Transformando a crise em triunfo

Texto base: Gênesis 26.1-25

Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um”. (Albert Einstein)

Diante da crise há dois tipos de pergunta, elas demonstram um coração incrédulo ou um coração cheio de fé. A incredulidade pergunta: “Como posso sair dessa situação?”. A fé pergunta: “O que posso aprender com essa situação?”. Pessoas de fé crescem nas situações mais severas e saem delas mais fortalecidos e equipados para enfrentarem adversidades ainda maiores. Para as pessoas de fé a crise é mais que um perigo, é uma oportunidade. Para Isaque, filho de Abraão e Sara, o segundo da linhagem dos patriarcas do povo hebreu, a crise não foi o coveiro dos seus sonhos, mas a porta parao agir sobrenatural de DEUS em sua vida. A crise é tempo da intervenção sobrenatural de DEUS. Transforme a crise em triunfo. Como transformar a crise em triunfo?

Busque e obedeça a direção de DEUS (v.3). A fome assolava a terra. Junto com a fome vinha a doença, a morte, o desespero, a angústia, a incerteza acerca do amanhã. Isaque precisava tomar uma decisão. Descer para o Egito, um lugar próspero onde havia alimento em abundância para sua família? Ou permanecer em Gerar onde teria que lidar com o longo período de fome? Uma decisão difícil com desfechos diferentes. Isaque tomou uma decisão fundamentada na orientação de DEUS. Humanamente falando, a melhor decisão seria descer para o Egito; Isaque obedeceu a DEUS e permaneceu em Gerar. A melhor decisão é a que tomamos orientados por DEUS. A melhor decisão é obedecer a vontade de DEUS, ainda que não vejamos os resultados da resolução. Semelhantemente, enfrentamos um tempo de desemprego, de contenção drástica de despesas e de recessão. Para triunfarmos na crise, devemos evitar os atalhos e obedecer à vontade de DEUS. Certa vez, conversava com um senhor de mais de 80 anos, que aguardava a sua consulta no Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre. Ele me contou ser daltônico e que havia tirado a carteira de motorista assim que completou a maior idade, e dirigia por toda parte. Eu estava curioso para saber como ele conseguia passar nos sinais luminosos do trânsito. Explicou-me que, para atravessar nos cruzamentos com semáforos, baseava-se nos outros motoristas, ou na posição dos brilhos dos faróis. Pensei comigo: Assim como este senhor, quantos têm a sua vida dirigida pelos outros ou pelas circunstâncias ao seu redor? O homem não pode dirigir a própria vida baseando-se em meras informações dos outros homens e pelo que acontece a sua volta. Infelizmente há muitos daltônicos espirituais.

A presença de DEUS faz a diferença (v.3). O que faz a diferença não é o lugar, mas a presença de DEUS.Gerar não era um lugar ideal para Isaque permanecer com a sua família, devido à hostilidade dos filisteus e a fome que assolava a terra.O Egito seria um lugar melhor devido a abundância de alimentos, mas não teria a aprovação de DEUS. A presença de DEUS fez com que Isaque fosse vitorioso numa terra hostil. Após o episódio do bezerro de ouro no deserto, DEUS puniu o povo afastando-o da Sua presença. Moisés faz a seguinte oração: “Então Moisés lhe declarou: Se não fores conosco, não nos envie”. (Êx 33.15). Moisés sabia que seria impossível chegar à Terra Prometida sem a bênção do SENHOR e que a Terra Prometida com todas as suas riquezas, se tornaria irrelevante sem a presença de DEUS. Vivemos em busca dos melhores lugares e dos melhores métodos, ao invés desejarmos a presença de DEUS. Certa vez, alguém disse: “A causa da nossa vitória não é a ausência de problemas, mas a presença de DEUS nos garantindo a vitória”.

Creia nas promessas invisíveis de DEUS (v. 3-6). Isaque tirou os olhos das circunstâncias e pôs nas promessas. DEUS fez três promessas para Isaque:

A Sua presença (v.3). “Eu estarei com você”. O cenário era terrível: fome e hostilidade. Isaque se ente encorajado a permanecer por causa da promessa de DEUS. Não foram as capacidades de Isaque que o fizeram prosperar numa terra inóspita, foi a presença de DEUS.

A Sua bênção (v.3). “E o abençoarei”. DEUS prometeu abençoar Isaque numa terra seca e infértil. A vitória de Isaque não estava condicionada ao lugar, mas à boa mão de DEUS. O rei dos filisteus reconheceu que Isaque era homem abençoado por DEUS.

A multiplicação (v.3).“A você e a seus descendentes”. DEUS prometeu muitos descendentes para Isaque. DEUS prometeu através de Isaque fazer um povo forte. Isaque também multiplicou as plantações e colheitas em Gerar. Não deixe a ansiedade estrangulá-lo. Não deixe as circunstâncias adversas guiarem o teu coração. Confie nas promessas de DEUS. George Douglas Watson disse: “Um empecilho à fé é olhar para as circunstâncias e não para as promessas imutáveis de DEUS”.

Abandone os modelos de fracasso (v.7). Mais de um século antes, Abraão havia descido para o Egito para escapar da fome (Gn 12.10). Era costume dos reis e nobres daquela época, quando se interessavam por uma mulher casada, matar o marido para se casar com a viúva.Os homens faziam isso porque desde aquele tempo o adultério não era permitido. Para salvar a propria vida, Abraão mentiu que Sara era sua irmã (Gn 12.11-12). Com medo de morrer, Isaque fez o mesmo. Semelhantemente a Isaque, imitamos os modelos de fracassos. Criticamos, veementemente, e afirmamos que faríamos diferente, mas quando temos a oportunidade de fazê-lo, repetimos as mesmas atitudes. Muitos filhos se queixam dos seus pais, da infidelidade conjugal, da desorganização financeira e da ausência de testemunho cristão, mas ao longo da vida repetem os mesmos erros. Certa vez, conversava com um jovem casal, que celebravam seu primeiro ano de matrimônio, bodas de papel. Eles afirmaram que estavam decididos a não repetir o modelo de fracasso dos seus pais. A jovem senhora narrou que, devido o descontrole financeiro da mãe dela, já no décimo dia do mês não tinham mais dinheiro e nem mantimentos em casa. O rapaz contou que cresceu numa pequena cidade do interior, onde todos os moradores se conheciam, que ele e suas irmãs tinham vergonha da vizinhança, por causa dos romances extraconjugais do seu pai e da frequência com que ele visitava o bordel da pequena cidade. Pasme! No quarto ano de casamento, esse mesmo casal, que afirmou que não repetiria os mesmos erros de seus pais, se divorciou. Quais foram os motivos? Os mesmos erros cometidos pelos seus pais. Uma extinta banda de música, da década de 90, chamada Tigres de Bengala, cantou: “E se o mundo dá tanta volta, não há tempo de olhar pra trás, repetindo os velhos erros dos nossos pais”.Devemos abandonar os modelos de fracassos ou continuaremos obtendo os mesmo resultados.

Trabalhe para obter os resultados esperados (v.12). “Colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou”. O texto diz que Isaque teve uma colheita exponencial e que DEUS o abençoou muito. Não devemos ignorar que Isaque trabalhou na terra para ter a colheita. DEUS abençoou o trabalho das mãos de Isaque. Muitos querem as bênçãos de DEUS, mas não querem trabalhar para obter o sucesso no seu empreendimento, seja no casamento, no ministério ou nos negócios. Seja qual for o cenário, nosso compromisso é trabalhar. Jamais obteremos resultados sem trabalho. DEUS abençoará o trabalho das nossas mãos. O texto diz que Isaque semeou. Semear é trabalhar. Semeie no teu casamento, na vida dos teus filhos, no teu trabalho e no teu ministério.

Persevere ao invés de ser vítima (v.15-18). Isaque foi expulso da terra e os seus poços foram entulhados de terra. Ao invés de se lamentar, ele reabriu os poços. Isaque tinha todos os motivos para desistir. Ao invés de desistir, ele perseverou. Isaque foi incansável, os filisteus entulhavam os poços ele os reabria.

Aquele que faz o que é errado não cansa de fazê-lo, mas quem faz o certo se cansa facilmente. A perseverança é uma virtude da vida cristã. É a capacidade de se manter firme diante dos desafios. Um menino, parcialmente surdo, retornou um dia da escola trazendo uma nota dos diretores. A mensagem sugeria aos pais que o retirassem da escola porque ele era “muito estúpido para aprender alguma coisa”. A mãe, ao ler a nota, disse: “Meu filho Tom não é estúpido e incapaz de aprender. Eu mesma o ensinarei.” E foi isso que, ela fez. Quando Thomas Edison morreu, muitos anos mais tarde, todas as pessoas dos Estados Unidos lhe reverenciaram, desligando as luzes do país por um minuto. Este Tom inventou a lâmpada elétrica e não apenas isto, mas também o filme cinematográfico e o toca-discos. Ao todo ele teve a seu crédito, mais de mil patentes. De semelhante modo, sua perseverança poderá mudar não apenas a sua vida, mas o mundo ao seu redor. Seja qual for a dificuldade que esteja enfrentando, não se comporte como vítima, persevere para vencê-la. Pare de lamentar pelo seu casamento, pela sua família, pelo filho distante do Evangelho ou por qualquer outra coisa, seja qual for, persevere para vencê-la. Samuel Johnson escreveu: “Os grandes feitos são conseguidos não pela força, mas pela perseverança”.

Transforme o cenário a sua volta (v.12). Como dissemos antes, o cenário era terrível: fome e hostilidade. Isaque não se conformou com a situação, ele trabalhou para mudar o cenário. Isaque não foi transformado pelo ambiente, ele transformou o ambiente. Ele semeou na terra e reabriu os poços. Infelizmente, nos condicionamos e permanecemos passivos diante das dificuldades à nossa volta. Se desejamos ver as mudanças ao nosso redor precisamos trabalhar para que elas aconteçam. Foi para mudar o cenário à nossa volta que DEUS nos chamou, não para assistir passivamente as coisas acontecerem ou continuarem como estão. Não se condicione ao cenário à sua volta, trabalhe para transformá-lo. Trabalhe para transformar o teu casamento, para transformar a tua família, para alcançar o coração do filho incrédulo e para realizar os teus sonhos.

Trabalhe para o bem das futuras gerações (v.18). Abraão, cerca de cem anos atrás, abriu poços naquela terra. No oriente, quem cavava um poço era considerado um benfeitor público. Isaque foi beneficiado pelos poços que seu pai abriu. Uma geração anterior trabalhou para o bem de outra geração. Infelizmente, quando pensamos construir algo, focamos somente na nossa geração. Pensamos somente em nosso bem-estar e nas nossas conquistas. Os verdadeiros líderes trabalham para construir um legado. Vivemos a geração mais egoísta de todos os tempos. Uma geração que vive somente para si, que não consegue vislumbrar o futuro das próximas gerações. Vivemos uma carência de líderes como Martinho Lutero, Nelson Mandella, Martin Luther King Jr. e Kate Sheppard. Por causa de Lutero, podemos ler e manusear a Bíblia, por causa de Mandella a segregação racial teve o seu fim na África do Sul, por causa de Martin Luther King Jr. os afro-americanos tiverem seus direitos civis legitimados e por causa de Kate Sheppard, as mulheres votam e concorrem às eleições municipais, estaduais e federal. Esses líderes não trabalharam para eles e muito menos usufruíram de suas conquistas, mas deixaram um legado para as futuras gerações. Quando pensamos no crescimento e no avanço da igreja, devemos planejar a igreja para alcançar a próxima geração.

Testemunhe do poder do SENHOR (v.25). Era uma prática dos patriarcas edificarem um altar para adoração ao SENHOR em cada novo lugar que eles acampassem. O Egito foi o único lugar que o altar de culto ao SENHOR não foi edificado quando Abraão desceu para essa terra para fugir da fome (Gn 12.10-20). As consequências foram as piores, ele quase foi morto, foi expulso da terra e levou com ele a escrava Haggar, que no futuro lhe deu sérios problemas. Isaque construiu um altar a DEUS e testemunhou para todos do poder e da graça de DEUS. É no momento de crise que devemos testemunhar do poder de DEUS. O culto a DEUS deve ser ultracircunstancial. Sejam nos momentos bons ou maus, devemos cultuar a DEUS. Precisamos restaurar o altar de DEUS em nossa vida, o culto e o testemunho do poder do SENHOR devem ser prioridade em nossa vida. O pastor Irland Pereira de Azevedo disse: “O culto começa no dia que nos convertemos”. O culto e a fé são o combustível para triunfar na crise.

A crise é tempo da intervenção sobrenatural de DEUS. Você precisa decidir: fazer da crise o coveiro dos seus sonhos ou uma oportunidade para o seu crescimento. Qual será a sua decisão?

Pastor Olavo Vigil

Vítima ou protagonista?

Texto base: Daniel 1

Seja protagonista da sua vida e não plateia da vida dos outros”. (Desconhecido)

O mundo é cheio de pessoas de todo o tipo. Muitas pessoas são protagonistas da própria vida, enquanto outras, infelizmente, sempre se comportam como vítimas. Aquelas que se sentem vítimas nunca se responsabilizam por seus fracassos. Ora responsabilizam os outros ora as circunstâncias pelo insucesso delas. Preferem o caminho da autocomiseração e sustentam uma postura sofredora como se carregassem o peso do mundo nas costas. Para elas, os outros ou as circunstâncias sempre serão os culpados pelo fracasso que bate à porta no casamento, na família, nos negócios ou no ministério. É certo que cada um é o responsável pela própria vida. Então, pare de ser vítima e seja protagonista da sua vida como Daniel bem nos ensina.

Daniel, apesar das tragédias sofridas, não se comportou como vítima, mas foi protagonista de sua história, ensinando por meio do exemplo, a sermos, nós, também, protagonistas da nossa vida. Daniel foi deportado em 605 a.C., no quarto ano do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, no primeiro grupo levado para o cativeiro na Babilônia. O rei Jeoaquim confiou que o rei do Egito faria guerra contra a Babilônia, então, parou de pagar os tributos. Entretanto, o rei do Egito não foi para o combate contra os persas e Nabucodonosor invadiu Judá, matou o rei Jeoaquim e entronizou Joaquim, antes chamado de Jeconias, filho do rei assassinado, como rei vassalo. Segundo o historiador Flávio Josefo, foram levados cativos dez mil e oitocentos e trinta e dois judeus, entre eles, jovens e profissionais do mais alto gabarito. Dentre eles, estava Daniel que chegou a servir a seis governadores babilônios e três persas. Durante os governos de Nabucodonosor, Belsazar e Dario I ele foi o primeiro ministro, contudo, a história dele foi de perdas significativas:

Perdeu a família (v.3). Arrancaram Daniel à força do seio de sua família, e é bem possível que ela tenha sido assassinada. Descendente da família real ou da alta nobreza, tendo nascido em Jerusalém, em 623 a.C.,aproximadamente durante o reinado de Josias e no início do ministério profético de Jeremias, sua condição de nobreza não evitou que ele perdesse a família.

Perdeu a nacionalidade (v.4). Durante três anos ele foi instruído no aramaico. O hebraico deixou de ser a sua língua, apagaram sua pátria e cultura ou, pelo menos, tentaram apagar. Ele foi transformado num escravo do rei da Babilônia, deixando de ser judeu.

Perdeu a identidade (v.7). Seu nome foi trocado de Daniel, que significa “DEUS é meu Juiz”, para “Beltessazar” que significa “Príncipe de Bel”.

Perdeu a religião. Os tesouros da Casa de DEUS foram roubados. Os vasos e os jarros sagrados do templo passaram a ser usados em orgias na Babilônia. O templo foi incendiado.Ele ficou semo altar, sem a Torá, semos sacerdotes e sem os rituais do culto judaico.

Apesar de tudo que sofreu, Daniel não se posicionou como vítima, mas se tornou protagonista da sua história. Daniel nos ensina sobre quatro atitudes de um protagonista:

Supere o seu passado (v.2, 6). Daniel não ficou na Babilônia por vontade própria. Daniel foi levado para a Babilônia à força. Ele nada fez de errado para estar preso na Babilônia. Contudo, não encontramos nenhuma queixa de Daniel sobre isso. Ele não reclama dizendo que a culpa não foi dele, mas do rei Jeoaquim que se rebelou contra Nabucodonosor. Ele não se levanta contra DEUS, dizendo que nunca adorou falsos deuses e nem corrompeu o direito do pobre. Não sabemos nada acerca do passado de Daniel. Não sabemos quem eram os seus pais e qual foi a profissão deles. Não sabemos como foi a sua infância. Daniel rompeu com o passado para viver o futuro. Há pessoas que não conseguem viver nem o presente e nem o futuro porque estão presas no passado. Estão presas nos traumas, nas injustiças sofridas e nos ferimentos do passado. Enquanto estiverem presas aos traumas do passado, se comportando como vítimas, elas nunca conseguirão ser protagonistas da própria vida porque elas não aprenderam que “JESUS cura o nosso passado para fazer parte do nosso presente”.

Exerça a sua fé (v.8-9). Muitos interpretam o versículo 8, afirmando que Daniel não comeu do mesmo alimento de Nabucodonosor porque as iguarias oferecidas no banquete eram consagradas aos deuses pagãos. Com certeza, a pecuária e a agricultura da Babilônia eram consagradas aos deuses pagãos. Os cultos em busca de fertilidade paras os animais e para as plantações eram realizados com pessoas embriagadas e em orgias sexuais. Nesse contexto, Daniel pediu permissão para se alimentar somente de vegetais, e que fosse experimentado nessa dieta por dez dias. Caso os jovens que se alimentassem de vegetais não estivessem em condições mais saudáveis do que aqueles que se alimentavam da mesa do rei, poderiam fazer com Daniel e os seus companheiros o que achassem melhor. Surpreendentemente, dez dias depois, Daniel e seus amigos estavam mais saudáveis e mais fortes que todos os demais. Dois possíveis motivos fizeram Daniel tomar a decisão de não comer da mesma comida do rei: 1- As carnes eram impróprias para o consumo de judeus pela proibição legal, como é o caso do porco, e 2- Comer à mesa do rei significava ter intimidade e concordância com ele. Daniel exerceu a sua fé quando desafiou Aspenaz, chefe dos oficiais, a deixá-lo se alimentar somente de vegetais por dez dias. Os demais não tiveram a mesma fé de Daniel, não ousaram desafiar o chefe dos oficiais. Por isso, DEUS abençoou Daniel de tal maneira que dez dias depois ele e os amigos estavam mais saudáveis e mais fortes do que os outros. De que adianta afirmarmos que temos fé se no dia da luta nos acovardamos e recuamos? É nos desafios experimentados que exercitamos a nossa fé. Não seja vítima das circunstâncias, exerça a sua fé e seja protagonista da sua história, é o que nos ensina Daniel.

Influencie ao invés de ser influenciado (v.19). Daniel foi deportado para a Babilônia para ser mais um escravo. Daniel foi batizado com outro nome, passou a falar outro idioma e foi treinado durante três anos para servir na corte real. Eles mergulharam Daniel numa cultura pagã, mas não conseguiram influenciá-lo. Na corte de Nabucodonosor havia astrólogos, encantadores, magos e feiticeiros, mas a influência de Daniel não só suprimiu os conselhos desses supostos sábios como também serviu para poupá-los da morte iminente. Apesar de a Babilônia mudar o nome dele e o seu idioma, ela não conseguiu influenciá-lo, mas ele influenciou grandemente a Babilônia, a ponto de serem publicados decretos em honra ao SENHOR. A palavra de Daniel exerceu mais influência sobre os reis da Babilônia do que os próprios pagãos. Daniel ao invés de se comportar como vítima, se posicionou como um agente influenciador num mundo pagão. Há pessoas que se queixam da família, do ambiente de trabalho e da cidade em que vivem, mas não fazem nada para promover mudanças de valor. Lamentavelmente, elas estão se moldando ao mundo ao invés de transformá-lo. O recado de Daniel é claro: Não se comportem como vítimas, mas influenciem as pessoas ao seu redor (Rm 12.2)

Prevaleça em tempos difíceis (v.21). Daniel ficou no palácio real até o ano em que o rei Ciro começou a governar a Babilônia. Ele sempre foi respeitado, por diferentes governantes, por sua sabedoria. Não existem registros da data e circunstância de sua morte. Possivelmente, tenha morrido em Susã, com oitenta e cinco anos, onde existe uma provável tumba onde estaria seu corpo, num lugar conhecido como ‘Shush-Daniel’. Daniel atravessou dias difíceis durante o reinado de quatro poderosos reis e conquistadores, de três nacionalidades e dinastias diferentes. Eles subiram ao trono e o deixaram. Reis foram levantados e caíram. Mas Daniel permaneceu. A Babilônia caiu, mas Daniel permaneceu em pé. Daniel foi maior que a Babilônia. Ele sobreviveu a vários atentados contra a sua vida: Ameaça de morte, caso não interpretasse um sonho (2), e foi jogado na cova de leões famintos para que fosse devorado (6). Da mesma forma, os amigos de Daniel foram salvos de dentro da fornalha ardente (3). Tudo e todos caíram, menos Daniel. A sociedade clama por homens e mulheres de DEUS, que assim como Daniel, prevaleçam em tempos difíceis. Daniel não foi vítima e muito menos figurante durante os impérios que se sucediam, ele foi protagonista da própria história. Em DEUS, somente em DEUS é possível permanecer em pé diante das mais severas adversidades. Daniel se manteve prostrado diante de DEUS e de pé diante dos homens. Certa vez, alguém disse: “Quem fica de joelhos diante de Deus, permanece de pé diante de qualquer circunstância”.

Seja protagonista da sua história. A questão não é o que aconteceu, mas o que fará com o que aconteceu na sua vida. Tome uma decisão: ser vítima ou ser protagonista? Daniel foi protagonista da própria história porque fez de DEUS o centro da vida dele. Somente com JESUS você será protagonista da tua vida.

Pastor Olavo Vigil

Natal

A brisa que soprava suave sobre o anoitecer pacato do lugarejo, trazia consigo as notas refinadas de uma canção entoada com delicadeza angelical.A relva polida por flores silvestres já regada pelo orvalho sob a luz que irradiava de um céu estelardava as cores precisas para a obra de um artista. Nada mais encantador que apreciar a brandura do conjunto de elementos que colocava a criação em harmoniosa celebração.O aroma amadeirado do cenário rústico que enfeitava o lugar parecia propor solenidade ao que estava por vir, e o silêncio quase doce daquele momento seria rompido por um estrondo fascinante de uma orquestra de tons, que oscilavam entre força e ternura, entoados pela meiguice do chorinho de um bebê.

– Nhééééééé… o sinal da rendição e da redenção. A vida irrompeu cheia de promessas e admiração. Os olhos daquela jovenzinha, a mãe do menino, o menino que quebrou o silêncio de Deus, renderam-se ao pequeno ser que traria novamente voz ao Amor. Seus afagos deram-lhe boas-vindas e sua chegada trouxe-nos boas-novas! Agora o cenário já não é mais brando, tranquilo. Agora toda a natureza em harmoniosa celebração recebe-o com majestoso louvor e adoração. Dos céus vêm sons celestiais, entoados por seres celestiais, num coro de muitas vozes, com todos os naipes, com todos os tons. Dos céus os luzeiros radiantes, intensos, apontam para o lugar onde agora há nobreza e majestade. Eis o Rei dos Reis! O Senhor dos senhores! O príncipe da paz!

Sim, Ele já era esperado. Maria o amou antes mesmo da sua concepção, o amou apesar da sua concepção. Sabia que sua escolha por Ele poderia lhe trazer perdas, mas Maria abriu mão de si mesma para receber em seus braços o salvador do mundo. Ela sabia que não era digna da sua grandeza, tampouco da sua graça. Não possuía o enxoval adequado para um Rei, não lhe daria mais que um estábulo para nascer. Não seria mais que uma simples súdita a amá-losem nada a oferecer. Mas seu colo amoroso poderia ser o aconchego do seu trono até ser menino feito, até crescer. Enquanto seu ofício de mãe fosse requerido ela estaria ali, pronta para ser, para ser o que havia sido designada: agraciada com todo o seu esplendor.

O autor agora se junta à sua criação. Sua voz que deu início a tudo, passará a ser ouvida e anunciada, face a face, em todas as línguas, por todas as nações. Seu chorinho maternal é a resposta do plano de amor redentor projetado antes mesmo do homem ser presenteado com a própria vida. Agora é presenteado com a Vida no sentido mais pleno, absoluto, completo e repleto de amor. Foi aquele chorinho de menino que dividiu as eras, que transformou a espera em marco da divina redenção.

Poderia não ser o lugar mais confortável ou aceitável para essa concepção, já que a expectativa vinha acompanhada da dedução de que um rei era digno de um palácio, de laços requintados, insígnias bordadas, vestes preparadas com tecidos finos, caros e raros. Mas fica claro, quanto aquele céu estelar, que mais importante que os elementos oferecidos foi a presença do Rei que atribuiu valor ao lugar.

O cenário singelo estava agora enobrecido pela presença do pequenino que chamaria a atenção daqueles que nada sabiam e daqueles que sabiam o suficiente para amá-lo ou rejeitá-lo. Homens simples, e sem credibilidade diante de outros homens, de atividades pastoris, prostraram-se diante do Rei de quem receberiam notável aceitação. Homens de grande reputação, com grande conhecimento e instrução, também viriam ao seu encontro para presenteá-lo e reverenciá-lo como é digno dos reis. Mas haveriam aqueles outros, que por medo ou rejeição, deixariam de receber todo o amor colocado à sua disposição para viver a mercê de suas próprias escolhas. Tolice ou não, diz respeito à sua autonomia, que dia-dia o move em alguma direção.

O que viria depois de sua chegada? Alguns esperavam uma luta armada em busca de libertação! Mas os olhos atentos daquele jovem, a quem mais tarde chamaria de pai, lhes seriam faróis não apenas de admiração, mas de amável instrução. José também se sentiu fragilizado diante de tamanha missão. O filho de Deus seria seu, por tempo determinado, mas extasiado de amor por seu pequenino, o faria crescer com dignidade, ensinando-lhe as coisas mais simples desde a tenra idade até deixar de ser seu tutor. Não lhe faltaria um ofício, não lhe faltariam princípios, porque antes de ensiná-lo viveu a arte de aprender. E ali, naquele cenário rústico, selou a chegada do seu primeiro filho com afagos cheios de amor.

Os momentos difíceis viriam e vieram, de fato. Mas foram os laços que os fizeram prosseguir. Não foi a cultura, o conhecimento ou cumprimento de rituais que os mantiveram ligados aos céus. Foi a presença do próprio Deus, personificada naquele menino, que deu-lhes sentido ao viver. Maria, aquela doce jovenzinha, aprenderia a mãe que deveria ser a medida que ia descobrindo e aplicando com sabedoria as lições que a vida lhe traria. José, o carpinteiro, estava por inteiro no seu papel de os conduzir. Aprenderia, com certeza, a ser o que nunca havia sido antes, pai de um bebê. Não um simples bebê, mas o bebê Jesus que transformaria o mundo e ofereceria redenção e graça, que tornaria o céu acessível a todos o quanto o recebessem e se rendessem a completude do seu amor.

Sim, o bebê Jesus que, mais tarde, se tornaria tema de grandes obras, de célebres poesias, de doces canções, de grandes encenações. Seria motivo de reuniões familiares, troca de presentes, uniões celebradas, infortúnios perdoados, imposições absolvidas. Traria sentido completo ao vazio dos corações.

Aquele menino, tão pequenino, de colinho em colinho, foi bem recebido e amado, foi celebrado como é digno de um Rei. Houve harmonia entre terra e céu! Houve cantoria em todas as regiões celestiais! Houve alegria, renovo e promessas de melhores dias.

Lá fora, no pacato lugarejo oriental, a brisa continuou soprando suave, mas as notas entoadas do canto celestial receberam acordes nunca antes ouvidos. Era Natal! O rei Jesus havia nascido! Paz na terra, a Deus Louvor! Eis o Reis dos Reis, o Senhor dos senhores, o Príncipe da Paz!

Juliana Vigil

Minha experiência com a Covid-19

“É bom aprender a ser sábio na escola da dor”. (Ésquilo)

Depois de 10 dias de internação e mais alguns dias de repouso e fisioterapia em casa, gozo de boa recuperação. Agradeço ao SENHOR JESUS, as orações do Seu povo e a excelente equipe de profissionais da saúde do Hospital Beneficência Portuguesa de Pelotas que com esmero trabalharam em prol da minha recuperação. Quero compartilhar o que aprendi e vivenciei durante a o período em que estive internado. Vou fazer isso usando três palavras: vulnerabilidade, oportunidade e gratuidade. Vejamos:

Vulnerabilidade (2 Co 11.23-27). O apóstolo Paulo foi um dos maiores ícones do cristianismo. Um homem poderosamente usado pelo SENHOR JESUS para a expansão da igreja. Apesar de sua vida consagrada ao ministério, não foi poupado dos reveses da sua jornada. O cristianismo não é uma redoma metálica onde os problemas são impenetráveis. Apesar de confiarmos em JESUS, estamos sujeitos a todas as dificuldades desta vida. A COVID-19 nos mostrou o quanto somos vulneráveis. Essa é uma condição universal. Independentemente, da religião, da raça ou classe social, todos estão sujeitos a contrair a COVID19. Fiquei dez dias internado no Hospital Beneficência Portuguesa de Pelotas para me recuperar da COVID-19. Havia outros profissionais da saúde internados para se recuperar da COVID-19, médicos, enfermeiros padrão, técnicos em enfermagem, biomédico, radiologista e até um perfusionista. O médico é aquele nos oferece orientações para não contrairmos a COVID-19 e que atua na nossa recuperação quando somos infectados, mas que também está sujeito a ser contaminado. A COVID-19 nos mostrou quanto somos frágeis e vulneráveis. Isso é resultado da queda do homem no Éden (Gn 3). Ao confessarmos JESUS como SALVADOR e SENHOR, recebemos a vida eterna com DEUS, mas permanecemos vulneráveis a todas as mazelas deste mundo caído no pecado.

Oportunidade (Efésios 6.19-20). Paulo foi altruísta. Para ele a prisão não foi um impedimento, mas uma oportunidade para pregar o evangelho. O que para muitos seria um obstáculo, para Paulo foi uma porta aberta para alcançar as pessoas ao seu redor. Durante a minha internação foi possível orar e compartilhar da esperança em JESUS abertamente com os pacientes e com os profissionais da saúde. O setor do Hospital Beneficência de Pelotas que trata dos pacientes contaminados com a COVID-19 é rigorosamente fechado por causa do alto risco de contágio. Os pacientes internados não recebem visitas. Todas as manhãs durante minha caminhada no corredor para fazer fisioterapia, parava na porta dos quartos e conversava com os pacientes que estavam lúcidos, grande parte deles eram pessoas com mais de 60 anos. Ouvia seus medos e anseios e depois os encorajava com oração e PALAVRA. Orei abertamente com todos os profissionais da saúde e da limpeza. Ouvi seus dramas e os motivei. Muitos profissionais da saúde não veem suas famílias há mais de 2 meses, porque têm medo de contaminá-los. Outros foram contaminados e se recuperaram, mas trabalham com muita limitação devido às sequelas da COVID-19. O trabalho dos profissionais da saúde triplicou devido às baixas por contaminação e outros se afastaram porque fazem parte do grupo de risco. O Hospital Beneficência de Pelotas se tornou referência no tratamento contra a COVID-19. Nem todos os hospitais da cidade de Pelotas estão recebendo pessoas contaminadas com COVID-19. Alguns não possuem estrutura necessária e nem pessoal porque não são todos os profissionais da saúde que querem trabalhar nesta área por terem receio de se contaminarem. Isso resultou em trabalho dobrado dos profissionais da saúde do Hospital Beneficência de Pelotas. Orei diariamente pelos profissionais da saúde. Afirmei para eles que foi para este momento que DEUS os levantou. Muitas pessoas voltaram e voltarão para as suas famílias graças ao trabalho dedicado dos profissionais da saúde. DEUS me deu a oportunidade de orar e evangelizar onde nenhum discípulo de JESUS poderia entrar, a não ser que fosse um profissional da área da saúde. Que o SENHOR JESUS seja a fortaleza dos profissionais da saúde.

Gratuidade (2 Coríntios 12.9). Foi a graça, somente a graça de DEUS que me sustentou nestes dias escuros. O agir do SENHOR na minha vida se tornou notório para todos os profissionais de saúde e companheiros de internação. A Médica responsável por mim ficou impressionada com a minha recuperação. Ela disse que na tomografia a infecção parecia como uma massa branca, quando fui internado meus pulmões estavam 52% tomados por essa massa branca, dias depois faço outra tomografia, quase nada nos pulmões. Segundo ela, isso não é comum, todos os pacientes que ficam internados levam muito tempo para se recuperar e passam meses com as sequelas da COVID-19. Recebi alta num estágio de recuperação muito avançado. Os fisioterapeutas também ficaram atônitos com minha recuperação. Fazia fisioterapia duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde. Durante o dia fazia exercícios de respiração por conta para acelerar a minha recuperação. Fui internado numa terça-feira, na quinta-feira tomei a decisão de não permanecer na cama. Não podia deixar o peso do meu corpo sobre os meus pulmões. A cama não é minha amiga e sim minha inimiga. Levantava da cama, caminhava e fazia exercícios de respiração diariamente. No dia que recebi alta, os profissionais da saúde e da limpeza se reuniram para se despedir de mim. Eu disse: Estou saindo daqui porque a graça de DEUS foi derramada na minha vida, JESUS agiu na minha recuperação. A minha recuperação foi resposta da oração do povo do SENHOR e do trabalho incansável dos profissionais da saúde.

A COVID-19 demonstrou o quanto estamos vulneráveis e sujeitos as intempéries deste mundo caído no pecado. Mas, também, escancarou uma porta para que eu pudesse ministrar a verdadeira esperança aos corações desolados. O SENHOR JESUS continua sendo a única esperança para o momento que estamos vivendo. Essa ESPERANÇA precisa ser anunciada urgentemente. Devemos ser gratos pelo cuidado de DEUS com a nossa vida e com as pessoas que ELE separou para nos ajudar nos momentos difíceis. Que a graça do SENHOR JESUS, o amor de DEUS e a consolação do ESPÍRITO SANTO nos sustente.

Pastor Olavo Vigil

Dominados pela Palavra de Deus

Texto base: Tiago 1.19-27

“Quanto mais eu conheço a Bíblia, mais aumenta a minha fé”. (Louis Pasteur)

No versículo 18, Tiago diz que fomos gerados pela palavra da verdade. Se fomos gerados pela PALAVRA devemos ser dominados pela PALAVRA, então, a PALAVRA se torna parte permanente, inseparável do cristão. Ele fala de três áreas que devemos ter dominadas pela PALAVRA :
As emoções (v.19-20). As nossas emoções muitas vezes nos controlam. Por isso, quando estamos empolgados precipitamos nossas decisões e quando estamos aborrecidos falamos coisas que não diríamos se estivéssemos calmos. Cientistas têm desenvolvido remédios para controlar as emoções e terapeutas procuram tratar as causas do sofrimento humano. Mas Tiago afirma que nossas emoções devem ser submetidas à PALAVRA de DEUS.

A conduta (v.21). A conduta do discípulo deve refletir a de uma pessoa transformada, que foi lapidada pelo poder do ESPÍRITO SANTO. Somente por meio da PALAVRA de DEUS é que iremos saber se o comportamento do discípulo é correto ou não.

A língua (v.26). A língua é uma força poderosa. Pode ser usada para o bem, como DEUS pretende, para exprimir amor e ofertar salvação. Ela também pode ser usada para o mal, com efeitos desastrosos que conduzem à condenação. Por isso, ela deve ser controlada pela PALAVRA de DEUS, para que cumpra os propósitos do SENHOR.

Seja praticante da poderosa PALAVRA (v.22). O imperativo “sejam” é uma ordem. O discípulo de JESUS deve praticar os ensinos da PALAVRA de DEUS.
Tiago apresenta um dualismo entre “prática da palavra” e o “engano”. O problema do público alvo de Tiago é que eles afirmam crer e conhecer a PALAVRA de DEUS, mas não a praticam, portanto, estão enganando a si mesmos. Consideremos três ações práticas relacionadas à PALAVRA de DEUS:

Obedeça à PALAVRA (v.19). Seja pronto para ouvir e tardio para falar, tem sido mal interpretado e aplicado. Provavelmente, você já tenha ouvido pregações nesse texto com a seguinte ênfase: ouvir mais e falar menos. Com certeza, eu já ouvi algumas vezes em casamentos e encontros de casais. Ouvir, não significa receber passivamente as informações ou escutar educadamente, sem interrupções aquele que está falando. “Ouvir” na carta de Tiago, tem o mesmo sentido deste texto: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (Mt 13.9). Ou seja, obedeça. Os leitores da carta de Tiago eram judeus que gostavam de ensinar a PALAVRA de DEUS, mas não praticavam os ensinos. Por isso, Tiago ordena aos seus leitores que sejam rápidos em obedecer e lentos em serem mestres.

Santifique-se pela PALAVRA (v.21). Tiago está afirmando que a impureza moral e a maldade prevaleciam entre os seus leitores. Que eles não estavam vivendo de acordo com a PALAVRA de DEUS implantada neles. A PALAVRA de DEUS tem o poder de nos purificar do pecado (cf. Jo 15.3 e Ef 5.26). Mas para que isso aconteça ela precisa acessar o coração do leitor por meio do ESPÍRITO SANTO.

Creia na PALAVRA (v.21). A palavra de DEUS tem poder para nos salvar da condenação eterna. Atos 8.26-40 narra a conversão do etíope, alto funcionário dos tesouros de Candace que estava lendo o manuscrito de Isaías, mas não o compreendia. O versículo 35, diz que Filipe “começando com aquela passagem das Escrituras, anunciou-lhe as boas novas de JESUS”. A Bíblia revela JESUS. Não há como divorciar JESUS da Bíblia. É antagônico dizer: “Eu creio em JESUS, mas não creio na Bíblia” ou “Eu creio na Bíblia, mas não creio em JESUS.

Persevere na PALAVRA (v.26). Devemos perseverar na prática da PALAVRA de DEUS. Não é fácil colocar em prática os princípios e valores da PALAVRA de DEUS. Possuo, pelo menos, umas dez Bíblias na minha biblioteca. Bíblias em diversas versões e de vários tamanhos. As pessoas possuem Bíblias virtuais, em PDF ou em áudio. Nosso problema não é falta de Bíblia, mas de perseverança na leitura das Escrituras e nos seus ensinos. Em Atos 2.42 diz que a Igreja de DEUS é um povo que persevera na prática da PALAVRA de DEUS: Além de conhecer o SENHOR, devemos perseverar na prática da PALAVRA de DEUS.

Seja praticante da poderosa PALAVRA de DEUS.

Mais que frequentar a igreja, receber conhecimento bíblico e voltar para casa como se nada tivesse acontecido, deseje com todas as suas forças, na dependência do ESPÍRITO SANTO praticar a PALAVRA de DEUS.

Pastor Olavo Vigil

Os estágios da comunicação

Texto base: Êxodo 4.27-31

“A liderança participativa se faz através da boa comunicação”. (João Doria Jr.)

O líder é uma pessoa que comunica ideias. E com suas ideias influencia os liderados à uma ação. Não basta ter uma grande ideia, ainda que essa seja uma direção de DEUS; para o líder e os seus liderados, é necessário saber comunicar. Moisés está empolgado com uma grande ideia que mudará a sua vida e a de todos os hebreus, mas apesar de seu coração estar queimando e desejoso de compartilhá-la com todos, ele observa alguns estágios. Quantos líderes sepultam, antes mesmo do nascimento, as suas grandes ideias? Suas ideias morrem porque não contam com a aprovação de todos. Ainda que sejam ótimas ideias, que realmente tragam mudanças significativas, que conduzam a todos ao crescimento e que seus benefícios sejam incontáveis, ele as vê morrer. A reunião agendada para compartilhar a ideia com propósito de vê-la nascer no coração dos liderados, acaba se tornado o funeral de sua grande ideia. Isso acontece por ineficácia na comunicação, não por falta de uma grande ideia ou de direção de DEUS.

Apesar de Moisés afirmar que nunca teve facilidade de falar, que não conseguia falar bem, (Êx 4.10 – NVI) ele foi um grande comunicador. Aprendamos com Moisés os estágios da comunicação:

Comunique ao líder que exerce o mesmo nível de influência (4.28). Arão era imprescindível na jornada de Moisés. Ele era o encorajador de Moisés, em outras palavras o seu braço direito. Ao encontrar Arão no deserto, Moisés, primeiramente, compartilhou com ele acerca da mensagem que DEUS havia lhe dado e do poder para realizar os sinais miraculosos. Arão se tornou um aliado para junto com Moisés comunicar a ideia para os líderes dos israelitas (v.29). Antes de comunicar a sua ideia ao grupo maior de líderes é preciso encontrar o apoio de pessoas que o ajudarão a “vender a ideia” para os demais líderes. Se não for capaz de influenciar um único líder, como irá influenciar os demais? Havendo rejeição ao comunicar para um único líder, evitamos que a ideia seja “queimada” no grupo maior de líderes. Isso garantirá tempo para trabalhar melhor a ideia antes de comunicá-la ou esperar o tempo de DEUS.

Comunique a equipe de líderes (v.29). Com o apoio de Arão, o encorajado Moisés se reúne com os líderes israelitas e comunica a sua ideia. Antes de comunicar ao povo hebreu a ideia que DEUS colocara em seu coração, ele compartilha com os líderes do povo. Observe bem o texto (v.29-30), veja que Moisés comunica as autoridades dos israelitas e somente no versículo a seguir ele comunica ao povo. Como Moisés vai influenciar o povo, se os líderes do povo não estiverem engajados com a ideia? Uma vez que a liderança toda “comprou a ideia”, você encontrará o apoio para comunicar aos demais. A própria equipe de liderança se comprometerá a comunicar a ideia aos demais. Certa vez uma senhora me contou que o marido que gozava as férias planejou uma semana cheia de atividades com os filhos, e eles ficaram muito empolgados com as atividades; em contra partida ela ficou furiosa com o marido, porque não considerou em planejar junto com ela. Assim a equipe de liderança se sente quando a ideia é comunicada diretamente aos demais sem a consideração deles.

Comunique a todos os liderados (v.30). Arão e os líderes dos israelitas são aliados de Moisés na tarefa de comunicar ao povo a ideia. O objetivo final é alcançado: o povo crê (v.31). O sucesso da tarefa de Moisés é atingido porque ele é paciente em comunicar primeiro para Arão, depois comunicar tudo novamente para os líderes dos israelitas e, enfim, se colocar diante do povo e comunicar com paixão e fé a sua ideia. Moisés não teria êxito se tivesse comunicado primeiramente ao povo, Arão e os líderes dos israelitas poderiam se tornar oposição a sua comunicação.

O líder não pode deixar uma grande ideia morrer. É preciso planejar as etapas da comunicação. O sucesso de Moisés foi planejar devidamente os estágios da sua comunicação. Primeiro Arão, depois os líderes israelitas e por último o povo. Não é por falta de grandes ideias que igrejas e organizações não avançam, mas é por falta qualidade e planejamento na comunicação. Não deixem as grandes ideias que DEUS colocou no seu coração serem sepultadas na sala de reunião. Busque a direção a DEUS (Tg 1.5) e planeje a maneira como vai comunicar a ideia. Observe os estágios da comunicação.

Pastor Olavo Vigil

A decisão é tua

Texto base: Gênesis 3.1-13

“É nos momentos de decisão que o seu destino é traçado”. (Anthony Robbins)

O poder de decidir é teu. Ao mesmo tempo que tens o poder de decidir, também és responsável pelos resultados da tua decisão. No Jardim do Éden, o primeiro casal tomou a decisão de desobedecer a DEUS e até hoje toda a humanidade sofre as consequências disso.

A responsabilidade da decisão é somente tua. Consideres três verdades sobre a decisão:

As pessoas não são responsáveis pela tua decisão (v.12). Adão transferiu a responsabilidade da sua decisão para a sua esposa. A mulher ofereceu a fruta para Adão comer, e, este, voluntariamente a consumiu. Ela não o obrigou a comer, ele não foi forçado diante de severas e perigosas ameaças. O versículo 6, diz que ela deu a fruta a ele, e ele também a comeu. Não há registro de um esforço de Adão para rejeitar o pecado. Ele, deliberadamente, diz sim, para a oferta de sua esposa e depois transfere a responsabilidade da decisão dele para ela. Somente você, e ninguém mais, é responsável pelas suas decisões. Há um provérbio chinês que diz: “Um homem sábio toma suas próprias decisões, um homem ignorante segue a opinião pública”.

DEUS não é responsável pela tua decisão (v.12). Adão acusa DEUS de ser o responsável por sua queda. Em outras palavras ele disse: “se o SENHOR não tivesse colocado essa mulher em minha vida, isso não teria acontecido”. Lamentavelmente, há pessoas que culpam a DEUS pelas próprias escolhas erradas. Culpam a DEUS pelo fracasso no seu casamento, na sua família, nos seus negócios e na sua vida. Certa senhora me contou que desde o ventre da sua mãe foi a igreja. Na sua juventude conheceu um homem, que abertamente demonstrava a dependência do álcool e um coração incrédulo acerca da fé em JESUS. Mesmo assim, casou-se com ele. Hoje, seu estado civil é uma condição de alívio, depois de muitos anos de sofrimento nas mãos de um alcoólatra que a espancava diariamente. Além da amargura, devido aos dramas vividos nesse casamento, ela carregava no seu coração a decepção para com DEUS por ELE ter permitido que ela se casasse com o seu ex-marido.

Há duas decisões que são as mais importantes de toda a sua vida:

Onde passará a eternidade. Todo o homem nasce debaixo do pecado e como consequência está eternamente separado de DEUS (cf. Rm 3.23). Precisa, urgentemente, agora, decidir onde passará a eternidade. Ou permanecerá condenado ao castigo eterno ou confessará JESUS como o seu SENHOR e SALVADOR e passará a eternidade com DEUS? (cf.Jo 3.16).

Com quem passará os teus dias nesta vida. Escolher a pessoa com que se casará é uma decisão para esta vida. Dependendo da tua escolha os teus dias poderão serem significativos e repletos de conquistas ou doloridos e humilhantes. Considere o fato de dele ser um servo de DEUS.

Satanás não é responsável pela tua decisão (v.13). O homem responsabiliza a mulher e depois DEUS pela consequência da sua decisão. A mulher, por sua vez, responsabiliza a Satanás pela sua decisão e a consequência dela. Desde dos tempos antigos os homens atribuem suas mazelas que são resultados de suas escolhas aos espíritos malignos. É mais fácil culpar o Diabo e os seus demônios que assumir as consequências suas decisões. As pessoas não querem mais confessar seus pecados, se arrepender e passar pelo processo de restauração. É mais fácil dizer que cometeram adultério ou tiveram envolvimento com a pornografia porque foram vítimas de um determinado demônio que atua na área do sexo, escravizando as pessoas. Assim, elas supostamente se livram da responsabilidade. Em outras palavras, não é culpa minha, é do demônio. John MacArthur Jr. disse: “O pecado de hoje em dia se chama demônio. É por isso que as pessoas acreditam que precisam de libertação e não de arrependimento”. DEUS não aceitou o argumento da mulher que responsabilizava a serpente pelo pecado dela. Como consequência da decisão do casal, eles foram expulsos do Éden e da comunhão com DEUS (cf. Gn 3.22-24).

A responsabilidade da decisão é somente sua. Ninguém mais, exceto você é responsável pela sua decisão. Decida hoje por JESUS.

Certa vez, ao encontrar caído no chão um pequeno e frágil filhote de passarinho, um dos discípulos de um grande sábio concebeu um jeito de, afinal, provar ser mais esperto que seu mestre. “Vou levar o passarinho até o sábio e lhe perguntar se ele está vivo ou morto, pensou ele consigo mesmo, se ele responder que o passarinho está morto, eu abro as mãos e o deixo se mexer. Se ele responder que está vivo, eu aperto um pouco as mãos e o mato. De um jeito ou de outro, ele não acertará a resposta”. Após ensaiar mentalmente suas palavras, aproximou-se do mestre e lhe perguntou: Bom mestre, o que tenho em minhas mãos? O mestre olhou para suas mãos e, vendo algumas penas por entre seus dedos, respondeu-lhe: Um filhote de passarinho. Muito bem mestre… mas este filhote está vivo ou está morto? E o mestre, de pronto, lhe respondeu: Isso só depende de você! Da mesma forma a decisão está nas tuas mãos. Somente em tuas mãos. Vida ou morte? Castigo eterno ou vida eterna? Qual será a tua decisão?

Pastor Olavo Vigil

Diante dos desafios, tenha atitude!

Texto base: Ester 4.14-17

“Acreditar é essencial, mas ter atitude é o que faz a diferença”. (Desconhecido)

Cerca de 15 milhões de judeus espalhados pelo Império Persa estavam condenados à morte devido ao decreto do rei Xerxes. O descendente de Agague e primeiro ministro do Império Persa, chamado Hamã, motivado por inveja e vingança, articulou a destruição do povo judeu (cf. Et 3).

Ester tem o desafio de salvar o seu povo da morte, mas diante do risco de morrer por se apresentar ao rei sem ser chamada, é tentada a recuar. Advertida por Mordecai, ela decide enfrentar o desafio. Contudo, Ester possuía muitos obstáculos para serem superados:

Era mulher. Ser uma mulher nos dias de Ester não era fácil. Ester não estava no palácio por sua própria vontade. Ela foi levada para o palácio por seu tio, em obediência ao decreto do rei Xerxes que ordenava que todas as moças virgens e bonitas fossem levadas para o seu harém, para que uma delas fosse escolhida para ser sua rainha (cf. Et 1.2-18). Para as normas da sociedade persa, ela era apenas propriedade do rei.

Era judia. Os judeus eram odiados pelos povos dominados pelo Império Persa. Entre os conselheiros, autoridades e assessores do rei Assuero estavam os inimigos dos judeus. Quem eram esses inimigos? – Os povos que foram subjugados por Israel quando eles tomaram posse da terra que DEUS lhes havia dado. Esses povos odiavam os judeus por causa da forte influência que eles exerciam no Império Persa. Entre eles estavam os amalequitas, inimigos ferrenhos de Israel.

Quando Mordecai deixou Ester no palácio, ordenou que ela não revelasse a ninguém que pertencia ao povo judeu (cf. Et 1.10). Mordecai sabia o quanto o ambiente era hostil para um judeu.

As leis do império. Ester devia falar pessoalmente com o rei, para interceder em favor do povo judeu, mas, por causa da lei persa, estava impedida de fazer isso. Ela poderia se apresentar diante do rei, se ele a chamasse. Se ela se apresentasse ao rei sem ser chamada por ele, a pena seria a morte. Se ela se apresentasse ao rei sem ser chamada, sua vida seria poupada somente se o monarca estendesse o seu cetro de ouro na direção dela. (cf. Et 4.10-11).

Para avançarmos na obra missionária, precisamos superar obstáculos:

O isolamento. Devido à quarentena pelo COVID-19, estamos isolados. Não podemos realizar as celebrações nos prédios das nossas igrejas com todo o seu potencial. Algumas igrejas ainda não conseguiram voltar à realização dos cultos nos seus prédios devido o decreto municipal.

A economia. Em virtude de a dificuldade em realizar os cultos nos seus prédios, a arrecadação de muitas igrejas caiu de 30% a 50%. Algumas igrejas foram obrigadas e encerrar o contrato de aluguel e devolver os seus prédios por falta de arrecadação.

A mobilização. Líderes encontraram muita dificuldade para mobilizar as suas igrejas. Uma cultura de medo se instalou no coração dos discípulos que não querem se envolver nas demandas da igreja. Não somente uma cultura de medo, também um “espírito de acomodação”; em outras palavras, “deixa assim como está”, vamos continuar com a rotina de encontros on-line.

Por causa do isolamento, da crise econômica e da dificuldade de mobilizar a igreja, líderes estão recuando ao invés de avançar na obra missionária. Precisamos entender que foi para um tempo como esse que DEUS levantou os líderes e suas igrejas. Não podemos deixar o COVID19 e a quarentena neutralizar o avanço da obra missionária. Bill Hybels disse, “A igreja é a esperança do mundo, e seu futuro está principalmente nas mãos de seus líderes” [1]. Se Ester não tomasse uma atitude, cerca de 15 milhões de judeus morreriam. Se não nos posicionarmos e tomarmos uma atitude de fé, cerca de 14 milhões de gaúchos permanecerão destinados ao tormento eterno.

Diante dos desafios, DEUS nos exige uma atitude de fé. Três atitudes de fé:

Orar (v.14-15). Ester pediu a Mordecai que mobilizasse o povo judeu para orar em favor dela durante três dias. A vida do povo judeu dependia da audiência de Ester com o rei, se ela conseguisse a audiência. O povo judeu não poderia ficar indiferente diante do apelo de Ester, porque a vida deles dependia do sucesso nessa audiência. Semelhantemente, o sucesso do povo batista depende do êxito daqueles que estão na linha de frente da obra missionária. Se aqueles que estão na linha de frente do trabalho missionário fracassarem, nós, também, fracassaremos. Devemos orar constantemente por aqueles que estão na linha de frente: os missionários, os pastores e os líderes convencionais. Nós podemos e devemos transformar a realidade espiritual do Rio grande do Sul por meio da oração.

Posicionar (v.16). Ester se posicionou diante de DEUS e dos homens. Ela não se calou. O líder e a sua igreja não podem ficar em cima do muro diante da crise mundial que estamos vivendo. É para momentos como esse que DEUS instituiu os líderes e as igrejas. Não podemos ficar inertes diante dos desafios que estão à nossa frente. É em meio as crises que os líderes e as suas igrejas se mostram relevantes. John C. Maxwell, disse: “A crise não é para ser administrada, a crise é para ser liderada”. Os dias de calmaria não nos exigem respostas. O professor Philip Kotler, disse: “Existem três tipos de pessoas: as que fazem acontecer, as que ficam vendo acontecer e as que perguntam: o que aconteceu?”. Que tipo de pessoa você é?

Em meio à crise não nos posicionamos por dois motivos:

Não queremos correr o risco. Quando nos posicionamos diante do desafio, corremos o risco de fracassarmos. Ester poderia fracassar diante da sua missão. O seu fracasso seria a sua morte, entretanto, mesmo assim correu o risco.

Não queremos nos comprometer. Quando nos posicionamos nos comprometemos com as pessoas e com a missão. Uma vez que nos comprometemos, não podemos voltar atrás, por isso, evitamos assumir o compromisso. Winston Churchill, foi um dos maiores estadistas da história da Inglaterra, assumiu a posição de 1º ministro em plena Segunda Guerra Mundial. Qualquer outro congressista em sã consciência teria declinado à indicação do cargo em tempo de guerra. Mas, entendendo que foi para um tempo como esse que DEUS o colocou na liderança do Reino Unido, não se acovardou. Enquanto os seus conselheiros costuravam uma aliança com os nazistas, por meio da mediação da Itália, ele se levantou e mobilizou os ingleses para lutarem contra a tirania de Hitler. Winston Churchill não ficou em cima do muro e muito menos se acomodou diante da iminente invasão alemã, ele se posicionou e lutou contra as hordas do mal. Diante da gigantesca crise em que estamos imersos, precisamos nos posicionar, devemos avançar na obra missionária.

Ofertar (v.16). Ester estava disposta a ofertar a sua própria vida para salvar o seu povo da artimanha de Hamã. O avanço da obra de DEUS exige sacrifício. Não estou falando de sacrifício para obter a vida eterna. O sacrifício de JESUS no madeiro maldito foi suficiente, não há necessidade que se faça sacrifícios para ser salvo da condenação eterna. Estou falando de sacrifício para a expansão da obra missionária. Desde o nascimento da igreja, homens e mulheres têm sacrificado a própria vida para a propagação do Evangelho. O diácono Estevão morreu apedrejado por causa da pregação do Evangelho, os apóstolos Paulo e Pedro foram punidos com a morte, em Roma, por causa da pregação do Evangelho. O William Tyndale traduziu o Novo Testamento para o inglês, permitindo que muitos camponeses e pessoas simples pudessem lê-lo. Foi considerado um herege, por traduzir o Novo Testamento para o inglês, e, por causa disso, foi queimado vivo. Graças a DEUS, não corremos risco de vida ao pregar o Evangelho no Rio Grande Sul. O único sacrifício que nos é exigido, é que nos esforcemos ao máximo para levantarmos a oferta missionária. Se realmente desejamos mudar o cenário do Rio Grande Sul, devemos fazer todo o esforço necessário, mesmo em meio à pandemia, para levantarmos a oferta missionária.

DEUS exige de nós uma atitude de fé. Devemos orar; nos posicionar e ofertar. Se o nosso General, JESUS CRISTO, voltar hoje nos encontrará sentados e acomodados, esperando a pandemia passar?

Pastor Olavo Vigil
[1] HYBELS, Bill. Liderança Corajosa. 1ª Ed. São Paulo: Editora Vida, 2002, p26.

Vencendo a depressão

Texto base: 1 Reis 19.1-18

“Querer vencer significa já ter percorrido metade do caminho”.
(Ignacy Jan Paderewski)

O que é depressão? É uma doença psiquiátrica crônica que tem como sintomas tristeza profunda, perda de interesse, ausência de ânimo e oscilações de humor. Muitas vezes é confundida com ansiedade e pode levar a pensamentos suicidas. Portanto, a depressão é uma patologia, não é um problema espiritual ou problema de pessoa mal resolvida. O Brasil é um dos países mais deprimido das Américas e está no topo do ranking de casos de depressão na América Latina, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Estima-se que 12 milhões de brasileiros, cerca de 5,8% da população do país, sofram com o problema —taxa acima da média global, que está em 4,4%1. Não sou um profissional da área da saúde, por isso não estou habilitado para discorrer sobre essa patologia. Meu objetivo é ministrar uma palavra pastoral sobre o tema.

Os sintomas da depressão na vida Elias:

Pânico (v.3). O transtorno do pânico é uma doença caracterizada pela crise de medo e ansiedade, que acontece de forma inesperada e inexplicável. Ele teve medo (fobia) de uma situação com um nível de adversidade bem menor do que a que tinha enfrentado antes. Elias havia desafiado os 850 profetas que serviam a Jezabel (cf. 1Rs 18.19), após orar, fazer fogo descer do céu e consumir o holocausto, ele tirou a vida dos profetas de Baal (cf. 1Rs 18.40), enfrentando um desafio bem maior. Agora, passa a sentir medo de enfrentar um problema menor. Do que você tem medo? Já não enfrentou problemas maiores do que este que enfrenta hoje?
Fuga da realidade (v.3). Elias fugiu, tomou “doril”, sumiu. Elias fugiu para não ter de enfrentar Jezabel. A fuga da realidade é um mecanismo de defesa a que muitas pessoas recorrem como uma forma de evitar o sofrimento. Há muitas formas de fugir da realidade, o uso de drogas, de álcool, de remédios sem prescrição médica e outros vícios. Do que você está fugindo?

Pensamento de morte (v.4). Elias era um homem consagrado a DEUS. Um profeta poderosamente usado por DEUS. Mas, que, devido a sua depressão, pediu para si a morte. A depressão é uma doença severa que pode resultar no suicídio. Semelhantemente a Elias, homens e mulheres de DEUS, também, são acometidos dessa doença, são vulneráveis às suas consequências. Infelizmente, é possível que um servo de DEUS, diante de uma crise depressiva ceifar a própria vida. As perguntas que muitos fazem é: Um crente pode cometer suicídio? O crente que comete suicídio perde sua salvação? Lamentavelmente, é possível sim, um crente acometido de depressão tirar a própria vida. Um crente que morre vitimado da depressão não perderá a salvação, porque ninguém é salvo por próprio mérito, a salvação é obra de DEUS (cf. Ef 2.8-9). Nada e ninguém separará o crente do amor de DEUS, nem a morte (cf. Rm 8.38-39).

Desânimo (v.4). A narrativa bíblica apresenta o profeta tomado por um forte e pesado desânimo. O desânimo é a ausência de entusiasmo, de coragem e falta de vontade. Uma pessoa desanimada geralmente não tem motivação para executar as tarefas diárias como trabalhar, estudar e cuidar de si mesma. Assim estava Elias, desanimado. Você se sente desanimado?

Cansaço (v.5). Um dos principais sintomas da depressão é o cansaço excessivo, falta de energia e fadiga. Cansaço para executar as mais simples tarefas. Alguns sofrem com insônia, no caso de Elias foi excesso de sono. Ele sentiu sono intenso. Certa vez, encontrei uma senhora que fazia mais de 30 dias que estava em cima de uma cama, acometida de depressão, quando a levamos para o hospital, ela apresentava problemas pulmonares gravíssimos, por permanecer muito tempo deitada.

Isolamento (v.9). Elias se enclausurou numa caverna, ele se isolou. Esse é um dos comportamentos nocivos e pode variar de acordo com o nível da depressão. Na depressão severa, o depressivo pode sofrer até mesmo de amnésia e ilusões, chegando ao isolamento total. A depressão faz o indivíduo se isolar, não querer ver e muito menos falar com outras pessoas.

Síndrome de perseguição (v.14). Elias afirmou estar sozinho, mas DEUS diz que há 7 mil pessoas que permaneceram firmes no caminho do SENHOR. Um dos fortes sintomas da depressão é pensar que todas as pessoas estão contra ela. Julgar que todas as pessoas estão erradas e somente ela está certa. Essa foi a postura de Elias: “Sou o único que sobrou”.

Com a ajuda de DEUS é possível vencer a depressão. Como vencer a depressão?

Abrir-se para ser tratado (v.11). A ordem de DEUS foi clara: Sai e fique no monte. Em outras palavras, sai da caverna. Precisamos nos abrir para sermos tratados por DEUS. DEUS poderia ter arrancado o profeta da caverna, mas o SENHOR apenas ordenou que ele saísse. Saia da sua caverna e deixe DEUS tratar a tua vida.

Propósito para viver (.15-17). Devido à depressão, Elias perdeu o propósito da sua vida. A consequência disso foi a estagnação e o isolamento. DEUS deu ao profeta um propósito para viver. Nosso propósito está atrelado à nossa missão de vida.

DEUS deu à Elias a missão de ungir três líderes:

1- Ungir Hazael como rei da Síria.
2- Ungir Ninsi, como rei de Israel.
3- Ungir Eliseu como profeta.

Em outras palavras DEUS disse para o profeta: Levante-se, não terminou, ainda há muito para ser feito. O mesmo DEUS diz para você: Levante-se! Ainda há muito para ser feito!

Pedir ajuda de pessoas (v.18). Elias não estava e nunca esteve sozinho, a depressão o cegou, não permitindo que ele percebesse as pessoas ao seu redor. O depressivo não consegue ver as pessoas interessadas nele, os amigos e familiares prontos para ajudá-lo. Há pessoas interessadas em você, peça ajuda. Você não conseguirá sair sozinho desse poço!

O grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia.
– Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela? Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sofrimento, esperava no carro.
– Sou a Sra. Adams, disse-lhe, nestes últimos dois anos mandei-lhe cinco dólares por semana…
– Para as flores, lembrou o vigia. Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura de meu filho. – Vim aqui hoje, disse um tanto consternada, porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então, quis vir até aqui para uma última visita e para lhe agradecer. O empregado teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza:
– Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando o dinheiro para as flores…
– Como assim? Perguntou a dama.
– É que… a senhora sabe… as flores duram tão pouco tempo…
– E afinal, aqui, ninguém as vê… – O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora Adams.
– Sei, sim, senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos.
– Lá, sim, é que as flores fazem muita falta… Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume. A senhora deixou-se ficar em silêncio por alguns segundos. Depois, sem dizer uma palavra, fez um sinal ao chofer para que partissem. Meses depois, o vigia foi surpreendido por outra visita. Duplamente surpreendido porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro.
– Agora, eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe, com um sorriso amável.
– O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes e fazem com que eu me sinta feliz.
– Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei.
– É que reencontrei motivos para viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças.

A senhora Adams descobrira o que quase todos não ignoramos, mas muitas vezes esquecemos. Auxiliando os outros, ela conseguira auxiliar a si própria. Ela se abriu para ser tratada, aceitou a ajuda de outra pessoa e encontrou um propósito para viver.

Pastor Olavo Vigil

A liderança espiritual movimenta pessoas

A liderança espiritual movimenta pessoas com o propósito de transformar o status quo

Texto base: 1 Samuel 7

“Se você está procurando uma grande oportunidade, descubra um grande problema”.
(Martinho Lutero)

O líder não apresenta o problema, mas a solução. Samuel não faz uma exposição detalhada do problema do povo, ele apresenta a solução. Vejamos as ações da liderança:

Agregar pessoas (v.5-6). O povo estava disperso, conforme o livro de Juízes cada um fazia o que bem entendia (cf Jz 21.25). As tribos não tinham uma liderança centralizada, cada uma das tribos possuía um líder (cf. Jz 2.6-11, Jz 17.6, Jz 18.1, Jz 19.1, Jz 21.25). Quando Samuel entra em ação, agrega todo o povo em trono de único propósito e de única missão. Uma das virtudes inerentes a liderança é a capacidade de agregar pessoas. Infelizmente há “lideres” que ao invés de reunir as pessoas ele as dispersa. Da mesma maneira que as tribos de Israel viviam debaixo de uma liderança que possuía um propósito diferente de Samuel, os ministérios da igreja são liderados por pessoas que tem um propósito muito diferente do pastor. Os líderes juntamente com a liderança pastoral consomem a sua energia em uma disputa de cabo-de-guerra. O desafio do líder é agregar todos os líderes em torno de um único propósito. Se queremos experimentar uma mudança significativa e relevante a igreja é necessário agregar as pessoas.

Interceder pelas pessoas (v.5). Se o povo demostrasse o desejo genuíno de voltar para o SENHOR, Samuel intercederia em favor deles. O profeta e juiz se coloca à disposição para liderar o povo de volta para DEUS. Samuel nos ensina uma verdade acerca de intercessão:

Devemos interceder para que as pessoas vençam o inimigo (v.8). Enquanto Samuel clamava ao SENHOR, os soldados israelitas triunfavam sobre os filisteus. O mesmo aconteceu quando os israelitas lutavam contra os amalequitas. Enquanto Moisés mantinha as mãos erguidas aos céus o povo de Israel vencia os amalequitas, quando Moisés esmorecia, os amalequitas venciam (cf. Êx 17.8-15). O inimigo que escraviza, que destrói com as famílias e que separa os homens de DEUS é o pecado. O líder deve interceder para que os seus liderados vençam Satanás e o pecado. Devemos interceder pelas pessoas ao invés de se queixar delas (v.9). Samuel tinha todos os motivos para se queixar do povo, devido a idolatria, a rebeldia e falta de compromisso para com o SENHOR, mas o texto não registra o profeta se queixando, mas clamando em favor do povo. As pessoas já tem um Acusador, não precisam de mais um.

Dar direção para as pessoas (v.6). Samuel orientou o povo que estava sem direção. Conforme o livro de Juízes, cada um fazia o que queria (Jz 21.25). Samuel dirige o povo para andar no caminho do SENHOR. A tarefa principal do líder é dar direção para os liderados. Os liderados sem a direção do líder padecem. Verdadeiro líder não é aquele que entrega os mapas para os seus liderados. O verdadeiro líder é aquele que caminha junto com os liderados.

Permanecer com as pessoas (v.15). Samuel não somente liderou o povo, como permaneceu com eles. Samuel investiu sua vida na liderança do povo de Israel. Todos os dias da sua vida foram compartilhados com o povo de DEUS. Não há êxito na liderança espiritual porque a liderança não permanece. A mudança constante na liderança é prejudicial para ambos, os relacionamentos não serão estreitados, nunca haverá intimidade entre o líder e os liderados. O sucesso e o bem-estar dos liderados depende da continuidade da liderança. Rick Warren disse: “A maioria das igrejas grandes e saudáveis é guiada por pastores que estão dirigindo a mesma comunidade por um longo período”.

Coloque-se à disposição de DEUS para mudar o status quo.
Não se conforme com o status quo.

Pastor Olavo Vigil