau testemunho e os escândalos seriam inevitáveis, mas afirmou que exerceria a Sua justiça sobre a vida daquele que for a causa do escândalo (cf. Mt 18.6-7).

Desonram seus líderes (v.24). “Não é bom o que escuto”. Eli foi desonrado publicamente. O pecado dos seus filhos estava exposto diante de todo o Israel. Todo o povo comentava acerca das orgias sexuais e das extorsões praticadas por Hofni e Finéias. A alma de Eli foi esmagada pela vergonha e a humilhação em que seus filhos o submeteram. Hofni e Finéias quebraram um dos mandamentos de DEUS: Honra teu pai e tua mãe.

A quebra deste mandamento atinge primeiro a DEUS, que também é desonrado quando não obedecemos a sua Palavra. Ao ofendermos os nossos pais, líderes, professores e demais autoridades, estamos ofendendo diretamente a DEUS por não cumprir a Suas leis (cf. Rm 13.1-7).

Em segundo, a quebra deste mandamento envergonha e desanima os pais e os líderes. O pais e líderes perdem a alegria e o ânimo de instruir e investir na vida de filhos e liderados que, deliberadamente, decidem permanecer no pecado. O que alegra os pais e líderes é acompanhar o desenvolvimento de filhos e liderados, ver o crescimento e sucesso deles em todos os setores da vida. Quando desonramos os nossos pais e líderes também estamos desonrando o nosso DEUS. Infelizmente muitos vivem desta maneira, nasceram e cresceram na igreja, conhecem as boas leis de DEUS, mas o desonram quando não praticam a Palavra, envergonhando os seus pais e líderes.

Não temem ao SENHOR (v.25). Observe o texto: “se pecar contra o Senhor, quem intercederá por ele?” O temor a DEUS é a chave para a sabedoria, a falta de temor é princípio da destruição (Pv 9.10). Os filhos de Eli foram destruídos por falta de temor a DEUS. Eles estavam tão envolvidos e embriagados pelo pecado que suas consciências já estavam cauterizadas pela iniquidade. Já não tinham mais capacidade para discernir entre o santo e o profano, entre o certo e o errado. A falta de temor a DEUS é o que leva o homem a mergulhar no rio do pecado, muitos são levados pela correnteza e nunca mais voltam das profundezas deste rio. Casamentos são destruídos, famílias são mutiladas e ministérios são encerrados pela falta de temor de homens e mulheres. A falta de temor faz que com pessoas permaneçam no pecado sem pensar na gravidade e nas consequências.

Incorrigíveis (v.25). O pecado compromete a audição. Hofni e Finéias foram incapazes de ouvirem os gritos de um pai que clamava pela vida deles. Os filhos de Eli estavam obstinados a permanecerem no pecado. Assim é o coração daquele que não permite a correção. A Bíblia chama de tolo aquele que rejeita a correção (Pv 12.1, 13.18, 15.32). Os filhos de Eli foram destruídos porque rejeitaram a correção do pai. Quantas pessoas estão correndo para a destruição por não aceitarem a correção da Palavra de DEUS (cf. 2 Tm 3.16)?

Há pessoas que estão próximas da igreja, mas, lamentavelmente, não temem a DEUS, por isso vivem enroladas em pecados. Por mais que frequentem os cultos e participem das atividades promovidas pela igreja, o seu coração é incorrigível.

Que o teu coração esteja cheio de temor a DEUS e humilde para aceitar a correção.

Pastor Olavo Vigil

A arca

“Então o Senhor disse a Noé: Entre na arca, você e sua família, porque você é o único justo que encontrei nesta geração”. (Gênesis 7.1)

A arca foi o meio usado por DEUS para preservar Noé e sua família do dilúvio. Hoje, as famílias estão sendo inundadas por um dilúvio de violência, de degradação dos valores morais e éticos, de vícios, abusos sexuais e tantas outras mazelas. Compartilho duas verdades que trazem esperança para as famílias:

JESUS é a arca. DEUS ama todas as famílias da nossa sociedade e não deseja que nenhuma família seja destruída, por isso Ele oferece um plano infalível e indestrutível: somente através do plano DEUS as famílias poderão ser salvas. Portanto, DEUS providenciou um meio para salvar as famílias deste terrível dilúvio: JESUS. Somente nEle as famílias encontrarão salvação (cf. Jo 14.6, At 4.12, 2 Tm 2.5-6). JESUS é a arca que salva a família do dilúvio da imoralidade, da ausência de valores e das dependências de toda natureza. As esperanças de Noé e sua família estavam na arca, não havia outro meio para que eles saíssem com vida do dilúvio. Da mesma forma você também deve colocar as suas esperanças em JESUS que é a arca para resgatar você e a sua família.

JESUS é a entrada: A ordem de DEUS para Noé foi: “- Entre na arca, você e sua família”. O que adiantaria uma grande embarcação capaz de comportar muitas pessoas e todas as espécies de animais, e também ser capaz de resistir ao forte dilúvio, se Noé e sua família não entrassem na arca. Se eles permanecessem do lado de fora da arca com certeza seriam destruídos. Muitas famílias estão perecendo porque estão do lado de fora da arca. Estão rejeitando a oferta de DEUS. JESUS disse: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”. (Jo 10.9).

Certa vez houve uma enchente que arrasou toda uma cidade. O nível da água subiu tanto que os moradores começaram a abandonar suas casas, utilizando botes e canoas para isso. Um homem subiu no telhado de sua casa juntamente com a sua família e ficaram lá, esperando a enchente acabar.

Enquanto ele esperava orou a DEUS dizendo: “Se o senhor existe, nos salve!”. Passaram uns vizinhos numa canoa que lhe disseram:- Vamos, depressa, venha conosco! E ele respondeu: – Não! DEUS nos salvará! O nível da água subiu mais um pouco, alcançou a altura do telhado em que estava o homem. Passou uma outra canoa em que muitas pessoas gritavam: – Venham rápido! Vocês vão morrer! E ele novamente respondeu: – Não! DEUS nos salvará! A água já estava cobrindo o telhado quando passou um helicóptero que tentava resgatar vítimas. O helicóptero ficou parado sobre a casa e uma corda foi lançada para resgatá-los. Alguém no helicóptero gritou: – Rápido!

Segurem a corda para que possamos salvá-los! Mas novamente o homem respondeu: – Não! DEUS nos salvará! Por fim, morreram afogados, levados pelas águas da enchente. Ao encontrar-se com DEUS o homem disse: – Oh DEUS! Por que o SENHOR não nos salvou? “Meu filho, eu não queria que você e sua família morressem afogados. Três vezes vocês rejeitaram a salvação. – Respondeu DEUS para ele. “Três vezes Senhor, como?” – ele respondeu. “Eu enviei os vizinhos como uma canoa, você rejeitou. Depois enviei outra canoa, novamente você rejeitou. Por fim mandei um helicóptero de resgate, mas você também recusou”.

Muitos agem da mesma forma rejeitando a salvação, muitas família estão perecendo por se recusarem a entrar na arca.

Na arca você e sua família encontrão paz e segurança. Somente em JESUS você e a sua família encontrão a salvação.

JESUS é a arca que salva você e a sua família. Entre na arca!

Pastor Olavo Vigil

Editorial especial do mês da EBD

A Escola Bíblica Dominical na vida dos batistas: A Primeira Igreja Batista de Pelotas na tessitura dessa drama

Estamos no mês de abril, o mês da EBD, sigla de Escola Bíblica Dominical. Neste ano, a EBD completa 240 anos de surgimento no mundo cristão. A escola dominical teve início com Robert Raikes, jornalista cristão que, sensível às necessidades das crianças pobres de Gloucester, cidade no interior da Inglaterra, percebeu que era necessário fazer alguma coisa para a formação educacional secular e bíblica. Como muitas daquelas crianças trabalhavam durante toda a semana e não tinham oportunidade de frequentar a escola, ele criou uma classe de alfabetização e de ensino bíblico, que passou a funcionar aos domingos. Isso aconteceu em 1780 e assim estava criada o projeto do que seria denominado, posteriormente, Escola Bíblica Dominical.

No Brasil, a EBD foi organizada há 165 anos, na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, graças à coragem e persistência de um casal de missionários escoceses – também chamado Robert, o Robert Kalley – com sua esposa Sara Kalley. Foram dois Roberts, homens de Deus apaixonados pela EBD. Em 1855, o casal Robert e Sara Kalley iniciou em um domingo uma classe de estudo bíblico para crianças e, no ano seguinte, uma classe para adultos. Estava iniciada a primeira EBD no Brasil.

Desde o início, Deus se preocupou com o conhecimento da parte do seu povo.

Deus falou a Moisés para que orientasse o povo com as seguintes palavras: “Esta é a lei, isto é, os decretos e as ordenanças que o Senhor, o seu Deus, ordenou que eu lhes ensinasse, para que vocês os cumpram na terra para a qual estão indo para dela tomar posse. Desse modo, vocês, seus filhos e seus netos temerão o Senhor, o seu Deus, e obedecerão a todos os seus decretos e mandamentos, que eu lhes ordeno, todos os dias da sua vida, para que tenham vida longa” (Deuteronômio 6:1-2 – NVI).
Nas páginas do Novo Testamento, vemos como Jesus dá atenção especial ao ensino, o que entusiasmava a quem o ouvia: “Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei” (Mateus 7:28-29 – NVI).

Paulo aos Efésios escreve sobre a importância do ensino: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:11-13 – NVI).
Portanto, é correto dizer que a EBD já era projeto de Deus para o seu povo através dos tempos. E, é nesse sentido, que a Primeira Igreja Batista de Pelotas foi pensada e projetada no coração de Deus para que, desde o seu princípio, trabalhasse com afinco na instrução bíblica por meio da EBD.

O inaugurador desta igreja foi o missionário Rev. Albert L. Dunstan que veio da Primeira Igreja Batista da Floresta, em Porto Alegre-RS, para evangelizar o povo Pelotense em meados de abril de 1922. O templo desta igreja foi inaugurado no dia 14 de novembro de 1922, com a presença de, aproximadamente, 400 pessoas, sendo que o Jornal Baptista de novembro de 1923, relatou que “a casa pouco mais pode conter a metade deste número” (JORNAL BAPTISTA, nº47, 1923, p. 05).

Desde a sua abertura, o Rev. Albert L. Dunstan utilizou como estratégia de evangelização o ensino e a instrução das Escrituras Sagradas, sendo que a EBD sempre era descrita como uma prática animada entre os seus frequentadores. Pode-se afirmar que no Estado do Rio Grande do Sul, as Escolas Dominicais nasceram, em regra geral, antes das próprias igrejas.

FONTE: O Jornal Baptista, 29 de dezembro de 1927, nº 52, ano XXVII, p. 16.
Em junho de 1926, a Escola Dominical da Primeira Batista de Pelotas já contava com a presença de 122 pessoas (JORNAL BAPTISTA, nº23, 1926, p. 15) e seu ensino era pautado nas verdades bíblicas e na esperança da vinda do Salvador Jesus Cristo para todos aqueles que cressem e praticassem o evangelho. As aulas eram realizadas “nos domingos, às 10 horas da manhã, e com acrescida frequência” (JORNAL BAPTISTA, nº43, 1926, p. 14).
No ano de 1929, a Escola Dominical já contava com 183 alunos e seus ensinamentos caracterizavam não apenas o aprendizado para uma vida cristã, mas a prática de uma igreja.

FONTE: O Jornal Baptista, 31 de outubro de 1929, nº 44, ano XXIX, p. 9.
A influência da Escola Bíblica Dominical é figurada na vida do irmão Eurico Wohlgemuth, reconhecido em 1926, como um aluno fiel da Escola Dominical da Primeira Igreja Batista de Pelotas. Ele, no dia 6 de março de 1926, faleceu com 13 anos de idade, porém, deixou o exemplo de fé a sua mãe, já que em suas últimas palavras disse: “Jesus está me chamando, quero ir” (JORNAL BAPTISTA, nº16, 1926, p. 15). Isso demonstrava a sua certeza na salvação e convicção das promessas deixadas por Jesus Cristo.

Atualmente, as aulas da Escola Bíblica Dominical acontecem todos os domingos, às 10 horas, e tem por objetivo promover o estudo sistemático da Palavra de Deus. Para isso, foi adotado a revista “Atitude” da editora Convicção, sendo promovidos estudos baseados nos tópicos oferecidos pela revista.

As classes são divididas em 6 etapas de acordo com as faixas etárias, sendo elas: Crianças (de 3 a 11 anos), Adolescentes (de 12 a 17 anos), Jovens (de 18 a 35 anos), Adultos (de 35 a 60 anos), MITI (Terceira Idade – 60 anos em diante) e Classe de doutrinas (com todas as faixa etárias, exceto as crianças, para os novos convertidos e não membros da Igreja).

Desse modo, podemos concluir que a Escola Bíblica Dominical é uma parte fundamental presente no trabalho dos Batistas do mundo todo e, principalmente, da Primeira Igreja Batista de Pelotas que desde a sua inauguração (1922) até os dias de hoje (2020), vem priorizando o estudo das escrituras e o acompanhamento de seus membros por meio da instrução bíblica, tendo trabalhado incansavelmente 98 anos com o objetivo de propagar o evangelho entre os pelotenses por meio da Escola Bíblica Dominical.

Que Deus fortaleça a Escola Bíblica Dominical nesta igreja e na nossa denominação Batista por todo o Brasil.

Prof.ª Dr.ª Luiza Fagundes Dias
Doutora em Educação (História e Sociologia da Educação) pela UFPel

Fotos de nossa EBD (antes da quarentena):

Evidências da Ressurreição de Jesus

Embora existam diversos argumentos para a existência de Deus, como por exemplo, a perfeição de nosso universo e a complexidade do DNA, assim como diversos acontecimentos bíblicos já foram confirmados por estudos arqueológicos, nossa crença na ressurreição de Cristo está primariamente baseada em nossa própria experiência com o Cristo ressurreto.

Jesus disse “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; Eu as conheço, e elas me seguem” (Joao 10.27). Quando Deus falou ao nosso coração através do Espírito Santo, Ele nos regenerou e nos deu a fé necessária para crermos e sermos transformados por Ele. Que acontecimento maravilhoso poder ter um encontro com o próprio criador do universo!

Entretanto, por mais que nossa fé esteja firmada em Cristo pela própria ação Dele de transformar nossas vidas, é oportuno falar, principalmente na época da Páscoa, que a historicidade da ressurreição de Cristo possui sólidas evidências. Poderíamos abordar a historicidade da ressurreição de Cristo por diversas perspectivas, neste artigo utilizaremos os 4 argumentos propostos pelo Dr. William Lane Craig [1].

Existem 4 fatos históricos envolvendo a morte/ressurreição de Cristo que são aceitos por praticamente todos os historiadores, inclusive ateus, são eles:

1) Depois da crucificação Jesus foi enterrado em uma tumba por um membro do Sinédrio chamado José de Arimatéia:
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:
a) O enterro de Jesus é atestado em múltiplas fontes independentes: De acordo com o alemão Rudolf Pesch, especialista no evangelho de Marcos, a narrativa da morte de Cristo foi escrita no máximo após 7 anos do ocorrido. Além disto, Paulo cita uma fonte extremamente antiga do enterro de Cristo que a maior parte dos estudiosos data dentro de 5 anos após a crucificação.

Fontes independentes do enterro de Jesus também são encontradas por trás dos evangelhos de Mateus e Lucas, sem mencionar as fonte extra-bíblicas que falam da morte de Cristo, como por exemplo: o Evangelho de Pedro, documento do judeu Flávio Josefo, Talmud e os anais de Tácito.
Além do mais, não existe nenhum documento que conte uma história rival sobre o enterro, ou seja, uma história que diga algo diferente sobre como foi enterro de Jesus.

b) José de Arimatéria era membro do sinédrio Judeu: Não faz sentido José de Arimatéria ser uma invenção cristã pois ele era membro do sinédrio Judeu.
Havia uma hostilidade na igreja primitiva contra os líderes judeus, pois aos olhos dos cristãos foram os judeus que haviam planejado a crucificação de Cristo.

Raymond Brown diz que o enterro de Jesus por José de Arimatéia é muito provável pois é praticamente inexplicável porque os cristãos inventariam uma história de um judeu fazendo o que é certo por Jesus [2]. De acordo com John A. T. Robinson (Universidade de Cambridge) o enterro de Jesus na tumba “é um dos mais antigos e bem atestados fatos sobre Jesus” [3].

2) Na manhã do domingo seguinte a crucificação a tumba de Jesus foi encontrada vazia por um grupo de mulheres:

Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) O testemunho de mulheres: O fato do testemunho de mulheres no primeiro século ser menos confiável aponta para a veracidade do relato. Na sociedade judaica do primeiro século o testemunho de mulheres não era considerado como confiável.

O historiador judeu Flávio Josefo diz que as mulheres nem sequer eram autorizadas a servir como testemunhas em um tribunal de justiça judaico. Se a história da tumba vazia fosse uma invenção veríamos homens encontrando ela, como por exemplo Pedro e João, e não mulheres. O fato de ter sido registrado que mulheres encontraram a tumba vazia é melhor explicado ao dizer que os escritores registraram com fidelidade aquilo que aconteceu.

Jacob Kremer, um especialista austríaco na ressurreição de Cristo, diz que “de longe a maioria dos exegetas mantém firmemente a confiabilidade das declarações bíblicas sobre o túmulo vazio” [4].

b) O nome das mulheres era conhecido pela igreja primitiva: Pelo fato do nome das mulheres que descobriram o túmulo vazio ter sido citado e serem pessoas conhecidas pela igreja, seria muito fácil desmenti-las caso a história não fosse verdadeira.

c) A tumba ficava em um local conhecido: Como a tumba era em um lugar conhecido, não poderiam dizer que Jesus ressuscitou se o corpo dele ainda estive-se lá. O local em que Cristo foi colocado após sua morte não era desconhecido, todos sabiam onde era. Seria impossível dizer que Jesus havia ressuscitado se o corpo dele ainda estivesse na tumba.

d) independentes fontes antigas: Nós temos um múltiplo atestado independente de fontes antigas dizendo que a tumba estava vazia. A fonte que Marcos utilizou em seu evangelho não terminou com o enterro, mas com a tumba vazia. Além disso, Mateus e João tem fontes diferentes das de Marcos sobre o túmulo vazio. O túmulo vazio também é mencionado em Atos 2.29 e em Atos 13.36 e está implícito por Paulo em 1 Coríntios 15.4.

e) Relato simples: A história de Marcos sobre a tumba vazia é simples e não possui sinais de embelezamento comum a lendas. Podemos entender melhor este ponto ao comparar o relato de Marcos com lendas encontradas em evangelhos apócrifos posteriores. Em um dos relatos apócrifos é relatado que Jesus saiu da tumba com a cabeça erguida na altura das nuvens e seguida por uma cruz que falava.

f) A alegação dos judeus: A primeira alegação dos judeus foi de que o corpo de Jesus havia sido roubado (Mateus 28.15). O argumento contrário a proclamação de que Jesus havia ressuscitado não foi de dizer: “olhem, o corpo dele ainda está na tumba!”, mas foi alegar que haviam roubado o corpo dele, o que mostra que de fato a tumba estava vazia.

Inclusive documentos extra-bíblicos relatam esta alegação dos judeus. Estudiosos já mostraram o quão é incoerente a versão alegada pelos judeus de que o corpo de Jesus havia sido roubado, não só pelo fato de haverem guardas na tumba, mas devido a diversos outros fatores também. Isto só mostra o desespero dos judeus em negar o fato da ressurreição de Cristo.

g) Não há nenhum vestígio de veneração no túmulo: Não existe nenhum sinal de que o túmulo de Jesus (ao menos onde se acredita ser o túmulo dele) tenha recebido qualquer tipo de veneração nos primeiros séculos, sendo que seria de se esperar caso o corpo de Jesus tive-se permanecido lá.

Os judeus tinham o costume de venerar os túmulos dos profetas e homens santos e se Jesus tivesse permanecido no túmulo seria de se esperar que os seus seguidores que vieram do judaísmo tivessem feito o mesmo.

3) Em muitas ocasiões e em situações diferentes, grupos de pessoas e indivíduos distintos experimentaram aparições de Jesus ressuscitado:
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) Lista de testemunhas do Cristo ressurreto: Paulo disse em 1 Coríntios que Jesus apareceu a Pedro, depois a um círculo interno de discípulos conhecidos como os Doze, depois ele apareceu a um grupo de 500 pessoas de uma só vez e depois ao irmão mais novo de Cristo, chamado Tiago. Por fim, Paulo diz que Jesus aparece também para ele.

As pessoas citadas por Paulo ainda estavam vivas quando o apóstolo escreveu a lista. Seria fácil desmentir o apóstolo Paulo apenas conversando com as pessoas caso ele estivesse falando mentiras. Além do mais, não havia tempo suficiente para que uma lenda surgi-se e fosse aceita, de acordo com o famoso historiador A.N. Sherwin-White levava mais de duas gerações no mundo antigo para uma lenda se desenvolver e ser aceita como verdadeira. Além dos escritos bíblicos serem muito próximos dos fatos ocorridos, a própria igreja surgiu numa velocidade e tamanho surpreendentes.

b) Fontes independentes das aparições de Jesus: Encontramos nos evangelhos fontes independentes destas aparições, por exemplo, a aparição a Pedro é citada por Lucas e por Paulo; a aparição aos Doze é atestada por Lucas, João e Paulo e a aparição para as mulheres é atestada por Mateus e João. As narrativas das aparições abrangem uma variedade de fontes independentes, até mesmo o cético Gerd Lüdemann conclui: “Pode-se considerar historicamente certo que Pedro e os discípulos tiveram experiências após a morte de Jesus, na qual Jesus lhes apareceu como o Cristo ressuscitado” [5].

c) Nem Tiago ou algum dos irmãos de Jesus acreditavam nele durante a sua vida: O fato de que os irmão de Jesus não criam nele durante a sua vida nos faz pensar o que teria feito eles mudarem de ideia após a sua morte se não que de fato Cristo tivesse ressuscitado dentre os mortos.

4) Os discípulos originais criam que Jesus ressuscitou dos mortos embora tivessem toda a pré-disposição para o contrário
Este ponto é apoiado pelos seguintes motivos:

a) Eles foram mortos por esta crença: Os discípulos de Jesus estavam dispostos a morrer por dizerem que Cristo ressuscitou dos mortos. O que nos faz pensar: o que no mundo faria eles estarem dispostos a isso, a não ser que de fato acreditassem que Jesus ressuscitou? Luke Johnson afirma que é necessário algum tipo de experiência poderosa e transformadora para gerar o tipo de movimento que o Cristianismo gerou [6]. Os discípulos de Cristo foram torturados e mortos, alguns degolados, outros queimados e possivelmente alguns até crucificados.

b) Seu líder estava morto e os judeus não tinham nenhuma expectativa de um Messias derrotado e morto: O pano de fundo judaico dos primeiros cristãos não seria crer que Jesus era o messias e ressuscitaria dos mortos, pois as expectativas messiânicas judaicas não incluíam a ideia de um messias crucificado e morto como criminoso, mas sim como um messias que iria triunfar sobre os inimigos de Israel.

c) Lei judaica: De acordo com a interpretação da lei judaica a execução de Jesus como um criminoso mostrou que ele era um herege (Dt 21.23), ou seja, os seguidores de Cristo que eram judeus facilmente perderiam a fé Nele como o messias e não esperariam a sua ressurreição.

d) Vida após a morte: As crenças judaicas sobre a vida após a morte limitavam-se a ressurreição direta para a glória no fim dos tempos, não em uma ressureição que ocorreria no tempo presente, portanto os discípulos não teriam em sua base judaica a expectativa que Jesus iria ressuscitar ao terceiro dia.

Estes motivos que vimos no ponto 4: o perigo de morte e a falta de apoio judaico na ressurreição de Cristo, mostram que os discípulos creram em Cristo mesmo tendo fortes argumentos para não crerem. O que nos leva a pensar que de fato eles creram porque viram o Cristo ressurreto.

Conclusão
Em um dos debates que o Dr. William Craig fez com ateus, no desespero de encontrar uma solução para o “problema da aparição de Cristo após sua morte”, o opositor Irvine, que era professor em uma universidade da Califórnia e fez sua tese de doutorado sobre a ressurreição de Jesus, diante das evidências a favor da ressurreição chegou a dizer que o que ocorreu foi que Jesus tinha um irmão gêmeo idêntico que era desconhecido por todos e só apareceu após a morte de Cristo se passando pelo próprio Jesus. Esta afirmação apenas mostra as bases sólidas que os relatos da ressurreição de Cristo se encontram e o desespero que muitos se encontram ao tentar desacreditar os relatos sobre Jesus.

Além do mais, não há motivo razoável para desacreditar o testemunho dos discípulos. Eles eram pessoas simples e humildes, alguns eram pescadores, outros eram fazedores de tendas, entre outras ocupações. Não existe nada no caráter dos discípulos que nos levem a acreditar que eles estariam inventando uma história sobre a ressurreição de Jesus. O teólogo John Piper afirmou que foi convencido pelos escritos do apóstolo Paulo de que aquilo que o apóstolo estava escrevendo era verdade. Ao lermos os escritos dos discípulos creio que chegamos a esta mesma conclusão.

Muitas outras coisas poderiam ser ditas, mas creio que as evidências apontadas aqui são suficientes para entendermos que os relatos a respeito da morte e ressurreição de Cristo estão firmados na verdade.

Leandro Weige Dias

[1] CRAIG, William Lane. Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011. 317 pp.
[2] Raymond E. Brown, The Death of the Messiah, 2 vols. (Garden City, N.Y.: Doubleday, 1994), 2: 1240-1.
[3] John A. T. Robinson, The Human Face of God (Philadelphia: Westminster, 1973), p. 131.
[4] Jacob Kremer, Die Osterevangelien–Geschichten um Geschichte (Stuttgart: Katholisches Bibelwerk, 1977), pp. 49-50.
[5] Gerd Lüdemann, What Really Happened to Jesus?, trans. John Bowden (Louisville, Kent.: Westminster John Knox Press, 1995), p. 8.
[6] Luke Timothy Johnson, The Real Jesus (San Francisco: Harper San Francisco, 1996), p. 136.

Liderando em tempo de crise

Texto base: Atos dos Apóstolos 27.13-28.10

“A crise não é para ser administrada, a crise é para ser liderada”. (John C. Maxwell)

Estamos atravessando uma crise sem precedentes na história da nossa nação. As pessoas estão acuadas e enclausuradas por causa do Coronavírus. O medo das possíveis consequências da quarentena se alojou na mente das autoridades e do povo.  Chegou o momento oportuno de líderes eclesiásticos e paraeclesiásticos assumirem a linha de frente da crise. É para um período como este que DEUS levanta o líder da igreja. Bill Hybels, no livro Liderança Corajosa, escreveu: “A igreja local é a esperança do mundo, e seu futuro está nas mãos de seus líderes”.

O apóstolo Paulo foi um líder exponencial. Segundo John Maxwell, “Paulo foi um líder que não podia ser contido”. Sua capacidade de influência era ultracircunstancial. Quanto maior a crise, maior foi a sua liderança.  Aprendemos com o apóstolo Paulo três medidas a serem tomadas no momento de crise:

Priorize as pessoas (v.17-20, 36-38). Paulo e os tripulantes do navio não sabiam exatamente onde estavam e com medo de que a embarcação fosse arrastada para as pedras ou destroçada pelas ondas, cingiram com cordas o casco do navio para fortalecê-lo e lançaram ao mar a carga. Na esperança de salvar as pessoas, fizeram algo que parece ser estúpido: se desfizeram da carga. Lançar o carregamento ao mar foi o mesmo que jogar uma pasta com dinheiro no fundo do oceano, em outras palavras, eles jogaram dinheiro fora. Mas, avaliando as prioridades, o que fizeram foi correto. As pessoas são e sempre serão prioridade. Mais importante que atravessar a tempestade com dinheiro é chegar ao final dela com vida.

Neste período de quarentena, com prazo indeterminado, devido ao Coronavírus, o líder deve se preocupar muito mais com as pessoas do que com a estrutura da igreja. Os líderes estão investindo energia na tentativa de manter as suas igrejas, seu calendário e os seus programas. Nunca se usou tanto os recursos tecnológicos como áudios, vídeos, lives no Facebook, Meet, Zoom e no Instagram. Até mesmo os líderes, que nunca fizeram uso desses recursos antes, estão fazendo um enorme esforço para aprender a usá-los para se comunicar. A preocupação com a saúde financeira de suas greis e projetos têm fadigado a liderança eclesiástica porque não podemos desconsiderar a contribuição financeira. As despesas das organizações eclesiásticas não estão em quarentena, é preciso honrá-las. Pense que mau testemunho seria o endividamento? Infelizmente, os líderes estão mais preocupados em manter as estruturas físicas e as pessoas que estão dentro delas ao invés de alcançar outras pessoas com a mensagem de esperança. Todo o empenho tem sido feito para alcançar os crentes que estão dentro das próprias casas, suprindo-os com mensagens e orações. Enquanto isso, as pessoas que não fazem parte da igreja não estão sendo alcançadas.

Voltemos ao texto bíblico. Em meio à forte tempestade que provocou o naufrágio, os moradores da ilha de Malta creram em JESUS. Quando os habitantes da ilha se converteram, Paulo e os tripulantes não tinham mais embarcação, ela havia sido arrebentada pela tempestade. Será preciso perder os nossos prédios para priorizarmos os não-crentes? Em meio à crise estamos mais preocupados com a manutenção da estrutura ou com a missão de levar o Evangelho a toda a criatura?

Responda à crise (v.22). Paulo não ficou inerte em meio à tempestade. Muito menos permaneceu em silêncio esperando as coisas normalizarem. Ele se levantou diante de todos e deu a eles uma palavra de esperança. Durante toda a viagem, em meio à tempestade, Paulo esteve ativo, exortando, encorajando e mostrando o caminho a ser seguido. A liderança de Paulo foi uma resposta em meio à crise. O verdadeiro líder não administra a crise, ele lidera na crise. A autêntica liderança se mostra ativa e eficaz nos momentos mais escuros e severos da história. O ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, afirmou: “A pessoa certa na liderança se mostra ainda melhor nos momentos mais difíceis”.

Neste período de quarentena, em que a sociedade está sendo assolada pelo Coronavírus, a liderança eclesiástica está passiva, apenas administrando a crise. Estão em silêncio esperando as coisas acontecerem. Muito mais do que esperar as coisas normalizarem, é o momento de o líder dar uma direção. É preciso fazer mais que administrar, é necessário liderar. A liderança eclesiástica vive um momento singular da história, mais do que realizar a manutenção dos cultos é preciso fazer da crise uma oportunidade para mudar paradigmas e alcançar pessoas. Com certeza, os tripulantes daquela embarcação nunca mais foram os mesmos, não por causa da tempestade, mas por causa da liderança de Paulo. A liderança eclesiástica tem a oportunidade de mudar os rumos da igreja, de romper com o status quo e sair da manutenção para a missão.

Planeje as ações (v.24-26). O apóstolo Paulo tinha suas ações devidamente planejadas. Ele sabia para onde estava indo, seu destino era Roma; sabia qual era o seu propósito, testemunhar de JESUS para o imperador. A tempestade não impediu o apóstolo de executar o plano. O planejamento do apóstolo não era uma resposta para a tempestade. Seu planejamento contemplava algo maior que a efêmera crise que o afligia, a expansão do evangelho por todo o Império Romano. O período de quarentena por causa do Coronavírus, para algumas organizações eclesiásticas não está interferindo em nada, a não ser na realização dos cultos. Não estamos dizendo que o culto não é fundamental, mas a igreja deve ir além de suas celebrações. Igrejas relevantes na sua cidade e no mundo estão se articulando para continuar com o sustento para plantação de igrejas, com as parcerias missionárias do outro lado do globo terrestre e com os seus projetos sociais. Se neste período de quarentena, a única ação que a sua igreja suspendeu foram os cultos públicos, urgentemente o líder precisa avaliar a relevância de sua igreja na cidade. Para o líder que sabe para onde vai, tem metas claras, exequíveis e mensuráveis, o período de quarentena não interferirá em nada na agenda da sua igreja.

Parafraseando o famoso escritor inglês, C. S. Lewis:  “A crise é um megafone ensurdecedor para urgentemente avaliarmos e planejarmos mudanças necessárias em nossas igrejas”.

Pastor Olavo Vigil

Você tem desperdiçado a sua vida?

Apenas uma vida, que logo passará, somente o que é feito para Cristo durará” C. T. Studd

Texto base: Lucas 12.16-21

Neste momento de pandemia muitos tem refletido sobre a fragilidade do ser humano. Um vírus deixou o mundo inteiro com medo, muitas pessoas em pânico sem saber se estarão vivas no dia seguinte. Esta fragilidade do ser humano deve nos fazer pensar sobre como temos vivido nossas vidas. Precisamos nos perguntar, se ela terminasse hoje eu a teria desperdiçado pela forma como a vivi?

Nós temos somente uma vida, a Bíblia nos ensina que não temos segunda chance após esta vida terminar (Hebreus 9.27), nem podemos voltar para o começo para corrigir nossos erros. Para não despediçarmos a nossa vida é necessáro termos as atitudes corretas e entendermos que a única forma de vivermos uma vida que vale a pena é vivendo para Cristo Jesus.

A parábola do rico insensato, registrada em Lucas 12.16-21, ilustra a vida de uma pessoa rica que viveu de forma errada. A parábola não tem como objetivo dizer que ser rico é errado, mas ela foi dita por Jesus para mostrar o perigo de colocarmos o nosso coração em coisas passageiras.

O rico insensato da parábola chegou ao fim da sua vida com tantas riquezas que é como se tive-se pensado: “Cumpri o objetivo da minha vida, agora posso descansar”. E Jesus chama esse tipo de pessoa de insensata ou tola (v. 20). A ganância leva o nosso coração a amar as riquezas e o prazer ao invés de amar a Deus. Jesus disse “… a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (Lucas 12:15b). Nesta geração em que vivemos o lema da vida é “busque ao máximo aquilo que lhe da prazer, se você viveu feliz você não desperdiçou sua vida”, mas Jesus nos ensina algo diferente… Vejamos três atitudes para não desperdiçarmos as nossas vidas:

1) Acreditando em Cristo como Senhor e Salvador

“Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”. Lucas 12:21

A primeira e grande atitude para não despediçarmos nossa vida aqui na Terra é a mais importante de todas: crer em Cristo como Senhor e pedir perdão dos pecados crendo que Ele é o único caminho para o paraíso. Esta atitude definirá para sempre o rumo de nossas vidas após morrermos. Aquele que um dia entregou sua vida a Cristo nunca perderá à sua salvação e concerteza passará a eternidade no paraíso.

Devido a grandiosidade desta atitude, é importante nos certificarmos que de fato entregamos a nossa vida a Jesus. A evidência de que recebemos o perdão dos pecados é a mudança de vida. Se as pessoas não enxergam mudanças em nossas vidas mesmo após proclamarmos estarmos com Deus, será que de fato o conhecê-mos de verdade? A Bíblia diz “Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (1 João 2:4). Que analisemos nossa vida para sabermos se de fato somos ricos para com Deus.

2) Invista seu tempo naquilo que é eterno

“Contudo, Deus lhe disse: ‘Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?’ Lucas 12:20

Mesmo para àqueles que já tem seus pecados perdoados por Cristo, existe um certo sentido em que a vida pode ser desperdiçada: investir todo o nosso tempo em coisas passageiras.

Invista o seu tempo para aquilo que é eterno. Organize seu tempo de modo que tenha espaço para todos os dias buscar a Deus, lendo a Sua palavra e orando. Em seu trabalho, seja de que ramo for, trabalhe com o objetivo principal de glorificar a Deus: seja o melhor empregado (ou empresário) que puder e mostre a todos que Deus é a razão do seu viver. Conforme afirma o teólogo John Piper: use o seu dinheiro de forma a mostrar aos outros que o dinheiro não é o seu tesouro, mas que Cristo é.

As pessoas que usam seu dinheiro, não apenas para benefício próprio, mas também para ajudar aos outros, mostram que o seu coração não está nas riquezas.

Tenha o seguinte objetivo de vida: chegar ao final dela sabendo que foram ajuntados tesouros nos céus (Mateus 6.19-26) e que Cristo foi glorificado pela forma como você viveu. Isto é uma vida não desperdiçada.

3) Entenda que sua vida tem propósito

“Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus”. Lucas 12:21

Em nossa sociedade existe um forte pensamento, mesmo que muitas vezes inconsciênte, de que a vida não tem nenhum significado e por isso o importante é satisfazermos os nossos próprios desejos, ou seja, o importante é ser feliz. Dentro do pensamento pós-moderno, este conceito é conhecido como niilismo. Por causa deste tipo de pensamento muitos tem procurado suprir uma falta de sentido na vida através do consumismo e a busca desenfreada pela auto-satisfação, parecido com o que o rico insentado da parábola fez, resultando muitas vezes em atitudes extremamente egoístas e, em muitos casos, ao suícidio por falta de motivos reais para viver.

Porém, em Cristo encontramos o sentido real da vida e um propósito maior para viver. Não é mais a busca pela felicidade que norteiam as nossas vidas, mas a busca para que Deus seja glorificado. Em Cristo, ao entendermos que nossa vida tem um propósito maior e que ela não termina aqui na Terra, podemos encontrar sentido para viver mesmo em situações extremamente difíceis, como a pandemia do coronavírus que o mundo está enfrentando.

Ao estarmos em Jesus, a doença não é o fim, os problemas financeiros não são o fim e nem a morte é o fim. É por isso que podemos viver nossas vidas com confiança e esperança e seguirmos adiante mesmo em situações difíceis.

Ao entendermos que nossa vida tem um propósito maior, não desperdiçaremos ela, pois mesmo que venham situações difíceis seguiremos em frente procurando agradar àquele que morreu na cruz pelos nossos pecados.

Portanto, não desperdice sua vida, creia em Cristo como seu Senhor e Salvador, invista seu tempo em coisas eternas e entenda que sua vida tem um propósito.

Leandro Weige Dias

Namoro: opção ou obrigação?

Tudo neste mundo tem o seu tempo, cada coisa tem a sua ocasião”. (Ec 3.1)

A palavra namoro foi criada para distinguir um tipo de relação amorosa entre duas pessoas que se atraem e nutrem sentimentos uma pela outra. Diz-se da fase que antecede o período de noivado. A BÍBLIA não apresenta em suas páginas a palavra namoro e não fornece qualquer orientação sobre o tema. As narrativas do Antigo e do Novo Testamento tratam de contratos matrimoniais e pré-nupciais concebidos pelos pais dos noivos e pouquíssimas vezes realizados pelos nubentes. Um exemplo clássico é encontrado em Gênesis 24. Nessa passagem o velho Abraão manda buscar uma esposa para seu filho Isaque na distante Harã. Na BÍBLIA, as pessoas não namoravam durante algum tempo, não passeavam de mãos dadas, não usavam aliança de compromisso e muito menos se beijavam. Elas assumiam o compromisso de casamento diante de toda a comunidade, com data pré-estabelecida e com valor financeiro acordado pelas famílias. Os pais pagavam o dote e os noivos somente mantinham contato no dia do casamento (Gn. 29.15-30, Jz 14.1-2, Rt 3-4, Mt 2.18-25).

Nos meus quatorze anos de ministério pastoral presenciei casos paradoxais sobre relacionamentos. Conheci casais não crentes que namoraram, noivaram, casaram-se e desfrutavam de uma vida conjugal de qualidade superior à de muitos crentes que haviam procedido de maneira idêntica. Eles tinham uma vida financeira ordeira e filhos educados enquanto os cristãos viviam em desordem financeira, com filhos desajustados. Alguns namoraram e, em menos de três meses, casaram-se no cartório de registro civil, não tiveram celebração de culto para o enlace e viviam muito bem. Por outro lado, vi casais crentes que namoraram por anos, se abstiveram de relações sexuais num esforço para honrar os pais e dar bom testemunho cristão. Eles faziam orações fervorosas e serviam a JESUS na igreja local. Planejaram o casamento minuciosamente, cursaram o pré-nupcial com o pastor de sua igreja e, contudo, o matrimônio não durou mais de dois anos. Acompanhei jovens que, ainda na fase de namoro, vieram a engravidar e por causa da gravidez inesperada eles interromperam os estudos, casaram-se mesmo sem ter recursos financeiros, enfim, superaram todas as adversidades juntos. Como resultado, eles gozam hoje de uma vida alegre com o filho e servem com esmero na igreja. Acompanhei pessoas que namoraram e se casaram com não crentes e com o tempo o cônjuge tomou uma decisão por CRISTO e ambos servem a JESUS. É verdade que o contrário também aconteceu, pessoas abandonaram os valores de DEUS para viver com não crentes.

O fato de ter acompanhado casais crentes que fracassaram e casais não crentes que tiveram sucesso na vida conjugal, me deixa a possibilidade de abandonar qualquer diretriz sobre namorar alguém e casar? – De maneira nenhuma. Entendo que não são as experiências humanas que devem nortear a nossa vida. Como discípulos de JESUS temos a responsabilidade de sermos exemplo para a sociedade. Os princípios divinos encontrados na BÍBLIA, a nossa única regra de fé e prática, é que deve direcionar todos os nossos relacionamentos. A Bíblia não nos dá respaldo para proibir o namoro porque não há diretriz ou ordenamento nesse sentido. Contudo, devemos orientar os jovens sobre como proceder durante a fase que chamamos de namoro. Assim, compartilho alguns princípios para o namoro que honre ao SENHOR:

NAMORE COM O PROPÓSITO DE CASAR. O que deve motivar o namoro? Poucos jovens conseguem responder a essa pergunta. Certa vez, perguntei a uma menina por que ela estava namorando. Ela respondeu: – “Todas as meninas da minha escola e do meu condomínio estão namorando, eu não poderia ser a única a não ter um namorado”. Lamentavelmente, as meninas namoram para passar o tempo, curtir, ser aceita no grupo de amigas ou simplesmente porque o rapaz é bonito. Todas essas razões são equivocadas. O namoro deve ter um propósito elevado e nobre, o desejo de aprofundar laços de amizade e de conhecimento para se casar. Então, por que namorar com esse propósito?

Para não desperdiçar tempo. O namoro exige tempo de qualidade. Você deverá disponibilizar tempo na sua agenda para namorar. Observe que, com tantos afazeres de aulas, cursinho, estágio, trabalho e o ministério na igreja local, onde encontrará tempo para namorar? A fase que compreende a adolescência e o início da juventude é tempo para priorizar os estudos, buscar qualificação profissional com intuito de obter uma boa colocação no mercado de trabalho. Afinal, a BÍBLIA nos garante que há tempo para tudo (Ec 3.1-8). Quão frustrante saber que você abriu mão de suas prioridades por um namoro que desperdiçou seu tempo. Então, dedique-se primeiro aos seus estudos e depois virá o tempo certo para namorar.

Para manter um bom testemunho. Muitas jovens já tiveram alguns namorados antes de se casarem. Por favor, não julguem isso uma posição “machista”, penso o mesmo acerca dos rapazes. Pessoalmente, imagino que uma pessoa séria não gostaria de se casar com outra que já se comprometeu além da amizade com muitas outras pessoas. Entendo que a postura dos jovens crentes deve ser muito diferente dos jovens não crentes que trocam de parceiros constantemente e avançam para etapas íntimas que não deviam avançar durante o namoro. Esse comportamento certamente deixará marcas de decepção, frustração, ressentimento e amargura. Zele pelo seu testemunho, confie em JESUS e espere em oração pela pessoa certa para namorar, assim honrará o SENHOR, o seu futuro marido e a sua família.

Para evitar desgate desnecessário. A manutenção de um namoro vivo e saudável exigirá muito trabalho. Exigirá a sua atenção, o seu tempo e os seus recursos. E, como todo o relacionamento trará alegrias e tristezas. Acompanhei jovens muito tristes por causa das brigas com o namorado e com a própria família. Essas brigas ocasionaram baixo rendimento escolar, vida devocional inconstante e prejuízo no ministério. Algumas jovens ficaram abatidas e tristes a ponto de, com apenas dezesseis anos, precisarem procurar profissionais da área da psiquiatria, psicologia e terapia. Diante disso, fiz a seguinte pergunta: – Você tem a intenção de se casar com essa pessoa? A resposta, invariavelmente, era negativa ou vazia. Se você não tem a intenção de se casar com ele, por que continua um namoro que tanto a desgasta? Uma jovem de dezesseis anos está em meio aos seus estudos, depende dos pais para se sustentar e, muitas vezes, o casamento está longe devido à pouca idade e condições financeiras, então, por que manter um relacionamento sem objetivo? Namorar com o propósito de casar evitará desgaste do relacionamento.

NAMORE UMA PESSOA QUE COMPARTILHE DOS MESMOS INTERESSES. Quando me converti comecei a orar e esperar em JESUS por uma jovem crente e que também fosse Batista. Pode ser que eu tenha sido muito exigente. Mas, pense comigo, se eu namorasse e me casasse com uma jovem de outra denominação, certamente, teria dificuldades de adaptação e conflitos surgiriam por causa do estilo de culto, doutrina e administração de nossas igrejas. No domingo, cada um iria para sua igreja e quando nascessem os filhos haveria uma disputa sobre que denominação as crianças deveriam frequentar. Com certeza, se você conhece alguém que se casou com pessoa de outra denominação e eles agora frequentam harmoniosamente a igreja Batista, isso é exceção. Depois que o SENHOR me chamou para o ministério, a minha oração ficou mais exigente. Passei a orar por uma jovem que também fosse vocacionada. Se eu namorasse e casasse com uma pessoa de interesse diferente, ou eu abandonaria o chamado para o ministério ou teria muitos conflitos que, provavelmente, levariam ao divórcio. O SENHOR JESUS foi muito bom comigo, ELE me deu uma excelente esposa.

Sobre namorar alguém não crente, encontramos uma passagem no Novo Testamento que é muito usada para instruir os jovens a não contraírem matrimônio com um incrédulo (1 Co 6.14). O verbo grego heterozygeo encontra-se somente nesta passagem, encerra a ideia de alguém estar num jugo desnivelado. Na septuaginta o termo é empregado como proibição de lavrar a terra com animais diferentes sob o mesmo jugo, por exemplo, colocar um boi e um jumento na mesma canga (Lv 19.19, Dt 22.10). O texto não se refere ao casamento, mas serve de entendimento para que o crente não se submeta a valores e princípios dos não crentes, bem como não seja influenciado pelos incrédulos. Observe que a Escritura não está dizendo que não devemos nos relacionar com os incrédulos, mas nos orienta a não nos deixar influenciar por eles. Especialmente, Paulo exorta a igreja de Corinto a não se submeter aos ensinos dos judeus incrédulos que tinham como conteúdo o legalismo. Isso é o jugo desigual. Embora o texto não discorra sobre namoro, entendo que se alguém optar em namorar e casar com um não crente provavelmente terá dificuldades em frequentar a igreja, dizimar, ofertar, participar de retiros, de congressos e de encontros de casais. Uma vez que se casou, você estará debaixo da liderança do seu marido e se ele não aprovar a sua participação na igreja, não deverá contrariá-lo.

Namorando ou casando com um não crente, há sérios riscos de não frequentar mais a igreja, ou de se sentir constrangida por comparecer sempre sozinha aos eventos. Mais uma vez, certamente, você conhece alguém que namorou um não crente e o namorado se converteu por causa do testemunho da namorada e agora ambos servem a JESUS. Ou conhece alguém que se casou com um não crente e este nunca impediu a esposa de participar dos eventos eclesiásticos ou que ele se tornou muito frequente na igreja. Talvez, até um outro que tenha se convertido a CRISTO e se tornou pastor. Isso é exceção. Em geral, não é assim que acontece. Portanto, ore e espere em JESUS por uma pessoa que compartilhe genuinamente dos mesmos interesses. Não somente interesses espirituais, mas também em outras áreas da vida.

Então, namore com o propósito de casar. Ore e espere por uma pessoa que tenha interesses em comum com você. Agradar o seu SALVADOR e SENHOR é o objetivo principal do discípulo, por isso, o namoro e o casamento devem ter como meta honrar a JESUS.

Pastor Olavo Vigil

Virando o Jogo – III

Texto base: Juízes 11.1-11

Deus é especialista em virar o jogo… entregue seus fracassos a Ele e creia ele transformará seus fracassos em grandes vitórias”. (Max Lucado)

No jogo de xadrez há uma expressão chamada xeque-mate ou, simplesmente, mate. É usada para designar o lance que põe fim à partida quando o Rei, atacado por uma ou mais peças adversárias, não pode movimentar-se para outra casa, tomar a peça que o ameaça ou bloquear o ataque com outra peça. O xeque-mate encurrala o jogador e o deixa vencido e sem nenhuma alternativa. Assim como no xadrez, inúmeras circunstâncias da vida nos colocam em xeque-mate. Somos tomados pelo sentimento de desespero porque não encontramos nenhuma saída. A vida de Jefté tem muito a nos ensinar porque ele soube dar xeque-mate nas circunstâncias que o encurralavam.

Jefté, um homem que virou o jogo. O nono, na relação de juízes do povo de Deus. Jefté julgou Israel durante 6 anos (Jz 12.7). Era um homem valente (v.1), cujo nome significa “libertador”. Filho de Gileade com uma prostituta (v.1). O texto bíblico informa que Jefté fugiu dos seus irmãos (v.3), sendo rejeitado pela própria família. Apesar do começo difícil, o SENHOR interveio no tabuleiro da vida de Jefté e virou o jogo.

O SENHOR lhe dará futuro de vitória (v.32). O passado de Jefté foi de derrota. O começo de Jefté foi de vergonha, dor e humilhação. Mas DEUS deu um futuro vitorioso para Jefté. E isso nos leva a considerar três medidas importantes para se ter um futuro de vitórias.

Livre-se da amargura (v.7). Jefté não se prendeu ao passado, mas livrou-se de toda a amargura. Jefté tinha fortes motivos para dizer não e dar cabo da vida dos anciãos que o procuraram para que combatesse por Israel. Esses anciãos eram os mesmos que nada fizeram quando Jefté fora expulso de casa. Contudo, Jefté não permitiu que a amargura criasse raízes em seu coração. Jefté foi nobre e livrou-se da amargura porque a amargura destrói os sentimentos nobres do coração (Hb 12.15). A amargura impede, aqueles que a cultivam dentro de si, de provar o bem (Jó 21.25). A amargura é como um câncer da alma.

Certo professor pediu que os alunos levassem batatas e uma bolsa de plástico para a aula. Ele pediu que eles separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas, depois escrevessem os nomes delas nas batatas e, por último, as colocassem dentro da bolsa. Algumas bolsas ficaram MUITO pesadas. A tarefa consistia em, durante uma semana, levar para todos os lados a bolsa com batatas. Naturalmente, as batatas foram apodrecendo com o tempo. Além do incômodo de carregar a bolsa, a cada momento, isso mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasionava. E também, o fato de que, ao colocar a atenção na bolsa, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles. De igual modo, quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando a nossa alegria. Perdoar, é deixar esses sentimentos irem embora e é a única forma de trazer de volta a paz e a quietude. Quantas batatas você tem carregado, em sua caminhada cristã? Elas causam um mal cheiro terrível, afastam as pessoas de você e o impedem de ser abençoado. O que fazer, então?

Há algum broto de amargura crescendo dentro de você? Você tem alimentado esse sentimento destrutivo?

Abra-se para novas oportunidades (v.9). No passado, as portas se fecharam para Jefté. No passado as coisas não deram certo. Tudo isso aconteceu no passado. Jefté está diante da maior oportunidade da vida dele. Por muito tempo, ele liderou homens desclassificados ou “homens levianos” – ARA (v.3). Agora, ele tem a oportunidade de liderar o povo de DEUS. A Bíblia afirma que nenhum líder é instituído sem a permissão de DEUS. É DEUS quem está concedendo a oportunidade a Jefté. É uma porta aberta por DEUS. E como dizer não para DEUS? Infelizmente, nos enclausuramos e não queremos correr o risco de fracassar. Trancafiamos o nosso coração para as oportunidades de DEUS com medo de sermos rejeitados novamente. Não importa o que aconteceu no passado! Sempre haverá novas oportunidades concedidas por DEUS. Cabe, a você, se abrir à essas oportunidades e vencer, assim como fez Jefté. O passado pode ter sido doloroso, mas o presente é de valorização e aceitação.

Busque um propósito grandioso (v.11). Um dos efeitos destrutivos da amargura é o egoísmo. Olhar somente para a própria dor torna alguém incapaz de ser altruísta. Jefté consolou a sua dor com um propósito grandioso. DEUS quis libertar o povo da opressão Amonita. Para isso, DEUS escolheu usar Jefté. Se Jefté permanecesse arraigado nos laços de amargura, não teria sido capaz de se envolver e levar adiante o projeto de DEUS. O apóstolo Paulo se vale do mesmo recurso: “ Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” – (Fp 3.13-14). DEUS curou Jefté, dando a ele um propósito grandioso para viver. Jefté venceu grandes batalhas. Ele venceu os filhos de Amom (Jz 11.32-33), os efraimitas (Jz 12.6) e julgou Israel durante seis anos (Jz 12.7).

Em 12 de junho de 1964, o juiz De Wet sentenciou Mandela e dois de seus coacusados como culpados em todas as quatro acusações. Embora a promotoria tenha solicitado que a sentença de morte fosse aplicada, o juiz os condenou à prisão perpétua.

Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela foi libertado pela manobra política de De Klerk, para pacificar a África do Sul. Depois de longos 27 anos quebrando pedras numa prisão, ao invés de Mandela liderar os seus irmãos negros contra os colonizadores brancos, ele se concentrou num propósito grandioso: unir as raças e tornar a África do Sul uma grande potência econômica. Um lugar pacificado onde todos desejariam investir, morar e passear.

Outrora Jefté foi um homem rejeitado pelos irmãos, no futuro seu nome entrou para galeria dos Heróis da Fé “Que mais direi? Não tenho tempo para falar de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas” – (Hb 12.32).

Assim como DEUS agiu na vida de Jefté, ELE lhe dará um futuro maior que o seu passado.

Pastor Olavo Vigil

Virando o jogo – II

Texto base: Lucas 23.32-43

A narrativa bíblica fala de um homem que estava perdido. Um homem que no tabuleiro da vida estava em xeque-mate. A esperança se fora. Não havia mais o que fazer, dependurado numa cruz, a morte era certa. Entretanto, para aquele homem perdido JESUS virou o jogo, mudando o destino da eternidade dele. Ao crer em JESUS, o ladrão da cruz mudou o destino da sua eternidade. O evangelho apócrifo de Zaqueu 9.15 chama-os de Dimas e Gesta. Dimas seria aquele que creu em JESUS. O episódio revela duas verdades acerca do criminoso da cruz:

Um homem condenado (v.32). A narrativa começa dizendo que, juntamente, com JESUS foram dois criminosos para serem mortos. Esse homem foi condenado à morte. Igualmente, essa é a condição da humanidade. Todos os homens e mulheres estão condenados à morte eterna por causa do pecado (cf. Rm 6.23).

Um homem merecedor da condenação (v.41). Algumas pessoas veem esse homem como uma vítima. Contudo, em circunstância nenhuma esse homem é uma vítima. Ao contrário de JESUS, ele foi dependurado na cruz porque era um criminoso. Provavelmente, ele não fosse somente um ladrão. Naquela época nenhuma pessoa era crucificada por ser apenas um ladrão. Possivelmente, além de ter sido um salteador (cf. Mc 15.27), fosse um zelote, pertencente a um grupo revolucionário que lutava para destituir Roma do poder.

A intervenção de JESUS muda o destino da eternidade.

Vejamos três ações que mudarão o teu destino:

Tema a DEUS (v.40). O que significa temer a DEUS? Ter temor a DEUS significa reverenciá-LO e respeitá-LO como CRIADOR de todas as coisas e SALVADOR de toda a humanidade. Temer a DEUS é a atitude esperada do crente verdadeiro diante do DEUS TODO-PODEROSO. Mas temer ao SENHOR não é o mesmo que ter medo ou pavor dEle. Ao contrário, o temor do SENHOR está diretamente ligado ao amor e a gratidão que devemos a ELE. Diante da presença de JESUS o coração do ladrão se encheu de temor. Enquanto diante de JESUS um criminoso zombava, o outro ficou cheio de temor diante do SALVADOR.

O temor a DEUS nos faz tomar decisões acertadas (Pv. 9.10). Esse homem provavelmente fez muita coisa errada na vida, mas o temor a DEUS o levou a tomar a decisão mais importante de toda a sua vida: crer em JESUS. Por falta de temor a DEUS tomamos decisões erradas.

O temor a DEUS nos faz confiar em JESUS (Ec 12.13). O temor levou o condenado na cruz a confiar a DEUS a sua eternidade. Quem teme a DEUS confia em JESUS. À medida que tememos mais a DEUS, confiamos mais NELE. O temor a DEUS foi o que salvou o ladrão da cruz.

Certa jovem estava saindo com seus amigos para um final de semana na praia. A mãe dela, preocupada com a excessiva empolgação dos jovens, disse-lhe: “Vai com DEUS, minha filha”. A moça, com ironia, respondeu: “Só se Ele for no porta-malas, mãe, pois no carro não cabe mais ninguém”. E saíram rindo. Na viagem de ida, os jovens se envolveram num grave acidente. Todos morreram, porém, o que estava no porta-malas não sofreu qualquer dano. Nem mesmo um só ovo se quebrou da caixa de ovos que eles estavam levando.

Reconheça que é pecador (v.41). O ladrão da cruz reconheceu que era pecador. Ele reconheceu que era merecedor da punição.

Todos somos pecadores, é o que nos diz o texto de Romanos 3.23. O pecado é uma condição inerente a todos os homens. Independente da raça, da classe social ou da religião, todos são pecadores. E por causa do pecado todos estão condenados ao tormento eterno.

JESUS é a cura para o pecado. Ninguém tomará um remédio a menos que reconheça que está doente. JESUS é o único remédio para a cura o pecado (Lc 5.31-32).

Dentro dos grupos de terapias de alcoólicos e narcóticos o primeiro passo para iniciar o tratamento é admitir que se é um alcoólatra ou dependente químico. Somente ingressa no tratamento aquele que realmente se reconhece como usuário dependente. Semelhantemente, só é curado do pecado aquele que reconhece que é um pecador.

Reconheça que você é um pecador e receba o perdão dos seus pecados.

Clame a JESUS (v.42). Ele não clamou para o judiciário romano e nem para as autoridades religiosas. Ele clamou a JESUS. Quem mudou o destino da eternidade desse criminoso foi JESUS. Infelizmente, as pessoas depositam as suas esperanças em ideologias políticas, em religiões e em outras pessoas, mas somente JESUS tem o poder para salvar da morte eterna.

Por que devemos clamar a JESUS?

Porque somente no nome de JESUS há salvação. Nenhum outro nome foi dado ao homem para que ele seja salvo do pecado. Somente o nome de JESUS tem poder para salvar (cf. At 4.12).

É dá cruz que vem a salvação. Pela morte de JESUS na cruz todo o pecado é perdoado. O castigo que traz a paz estava sobre ELE (cf. Is 53.5). Éramos nós que deveríamos estar dependurados na cruz, mas JESUS morreu em nosso lugar. Max Lucado escreveu: “Não foram os cravos que prenderam Jesus numa cruz. Foi o Amor”. Foi nos últimos instantes de vida que o ladrão clamou e creu. Foi nos últimos minutos que ele virou o jogo ao seu favor.

Numa segunda-feira, fui ao Hospital Santa Rita, que pertence ao Complexo Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, um hospital referência no tratamento do câncer. Entrei no quarto da dona Diles, uma empresária bem sucedida do setor calçadista na cidade de Guaíba, região metropolitana de Porto Alegre. Ela se encontrava muito debilitada e o seu rosto refletia a morte. Por muitos anos ela havia resistido ao evangelho, porém, com a idade avançada, tomada pelo câncer e desenganada pelos médicos, ouviu atentamente enquanto eu testemunhava de JESUS. Depois de ler a Bíblia com ela e apresentar o plano de salvação, perguntei-lhe se ela gostaria de orar, entregando a vida para JESUS. Ela prontamente disse que sim. Na quarta-feira, quando retornei ao hospital, fiquei surpreso com o que vi. Ela estava animada, embora sem forças para falar, os olhos dela brilhavam. Então, ela me contou que JESUS conversou com ela após eu sair do quarto na segunda-feira. Perdoou os seus pecados e estava aguardando por ela. Ela repetiu várias vezes nessa visita:” – Estou pronta para morar com JESUS”. No dia seguinte ela faleceu.

JESUS virou o jogo. Nos últimos dias de sua vida, ela mudou o destino da sua eternidade.

A salvação não é por merecimento (v.41). O ladrão mereceu a morte pelos crimes que cometeu. Ele merecia passar a eternidade no inferno por causa dos pecados dele. Mas a narrativa termina com ele indo para o céu. Mesmo sem merecer ele foi para o céu. Ele não fez nada de bom para ir para o céu. Ele teve os pecados perdoados e foi para o céu porque creu em JESUS.

A salvação é imediata (v.43). O texto não diz: amanhã, na próxima semana ou no próximo ano, ao contrário, hoje. A salvação é imediata. Se você abrir o coração e confessar JESUS como teu SENHOR e SALVADOR, hoje mesmo o teu nome será inscrito no livro da vida. Hoje mesmo o teu nome estará gravado na eternidade com DEUS.

Salvação é comunhão com JESUS (v.43). “Estará comigo”. A salvação é a comunhão com o SENHOR. Essa comunhão com JESUS começa agora se tu confessares JESUS como o teu SALVADOR. Assim, desfrutarás da doce e amável presença do SENHOR todos os dias da tua vida, começando agora.

A intervenção de JESUS mudará o teu destino.

Pastor Olavo Vigil